Fala pessoal! Bom, hoje nosso artigo vai falar um pouco sobre uma carta em específico, nosso amigo cheio de dentes, Psicatogue.
Para quem não conhece, Psicatogue saiu em 2001 na coleção de Odisseia, primeira edição após o fim da invasão Phyrexiana no plano de Dominária.

Odisseia trouxe consigo várias mecânicas novas entre elas a de Threshold e Flashback utilizando de forma ainda mais recursiva o cemitério. A coleção trouxe também um ciclo de Atogs, que foram bem fracos por sinal, até que com o tempo o Psicatogue se mostrou ser a exceção.
Sua combinação de cores, um custo baixo e com as habilidades de descartar um card da sua mão ou remover duas cartas do seu cemitério para aumentar seu poder e resistência em +1/+1, no deck certo e em um ambiente com cartas que favoreciam esta estratégia, faziam dele um excelente finisher.
Apesar do potencial, ele ainda assim ficou um pouco apagado em seu lançamento. Até que nossa história começa em março de 2002 no Pro Tour de Osaka, campeonato do bloco de Odisseia, onde Osyp Lebedowicz ficou em sétimo lugar com um deck UB Tog.
A ideia do deck aqui é um control que abusa das interações com Psicatogue, cartas como Logica Circular e Busca Obsessiva aproveitam do bichão e da sua própria habilidade de Loucura para gerar valor e aumentar o cemitério, por falar em cemitério Edito de Chainer poderia ser um removal no começo da partida e ser usado novamente com Flashback ou simplesmente ajudar a “pumpar” o Tog.

Outra carta fundamental nesse deck é Sublevacao, em uma shell mais control o jogo com certeza deve se estender até que seja possível flutuar 3 manas, castar Sublevação e fazer o Psicatogue com a mão e o cemitério cheios e o oponente sem nada em campo, para finalizar o jogo em 1 a 2 turnos.
Ainda em 2002 após mostrar sua força em Osaka tivemos 3 decks do “dentuço” no Top 8 do GP Milwaukee sendo 2 UB com listas muito parecidas com a anterior uma delas pilotada por Brian Kibler. Com diferenças sutis, porém poderosas e se aproveitando das cartas do Standard da época como Sondar e Fato ou Ficcao o deck aumentava sua consistência e velocidade.

Ambas seguem a linha de gerar valor, colocando mais cards na mão e no cemitério, que já sabemos que é tudo que nosso Atog quer.
Outra adição interessante é Familiar de Nightscape que, como falei acima, acelera muito o jogo, deixando quase todo o deck com o custo de uma genérica a menos e sendo um blocker com regenerar.
Neil Reeves que também fez parte deste Top 8, jogou com uma versão um pouco diferente, ele adicionou o vermelho no deck para ter acesso a cartas como Kavu de Lingua Flamejante, uma das melhores criaturas da época, pois quando entrava em campo já tirava algum bicho do oponente e ainda colocava um clock poderoso, além de Fogo // Gelo que era extremamente versátil.

No GP Taipei alguns jogadores como Albertus Law fizeram Top 8 com o “Burn Tog” deck que utilizava além das cartas citadas acima, nada mais nada menos que três Desejo Abrasador, fazendo com que você não precisasse utilizar Sublevacao no Main Deck, e consequentemente te dando acesso a mais ferramentas do sideboard ao longo da partida. Isso ajudava demais, pois às vezes dar o draw em uma carta de custo 6 no início do jogo não era o melhor dos mundos.
Um mês após o GP de Taipei chegaria então o dia do campeonato mundial daquele ano em Sidney na Australia. Entre os decks de Psicatogue no Top 8 daquele ano, um deles para nós brasileiros é especial, estou falando da lista do nosso primeiro lugar Carlos Romão o Jabaiano.

O Jaba usa uma lista UB clássica com vários counters no Main Deck e três Desejo Astuto que davam acesso as magicas instantâneas no side como Hibernacao e Abdicacao Forcada, com um field com Squirrel Opposition e Madness Aggro é uma excelente tática para garantir vitória já no G1. Não atoa Romão levou o Mundial daquele ano e agora em agosto 2022 comemoramos 20 anos deste título.
Em outubro desse mesmo ano ocorreu a rotação do bloco de invasão que levou diversas cartas base desse deck como Fato ou Ficcao, Familiar de Nightscape e não tivemos outro Top 8 do deck no Standard e esse foi o fim do Psicatogue...
Tá louco acha que aquele sorrisão ia acabar assim.
De 2002 até 2007 a casa do Atog agora era o Extended e como já sabemos muito bem ele não iria ficar muito tempo sem visitar o Top 8.
E aqui meus queridos é onde encontramos o Togão talvez em sua melhor versão, chegamos em uma versão que acrescenta cartas que não eram válidas no Standard da época, são elas: Tempestade Cerebral, Intuicao, Conhecimento Acumulado além das fetch lands.

Essas são ótimas opções para comprar cartas e encher o cemitério, além do poder que já conhecemos das Fetch Lands com Brainstorm. Naquele mesmo ano no GP Reims o deck foi remodelado e nele entraram cartas como Mana Leak no lugar de Lapso de Memoria, mas a principal adição foi Gush que sozinho colocava 6,5 de dano a mais no Psicatogue.
Com a chegada de Mirrodin em 2003 o deck ganhou novas ferramentas como Cetro Isocrono que com a regra da época era possível dar um imprint em Fogo // Gelo e usar qualquer um dos lados, ROUBADO DEMAIS, tanto que nessas versões usavam apenas dois Tog, já que você poderia vencer somente com o Burn do Fire.
Em 2003 tivemos outras versões com splash branco para Canto de Orim e que também interagia com o Cetro.
Em 2005 o tivemos uma mudança de paradigma, ao longo dos anos a casa do Psicatogue sempre foi a dos decks control até que no Pro Tour Los Angeles daquele ano Billy Moreno foi para o top 8 com um deck Aggro o “Madness Tog”, além de Vorme Arrogante, Rizowalla Preguicoso deck tinha peças de Dredge como Vida da Marga e Darkblast. E a cereja do bolo com Jitte de Umezawa que junto com Tog lavava, passava e colocava para dormir.

Em 2007 tivemos combinações com Confidente Sombrio, Tampo de Adivinhacao do Sensei e Counter Balance cartas que sabemos muito bem o que fazem juntas né!
Bom após 2007 não tivemos outras grandes presenças daquele sorrisão lindo no Extended e assim foi o fim do Psicatogue no Magic... The End.

Achou que acabou? Achou errado...!
Até que chegou o Premodern meus queridos e aqui Togão ainda reina!
E vamos começar com a versão clássica do deck no Premodern, que é muito parecida com aquela que vimos nos primeiros Top 8 do Extended.
Brainstorm é banido no formato então aqui mantemos a pegada control gerando valor com Jorro, Intuicao e Fato ou Ficcao.

Sufocamento é sempre uma boa opção de removal no formato, tendo em vista a presença de Goblins, Elfos entre outros decks de criaturas de custo baixo, e uma carta super versátil que eu particularmente gosto muito é Medalhao do Funeral, que pode ser um descarte em instant speed, um removal ou até evasão para aquela paulada final.
No pack de criaturas além do Psicatogue temos Maravilha e Mago das Sombras Infiltrador, eu particularmente gosto muito do nosso querido Jon Finkel aqui. Um parêntese rápido é que Finkel nunca jogou com um deck de Psicatogue ao longo de sua carreira, ele admite que “talvez não gostasse de jogar de controle o suficiente”, sua própria carta foi ofuscada na época pelo nosso dentuço, mas eu acho que espaço sim para ver os dois juntinhos.
Detalhe interessante que Jorro acaba tomando o lugar de Sublevacao justamente por ser mais flexível, principalmente no nosso caso específico onde usamos Frustrar.
Outra versão que podemos ver no Premodern é a Gro A Tog, como já falamos anteriormente as versões “Gro” utilizam de uma estratégia de crescer uma Driade Quirion como uma segunda alternativa de finisher.

Adição importante aqui é o branco que nos dá acesso a cartas como Mago Interferidor e principalmente Armageddon, encaixar a Land Destruction com uma Dríade ou Tog na mesa e quase um GG. O branco pós side dá acesso também a Espadas em Arados além de Desencantar para lidar com aquela Humildade.
Um deck onde nosso querido não é o protagonista, mas carrega o piano para o Metamorfo de Volrath é no FEB (Full English Breakfast) aqui muitas vezes você usa o Atog para filtrar o cemitério ou até mesmo ser um finisher.
Psicatogue é uma carta incrível com um custo baixo e valor absurdo, deixou um legado em quase uma década, esteve presente em várias competições de renome e foi Campeã junto com nosso querido Jabaiano.
O Magic é um jogo de comunidade e enquanto tivermos formatos sustentados e apoiados pela comunidade assim como o Premodern esses legados serão preservados.
A ideia não é competir com nenhum outro formato, ser o melhor, o mais econômico, o mais caro, o mais saudável, é simplesmente ser um lar para quem busca algo diferente e recontar uma história de quem já faz parte dela.
Deixo sempre o convite, lembrem-se de nos contactar através do Whatsapp que lá passamos todas as informações da nossa jogatina semanal. Além dos campeonatos presenciais.
Valeu!!!!!