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As mudanças do formato que não muda
Depois de um tempo de ausência Caio Pimenta e Renan Guerra trazem mais uma matéria sobre o Premodern
27/04/2023 10:05 - 6.758 visualizações - 11 comentários
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“Um formato que nunca adiciona e nem retira cartas sempre terá um meta igual” 

 

O Premodern me mostrou que esta afirmação não poderia ser mais falsa. O design elegante das cartas proporciona um ambiente para inovação, onde não é necessário banimentos ou rotação para deixá-lo dinâmico, apenas mentes criativas. Nesse artigo vou defender minha tese, mostrar como um deck que foi quase tier 0 passou a ser considerado fraco em menos de um ano sem banir nenhuma carta e quem sabe te interessar um pouco mais neste formato emergente.


Se você não conhece o Premodern: É um formato que busca capturar a “Era de ouro” de design do Magic, valendo cartas lançadas entre Quarta Edição (1995) e Flagelo (2003). Você pode aprender mais sobre o formato em si neste artigo.


Primeiro um disclaimer: Eu comecei a jogar Magic em 2014, muito depois da era da borda antiga, não tenho um viés nostálgico pelas cartas do Premodern, mas sempre me interessei por game design e gostava de ver como Standards e Drafts do passado funcionavam. O formato me deu a oportunidade de vislumbrar o passado de forma mais tátil e sua elegância de cartas simples com decisões complicadas me cativou.


Este artigo disserta sobre a evolução dos “decks to beat” do formato, porém quero deixar bem claro que mesmo com esses decks fortes, o formato nunca teve um deck que representasse mais de 20% do meta. O Premodern é o formato mais diversos que já joguei por ser extremamente balanceado e sua velocidade mais baixa abre espaço para que decks de todos os tipos sejam bem-sucedidos.

 


- No Começo, Era Tudo Mato (pré-2020)


Até 2020, o meta do Premodern estava sendo definido, com os primeiros campeonatos grandes rolando na Europa e o início do torneio mensal online que arrecada mais de 100 pessoas em cada etapa. Os jogadores nessa época se apoiavam em arquétipos que provaram seu valor na história do magic: Rebeldes, Oath of Druids, White Weenies, Madness, entre outros.


Em pouco tempo, o tier 1 se definiu fortemente na tríade estratégica do Magic com representatividade praticamente igual: Control, Aggro e Midrange.

 

    

 

Esse é um dos grandes atrativos desse formato: Jogar com as formas mais puras da tríade em um ambiente viável para os três. Gosto da ideia de jogar com um deck de controle clássico com Counterspell e Swords to Plowshares, ou um midrange bem definido com Blastoderma e Deranged Hermit topando a curva, ou um aggro de criaturas simples como Jackal Pup mas que ainda joga o jogo longo e inteligente com Cursed Scroll e Sulfuric Vortex.

 

 

- A Era do Standstill (Ano de 2020)


Os decks de controle passaram a utilizar da carta Standstill para alavancar sua Card Advantage, e para quebrar a simetria, você poderia colocar pressão com terrenos que viram criaturas como Mishra's Factory ou ao reciclar Decree of Justice que não ativa o Standstill.

 

    
 


Se seu oponente quisesse interagir, precisaria te dar 3 cartas. Esse tipo de design não será feito nunca mais pela equipe de design do Magic atual, já que ele cria decisões complexas (o que é bom) mas a maioria dessas decisões está na mão de seu oponente (que eles acreditam ser ruim, pois você precisa aprender a jogar com uma carta que nem é do seu deck). A outra carta notória do formato por ter essa natureza é Land Tax. Se quiserem experimentar a complexidade dessas cartas, Premodern é um dos únicos ambientes que te proporciona isso.


O “Landstill”, como passou a ser chamado, se tornou o deck mais popular do formato e seu reinado foi o mais duradouro até hoje. Para combater este meta, o deck apelidado de “The Solution" surgiu no formato. Este nome vem do deck inventado por Zvi Mowshowitz no Pro Tour de 2001 e compartilha do mesmo propósito de sua versão Premodern. Neste Pro Tour, o ambiente era dominado por aggro vermelho e os decks de controle no geral não estavam conseguindo segurar a agressão. Zvi encontrou “a solução” de criar um deck com criaturas eficientes tanto para jogadas defensivas quanto agressivas, combinadas com um pacote de efeitos Counterspell e card Advantage para jogar na end-step do oponente. Isso permitia que o deck estabilizasse contra aggro mas também colocasse clocks eficientes contra control. A versão de Premodern utiliza de Mother of Runes e Fire // Ice para segurar o aggro, e se apoia em counterspells e Lightning Angel para fechar a porta contra control.

 

    

 

Em 2021, a quantidade de Top 8 que o Standstill alcançava diminuiu drasticamente, em parte por causa de decks como The Solution e Goblins. O outro motivo para esse fenômeno foi simplesmente que as pessoas aprenderam a jogar contra Landstill, entenderam quais cartas são necessárias para seus sideboards e estavam preparadas para o match. Este será um tema recorrente nessa linha do tempo.

 


- A Era dos Goblins (Ano de 2021)


O Goblins era considerado o deck mais explosivo do formato, porém tinha uma fraqueza fundamental: A primeira adaptação explorada foi de ter cartas de dano direto no sideboard como Sulfuric Vortex, assim suas criaturas poderiam desenvolver uma vantagem de dano no início do jogo e após o oponente jogar Engineered Plague, seu Sulfuric Vórtex finalizaria os pontos de vida para você, mas nem sempre esse plano funcionava graças ao hate direcionado a qualquer carta vermelha, independentemente de ser criatura ou não. A segunda tentativa foi uma já bem conhecida dos anos 2000: splash preto para utilizar Duress, retirando a Engineered Plague e ainda abrindo espaço para a carta Patriarch's Bidding, que resolvia o problema de Wrath of God. O problema do splash preto é: mas e se o oponente comprar Engineered Plague depois do duress?

 

    

 

A solução que alavancou os goblins para o topo, tornando ele o novo “deck to beat”, foi a mais simples: Um splash verde para utilizar Naturalize no sideboard. As cartas que realmente freiam o trem-bala dos Goblins são encantamentos e artefatos, logo, naturalize resolve todos os seus problemas. Uma solução digna de um Goblin mesmo.

 


- A Era do Juramento (Início de 2022)


Depois do surto de popularidade dos Goblins, os jogadores não poderiam se apoiar apenas em Engineered Plague e Wrath of God. O número de cartas de hate dedicadas a Goblins em um sideboard começou a subir, mas você sentia que em qualquer briga de atrito, o Goblins sempre sairia na frente. Que tal então deixar eles jogarem à vontade? A carta Oath of Druids se aproveita dos decks com criaturas enquanto o seu só tem gigantes como Phantom Nishoba, que quando entra em campo, finaliza o oponente ganhando vida no processo.

 

    

 

Apesar dos Naturalize no sideboard dos Goblins, o deck de Oath of Druids é um matchup extremamente complicado de se navegar para qualquer deck de criaturas. Já nos decks sem criaturas, a falta de clock permitia que o deck de Oath acumulasse muitas lands e utiliza se de Treetop Village, Decree of Justice e Gaea's Blessing para jogar o jogo longo e gerar muito mais valor.


Por esses motivos o potencial de Oath of Druids foi reconhecido e o deck começou a fazer Top 8, mas analisando os resultados, as listas ainda variam drasticamente dentro desse mesmo arquétipo. Algumas listas utilizavam de Mox Diamond e Sphere of Resistance no turno 1 para desacelerar o oponente e quando combinadas com Wasteland e Rishadan Port, transformavam o deck em um “prison”. Outras listas utilizam de artefatos e encantamentos de hate no main deck, que poderiam ser buscadas por Enlightened Tutor, transformando o deck em um “toolbox”.

 

    

 

Teoricamente, um deck de Landstill que não possui nenhuma criatura teria boas chances contra Oath, mas o formato já evoluiu tanto que Landstill se tornou ultrapassado e faltava força para ele lidar com o resto do meta. Deckbuilders inovadores começaram a explorar novas possibilidades de decks sem criaturas, e perceberam que tem muitos encantamentos e artefatos fortes no formato.

 


- A Era dos Encantamentos e Artefatos (Meio de 2022)


Essa época é marcada por uma multitude de decks essencialmente de combo que alavancam os encantamentos e artefatos disponíveis no formato.


Replenish: utiliza de efeitos de descartar para colocar encantamentos poderosos no cemitério e trazê-los de volta com Replenish. Sua condição de vitória é trazer do cemitério Pandemonium e Saproling Burst, para dar 20 de dano em uma jogada só.


Enchantress: utiliza de encantamentos de baixo custo que geram mana e de permanentes com sinergia com encantamentos como Serra's Sanctum, Argothian Enchantress e Sterling Grove.


Parallax Tide: Um deck essencialmente de UW control, mas que utiliza um combo para fechar a porta no seu oponente. As cartas Parallax Tide e Parallax Wave retiram terrenos e criaturas do jogo, e todos esses permanentes voltam para o campo quando o último contador é retirado do encantamento. É possível colocar todas as habilidades de remoção na pilha e destruir seu próprio encantamento antes que elas resolvam, assim os permanentes são removidos do campo depois que o encantamento já não existe mais, sendo exilados para sempre.


Stiflenought: utiliza de Phyrexian Dreadnought (apelidado de Camarão por sua aparência), que custa apenas uma mana, mas requer o sacrifício de outras criaturas quando entra em campo se não ele mesmo é sacrificado. É possível utilizar a carta Stifle para negar esse trigger, ou então tirar o Camarão de fase com Vision Charm antes de seu trigger resolver. Novamente este é um deck dominante mas com grandes variações de lista: Ele pode ser MonoU para utilizar de Gush e Foil como proteção. Ele pode ser UW para ter acesso à tutor esclarecido para buscar o combo, além de Meddling Mage e Swords to Plowshares para ser mais interativo e ter mais ângulos de ataque. Por fim, ele pode ser UB para ter acesso a Duress e limpar as respostas do oponente antes de tentar combar.

 

    

 

Neste ponto da história, o Premodern já atingiu uma popularidade astronômica considerando que não é um formato oficial. Suas peculiaridades chamaram a atenção de jogadores profissionais consagrados, como Olle Rade, Mike Flores, Brian Selden, Pascal Maynard e Sam Black que jogam regularmente tanto online como torneios presenciais da comunidade. Esses caras vieram com uma missão: inovar o formato ainda mais.

 


- A Era dos Elfos (Fim de 2022)


Survival of the Fittest é uma carta historicamente muito forte no Magic e é banida em basicamente todos os formatos. No Premodern ela não é banida e funciona muito bem dentro do contexto do formato. Até o momento ela era usada em combinação com Squee, Goblin Nabob para gerar valor e alcance para decks midrange, mas era questão de tempo até alguém achar a shell perfeita para levar a carta pro topo.


Os decks de elfos passaram a utilizar de Survival of the Fittest e ao longo do ano a lista foi sendo refinada até chegar no melhor deck de criaturas que o formato teve até agora. A tacada de mestre do deck é descartar Anger com o Survival, fazendo que seus elfos que geram mana possam fazê-lo no mesmo turno que entram em campo, assim você pode jogar outros elfos que compram carta, voltá-los para mão com Wirewood Symbiote e fazê-los novamente. O deck tem múltiplos ângulos de ataque e se recupera fácil de board wipe graças ao Survival.

 

    

 

Este é o grande problema de jogar contra esse deck. Ele faz tudo. Você precisa de graveyard hate no side, precisa de remoção para encantamento para o Survival e ainda precisa lidar com criaturas com board wipe ou remoção. Infelizmente não dá para responder tudo e o Elfos acha um jeito de te matar. Parte do crédito por refinar a lista é do jogador do Hall da Fama Olle Rade, que joga as ligas de premodern do Magic Online e os campeonatos presenciais sempre de elfos.

 


- A Era do Parfait (Início de 2023)


Parfait é o apelido dado para qualquer deck que utilize de Land Tax e Scroll Rack como gerador de card advantage. A ideia é de colocar terrenos básicos na sua mão com Land Tax e depois devolvê-los para o deck com Scroll Rack, no turno seguinte você busca mais 3 terrenos e embaralha o deck, destravando o topo e essencialmente comprando 3 cartas adicionais por turno.


Este tipo de deck não foi descoberto agora no Premodern. Listas utilizando desse combo fizeram bons resultados ao longo dos últimos anos, porém assim como os decks anteriormente citados, foi por criatividade e insistência que a lista foi sendo refinada até chegar em sua forma atual.


Tudo começou quando os deckbuilders se perguntaram “Já que podemos usar Mox Diamond e Undiscovered Paradise, por que não fazer um deck que utiliza as melhores cartas de cada cor?” e a sopa do Parfait surgiu. O deck utiliza do combo principal de Land Tax e Scroll Rack, mas conta com uma seleção de one-offs poderosos para tentar ter um matchup bom contra qualquer deck. Algumas cópias de Oath of Druids garantem um match bom contra criaturas, enquanto Armageddon e Zur's Weirding venciam o matchup de Control.


A interação mais recente do deck foi criada por Sam Black, considerado um dos maiores deckbuilders e inovadores da história do Magic, tendo feito 3 Top 8 no Pro Tour. Sua lista foca mais na cor azul, utilizando de Gush, Foil e Counterspell para possibilitar um estilo de jogo mais Control que não se apoia completamente no sucesso do combo Land Tax e Scroll Rack.


Sam Black's Parfait
Por renang
 
25/04/2023
R$ 17.430,77
R$ 30.078,14
R$ 134.247,19
 
25/04/2023
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
Grid
CMC
Comprar Deck
Gerar Imagem
Mágicas (22)
 
9,90
 
140,00
  
0,23
  
8,10
3  
   
7,19
  
3,49
3  
  
9,90
Artefatos (11)
 
3.690,00
 
14,00
 
65,00
 
0,21
 
150,00
Encantamentos (7)
 
64,20
  
118,00
  
0,25
1  
   
210,35
Terrenos (20)
1  
0,00
6  
0,00
68,28
5  
0,00
56,02
60 cards total

Sideboard (15)
 
3,52
4  
 
0,25
 
8,49
  
118,00
  
8,55
  
7,99
  
26,49
   
13,33

 

- Conclusão e Futuro


Todos os decks listados acima coexistem no meta do Premodern com várias outras estratégias e possibilidades. O intuito do artigo é de mostrar que até mesmo no topo do metagame houveram mudanças e evoluções completas, vindas apenas da criatividade de seus jogadores, e que com cartas bem feitas, não é necessário bans e rotação para ter variação e balanço no ambiente.


Por incrível que pareça, nos testes que venho acompanhado, o Landstill tem as ferramentas necessárias para bater de frente com o Parfait. Será que fecharemos o ciclo onde o melhor deck que perdeu seu posto volta para retomá-lo? Será você o próximo a refinar uma lista e tornar seu deck o melhor do meta?


Se quiserem entender mais do formato (e de seu field) navegando no site do TC decks, onde, toda semana, são postadas as listas de novos campeonatos ao redor do mundo e do Brasil também. 

 

Novidade é que estamos com uma Liga online mensal via Spelltable no mesmo formato das gringas, entrem no grupo e chama a gente no Whatsapp para saber como participar.

 

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Até a próxima!
Caio Pimenta

Renan Guerra ( Serra_Angels_OldSchool_Club)
Serra Angels é o primeiro clube de Magic: the Gathering Old School e Premodern do Brasil, com sede em SP, mas contamos com participantes de todos os cantos do país.
Valorizamos a igualdade, a inclusão, a tolerância e, claro, o papelão velho.
Redes Sociais: Instagram, Twitter
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 02/05/2023 22:30:26
Ótimo artigo, parabéns.
(Quote)
- 30/04/2023 22:31:11
Excelente artigo!
Excelente formato!
(Quote)
- 28/04/2023 15:14:09
Formato muito bom e balanceado, ao contrário do que muita gente pensa existem decks tier 1 bem acessíveis de se fazer
(Quote)
- 27/04/2023 17:50:12

procura as comunidades nos face do formato, ele é gigantesco na europa, com liga mensal e a porra toda

(Quote)
- 27/04/2023 17:24:25
Como que está o ambiente no MTGO(MOL)? Moro fora do Brasil e tenho 0 disponibilidade para spelltable/tabletop. Eu gostei muito do formato e estou montando um reanimate(tinha um na época da escola), porém com mais inovações.
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