De Volta ao Vermelho
30/11/2017 14:00 / 2,357 visualizações / 9 comentários
 
Primeiramente, olá a todos.
 
Nas últimas semanas estive afastado da LigaMagic por conta do meu pesadelo TCC, então não tive tempo para me dedicar aos artigos. Mas queria salientar que até agora o feedback de vocês tem sido incrível, agradeço mesmo de coração e espero continuar trazendo um conteúdo bom e agradável para todos vocês!
 
Apesar de, nos últimos tempos, ter jogado mais com decks de controle e variações de Temur Energy, quem me conhece sabe que minha verdadeira paixão sempre foram os decks aggros. Meus melhores resultados sempre foram jogando com decks agressivos, como o Jund Aggro do T2 de Retorno para Ravinica, que me fez ficar entre os 4 melhores no WMCQ São Paulo de 201,4 e mais recentemente o Monoblue Eldrazi, que me deu duas vitórias em PPTQs no Standard de Batalha por Zendikar. Porém, mesmo não conseguindo resultados tão bons, um arquétipo em específico sempre me fez brilhar os olhos: Monored.
 
Seja ele Burn nos formatos Legacy e Modern, ou mesmo numa forma mais agressiva, como foi o Heroic Red e o Atarka Red nos T2 passados, sempre tive uma relação de amor e ódio com o Monored. Tanto ódio, que me fez mudar drasticamente, passando a jogar de UR control com o Torrential Gearhulk., que voltou a me dar alguns bons resultados, incluindo um TOP8 na final do último Circuito LigaMagic.
 
Mesmo jogando de Temur, eu gostava muito do Ramunap Red e do seu poder de roubar jogos com cartas como Hazoret, a Fervorosa e Chandra, Torch of Defiance. Desde a vitória do PV no PT, no começo da rotação, era um deck que me enchia os olhos. Como estava ficando enjoado do Temur, montei o deck no MOL para testar melhor e pude perceber o porque ele era tão temido.
 
Com o deck montado no MOL e os resultados aparecendo, resolvi vender minhas cartas e montá-lo do zero IRL, para jogar o TOP8 do CLM, da loja que frequento. O problema era que faltavam poucas semanas para o torneio, então tive que correr contra o tempo. Mas com a venda das cartas, consegui montar o Ramunap a tempo e passei a treinar exaustivamente com ele no MOL. Porém, os resultados bons começaram a desaparecer. Os decks começaram a se preparar melhor para combater o Ramunap, inclusive fazendo com que Hazoret não fosse mais tão boa assim, com cartas como Confiscation Coup e Essence Scatter​ no maindeck.
 
Nessa busca pelas 75 ideias para o CLM, uma versão do deck me chamou muito a atenção: o Desert Red, do Ben Stark. Essa versão, inclusive, mostra como a Hazoret não era mais tão boa assim, pois usava no máximo uma e ele ainda sugeriu cortá-la para colocar o 4º Sand Strangler. Depois de alguns testes, percebi algumas falhas na lista:
 
- Falta de agressividade no G1: mesmo ainda tendo os drops1, essa versão abdicava demais da agressividade para se tornar mais “midrange”, tentando combater principalmente o Temur Energy. Porém, isso fazia com que uma das forças do deck, de roubar jogos abrindo curvado, fosse menos eficiente.
 
- Sand Strangler: Ele é muito bom contra os decks energy, porém, passa a ser de ruim pra horrível contra o resto, e, por incrível que pareça, o formato não é feito só disso. Contra decks como Approach, Tokens e UB, ele não vai passar de um mero Hill Giant. Mesmo no mirror, a Hazoret tem um poder muito maior, e você fica em desvantagem usando essa lista.
 
- Hazoret, a Fervorosa: Sim, os decks estão mais bem preparados para lidar com ela, mas, mesmo assim, ela ainda rouba muitos jogos. Principalmente no G1, seu papel é agredir, tentar curvar e vomitar a mão para aproveitar ao máximo o poder dela quando cair na mesa. E deixar seu oponente se virar para lidar com ela.
 
- Earthshaker Khenra: Essencial para minar um pouco o flood que as vezes pune o deck, é fundamental para manter a pressão do começo e uma ameaça que sempre faz com que o oponente jogue um pouco para trás, deixando mais de um bloqueador para não morrer para sua forma eternalizada.
 
Com isso em mente e ainda pelo fato de provavelmente eu começar quase todos os jogos no TOP8, resolvi ir com um Ramunap Red bem linear:

Ramunap Red - Standard
2017-11-30

Jogador

Ruda

Visitas

2382

Código Fórum

[deck=745123]

A lista não foge muito do tradicional, mas fiz pequenas mudanças. Cortei uma Kari Zev, Incursora das Aeronaus, pois ela não é tão boa contra decks com acesso à Fatal Push e acaba sendo ruim em múltiplas, e eu queria que meu plano de vomitar a mão fosse o mais eficiente possível no começo do jogo. Adicionei um Portador da Gloria que, apesar de fugir totalmente do proposto anteriormente, é uma carta que finaliza muitos jogos por cima, enquanto a mesa fica travada por baixo. Além disso, é excelente contra Sultai, um deck que eu achava que provavelmente encontraria no torneio.
 
Ferocidonte Enfurecido é outra escolha não muito usual no maindeck, mas que na minha opinião é excelente nesse deck. O fato de não deixar ganhar vida e punir oponente que tentam encher a board facilita muito a vida desse deck. Alem de ser uma resposta excelente para um dos principais pesadelos do deck: Whirler Virtuoso.
 
No dia do torneio, descubro que passei em 4º e que, pelo menos, não precisaria jogar a primeira partida. Porém, um integrante do TOP8 não compareceu e, com isso, já teria que enfrentar uma match que não é la das melhores para o Ramunap, apesar de usar Ferocidon no main: Tokens.
 
TOP8: Eduardo (4C Tokens – Esper Vraska)
 
G1: Começo bastante agressivo, com Mensageiro de Bomat no turno 1, Kari Zev, Incursora das Aeronaus no 2, Bomat e Choque no token no 3. Ele tenta segurar com alguns tokens, mas eu compro muitas cartas com os Bomat e eventualmente encontro o Glorybringer, que finaliza por cima.
 
 
Side Out: -3 Hazoret the Fervent (deixei uma pela possibilidade de roubar algum jogo, mas ela é bem ruim contra os diversos chump blockers que o deck é capaz de fazer), -3 Choque, -3 Ahn-Crop Crasher
 
G2: Ambos muligam, mas abro uma boa mão com Mensageiro de Bomat, removal e Ferocidonte Enfurecido. Ele começa um pouco lento e eu vou punindo com o Bomat até ele começar a fazer os tokens. Quando resolvo um Ferocidon, ele responde com Comecar // Terminar, e meu dinossauro não sobrevive para contar a história. Vou tentando segurar os tokens com alguns removals, até que encontro uma Segadeira da Eteresfera, que começa a virar o jogo ao meu favor, recuperando os pequenos pontos de dano que ele ia me causando. Nesse meio tempo, sempre mantenho um Golpe Relampejante na mão, pois apesar de o Eduardo sempre recuperar alguns pontos de vida, ele poderia muito bem servir para finalizar. Quando compro a segunda Segadeira, começo novamente a ganhar preciosos pontos de vida que os tokens iam me tirando.
 
 
Chega um momento onde tenho 4 lands, Bomat, 2 Segadeiras e um Golpe Relampejante na mão. Deixo ele a 7 de vida, ele bate e recupera indo a 9. Aqui tenho duas opções para vencer: comprar um drop 1 ou drop 2, tripular as duas segadeiras e bater 6, finalizando com o Strike, ou então comprar o Ferocidon, manter a pressão e obrigá-lo a achar um removal pro dinossauro, para poder voltar a ganhar vida. Acho o Ferocidon, e bato deixando ele a 3 de vida. Ele cicla um terreno no passe, faz um scry na manutenção com a ajuda do Hidden Stockpile, e acha um... Fumigar! Mas não tem 5 manas abertas e acaba concedendo pois já morreria pras próprias Segadeiras.
 
Um detalhe importante: se tivesse feito dois scrys no passe, teria achado o Fumigar no turno, limpado a mesa e me deixando sem nada. Conversamos depois e realmente ele não tinha percebido essa jogada, apesar de não querer “perder” os bichos a toa caso não encontrasse alguma resposta para o Ferocidonte Enfurecido.
 
TOP4: Ramon (UB Control)
 
Na Sexta eu tinha jogado o último torneio valendo pontuação X2 e fui atropelado pelo Ramon, com direito a TRÊS Essence Extraction no maindeck, um Negar que pegou minha Chandra, Chama da Rebeldia e um Essence Scatter pras minhas Hazorets. Além disso, no G2 chegou um momento que ele tinha 7 lands e eu sabia que tinha apenas O Deus Escaravelho na mão. Ele comprou, fez o deus e passou. Fiz meu Portador da Gloria pra bater pra letal e… obviamente tomei o Essence Scatter. Enfim, outro torneio, esperava ter um pouco mais de sorte...
 
..e eu nem precisei ter muita sorte, porque tudo que ele teve na Sexta, faltou nesse dia. Ele não fez absolutamente nada nos dois jogos, comprando counters quando já tinha uma horda de bichos na mesa (Bomat turno 1, novamente) e sem achar nenhuma remoção. No segundo jogo ele muligou a 5, então não tem muito o que comentar. Vou deixar apenas meu side in e side out.
 
 
Side Out: -3 Shock, -2 Abrade, -2 Lightning Strike
 
Final: André Neder (Grixis Control)
 
A vaga já estava garantida, então eu só precisava jogar pelo ego-troféu. Neder estava com um Grixis Control, lista dele, que usava dentre outras coisas, Hour of Devastation no main. Realmente não seria fácil.
 
G1: E lá estava o Bomat, turno 1 novamente (só sorte). Seguido de Kari-Zev e mais alguns bichos, chegou um momento que ele se tapou no turno 4 para fazer um Chandra, subir, remover um bicho a passar. Estava muito na cara que ele tinha a Hour of Devastation, poderia estar me induzindo a focar nele, para que pudesse limpar a mesa e ainda ter uma Chandra sob seu controle. Como não tinha muitas alternativas, resolvi a minha própria Chandra, matei a dele com alguns bichos a passei. Dito e feito, ele voltou com a Hora, limpando minha mesa inteira. Nesse momento eu falei: "Po, não vi nem sombra da Hazoret desde ontem, bem que ela podia aparecer agora né?". Como Magic é um jogo muito injusto justo, claro que ela estava la no topo. Ele não achou resposta na volta e fomos para o G2.
 
Side In: +3 Portador da Gloria, +2 Pia Nalaar (opção para voltar depois de uma eventual Hora da Devastacao), +1 Dunes of the Dead, +1 Chandra, Chama da Rebeldia

Side Out: -3 Choque, -2 Abrasao, -2 Lightning Strike
 
G2: Muliguei e abri com uma mão bem lenta, mas adivinhem só? Bomat! Porém, pude bater apenas uma vez com ele, já que ele voltou de Gifted Aetherborn no turno 2 e outro no turno 3. Não achei nada muito relevante, enquanto ele enchia a mão com Glimmer of Genius e os Aetherborns seguravam o jogo. Fomos para o G3.
 
 
G3: Parece mentira, mas de novo o Bomat estava lá. Agora com uma mão bem mais agressiva, com Kari-Zev no 2 e Pia Nalaar no 3. Ele apanhou muito no começo e uma hora abriu brecha para eu resolver uma Chandra, Chama da Rebeldia. Sem muitas opções, voltou de O Deus Escaravelho, enquanto que nesse momento eu já tinha um Portador da Gloria e uma Hazoret, a Fervorosa. Meu plano era resolver a Hazoret primeiro, pois assim era mais garantido que o dragão finalizasse enquanto ele se virava para lidar com ela. Mas eis que encontro um Ahn-Crop Crasher na Chandra e resolvo mudar meu plano.
 
 
Faço ele, impeço O Deus Escaravelho de bloquear e vou minando cada vez mais os seus pontos de vida. Ele bate na Chandra para não morrer para o ultimate, e acha alguns removals que me jogam um pouco para trás. Chega um momento que ele consegue remover minha Chandra, mas ainda tem que lidar com dois bichos na volta. Jogo um Lightning Strike na cara dele, deixando a 1 de vida, enquanto tinha uma Ramunap ativa na mesa. Fiquei com medo de ele ter uma Desprezo de Vraska na mão, então fiz meu Portador da Gloria, pois mesmo que voltasse a Pia Nalaar pro jogo, ainda passava uma das criaturas para dano letal. Sem opções, ele concede.
 
E foi assim que ganhei novamente a vaga para a final do Circuito Ligamagic: voltando às origens. Ramunap Red é um dos melhores decks do ambiente, batendo de frente com o Temur e fico muito feliz que minha mudança drástica tenha trazido resultado. Agora é esperar para ver o que Rivals of Ixalan pode trazer de bom para o deck e me preparar ainda mais para fazer bonito em Fevereiro. Espero que tenham gostado e até semana que vem!
 
 

Lucas de Almeida Hervás ( Giggs)
Lucas de Almeida Hervás, mais conhecido como "Giggs", começou a jogar Magic em 2007 no final do bloco de Décima Edição. Participa regularmente de PPTQs na sua região e até beliscou um TOP4 no WMCQ São Paulo de 2013. Hoje faz parte do time de escritores da Ligamagic.
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Comentários

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persaud (04/12/2017 22:35:33)

Muito obrigado

Giggs (04/12/2017 09:21:32)

Contra temur eu faria mais ou menos assim:

Side in (play)

1 Chandra, Torch of Defiance
3 Glorybringer
1 Dunes of the Dead
1 Abrade

Side out

3 Ahn-Crop Crasher
3 Shock


Side in (draw)

3 Glorybringer
2 Aethersphere Harvester
2 Sand Strangler
1 Abrade
1 Dunes of the Dead


Side out (draw)

3 Ahn-Crop Crasher
2 Hazoret, the Fervent
2 Chandra, Torch of Defiance
2 Kari Zev, Skyship Raider


No play você mantém a agressividade, por isso deixa as 4 Hazorets e sobe mais uma Chandra para tentar vomitar a mão e dominar a mesa no turno 4.

No draw, as Hazorets perdem um pouco de valor, assim como as Chandras e as Kari Zevs e você precisa jogar mais aberto com mais removals e do Sand Strangler lidando com os drop 3 ou até um eventual Cub. As Aethesphere Harvesters são boas para fazer gastar 5 de energia, evitando possíveis swarms de topteros ou te dando uma chance de matar a Hidra no momento certo, assim como atacar por cima, caso ele tenha gasto as energias de outra forma.

persaud (02/12/2017 02:05:29)

Como seria o side contra um temur?

Giggs (01/12/2017 11:06:43)

Valeu man, abração!

Giggs (01/12/2017 11:06:27)



Palmas pra você, compra muito hahaha. Valeu man!

XCyrusX (30/11/2017 21:52:35)

Parabéns lucas... pela vitória e pelo post... vlw! !!

rbv1994 (30/11/2017 21:29:24)

Compra muito esse Gigante kkkk
Fiquei triste com minha brede participação nesse post Gigs =(
hahaha
Parabéns cara e espero um jogo melhor na próxima temporada.

Giggs (30/11/2017 19:45:28)

Valeu man, foram bons jogos mesmo. Até a final!

VIP OURO Ganon (30/11/2017 16:12:31)

Foi um belo jogo, jogo jogado é bom, jogo zicado é triste, parabéns novamente giga, da próxima eu levo =)