O Submundo do Modern - RUG Evolution
10/01/2018 10:00 / 6,221 visualizações / 8 comentários

 

Feliz ano novo, galera! Já faz mais de uma semana que é 2018, mas é a primeira vez que estou lhes escrevendo nesse ano, então ainda é válido! Espero que todos tenham aproveitado bem as festas e que 2018 seja um ano repleto de bons spoilers, ótimos boosters e muitos torneios! Ah, e é claro, muitos decks bizarros para o nosso querido Submundo do Modern!
 
Já que um monte de gente adota a política do "novo ano, novo eu", planejando e começando um monte de projetos agora em Janeiro (as academias lotadas nesse mês são provas disso), o que acham de entrar de vez nesse lindo formato Modern? "Ah, mas é tão caro pra mim esse formato...", sim, realmente é, porém, não precisamos começar com o deck top da balada e nem querer começar ganhando vaga pra algum PTQ logo de cara. Podemos muito bem começar na humildade, na maciota, por baixo... Pelo submundo.
 
Quando comecei a abordar o formato aqui na Ligamagic, lá em 2015, fiz um especial composto de quatro textos sobre decks baratos e um deles acabou sendo o Mono Green Aggro. No final do mês passado, meu camarada Marcelo apareceu falando que "tinha o próximo deck para a coluna", me mostrando a lista a seguir, pilotada pelo usuário Beast_with_2_backs numa liga do Magic Online, que é praticamente uma evolução daquele Mono Green (piada pronta), porém, sem fugir quase nada do orçamento anterior... De certa maneira, como vocês verão à seguir:

 

Temur Evolve - Modern
2018-01-05

Jogador

Teddy_Bear_X

Visitas

6462

Código Fórum

[deck=771789]

 

"Po***, Teddy! O valor mínimo da lista é de 1,1k, como assim é barato!?"
 
A única coisa que encarece esse deck, como qualquer outro no formato, é sua base de mana. Tirando os terrenos que temos aqui, o deck todo sai na média de R$200,00 e isso tá MUITO barato para o Modern. Claro que o deck jamais terá o mesmo poder se usarmos apenas terrenos básicos, porém, é muito mais fácil a gente começar a jogar com ele com terrenos básicos e todas as outras cartas do que o inverso, ou seja, estamos avaliando uma opção de realmente começar por baixo, como eu citei agora há pouco.
 
Isso é claro se você não tem nada Modern, ou até mesmo nada de Magic, para começar a jogar. Caso seja um jogador do Standard, pode até acontecer de ter um ou outro Botanical Sanctum, ou até mesmo uma ou outra fetchland, se for jogador de Commander ou Legacy e, com certeza, alguma shock land se já estiver com um pezinho aqui no Modern. De qualquer maneira, se quiser mesmo começar, vá com calma atrás das coisas, jogando com o deck com a base de mana que você tem enquanto melhora ela. De uma coisa você pode ter certeza: esses terrenos jamais ficarão encalhados na sua pasta ou te trarão prejuízo a longo prazo, ao contrário do que pode acontecer com várias cartas no formato e que não se encontram na nossa lista principal.
 
Podemos falar sobre o deck em si agora?
 
Não sei se chegaram a clicar no link ali em cima que leva até o Mono Green Aggro que citei e, se já haviam lido ele, duvido que se lembrem da lista também, mas fiquem tranquilos que aqui vai uma recapitulação: o deck contava com uma quantidade bem grande de criaturas rápidas que geravam valor de várias maneiras diferentes, fosse essas maneiras um tipo de 2x1, ou o aproveitamento de nossa base de mana monocolorida. Como não temos mais essa base de mana, então o que se manteve foram alguns exemplos desses pseudos 2x1.
 
Apesar da lista ser bem simples, ela tem até que um grande número de interações que pode fazer com que nossa mesa, em poucos turnos, e logo no começo do jogo, se torne grande e incontrolável para nosso oponente, dependendo do que ele escolheu pilotar.
 
Sobre esses 2x1 que citei, as principais cartas que carregam esse conceito são as criaturas que temos com undying, já que elas podem muito bem morrer em combate ou ser alvo de algumas remoções e ainda assim "continuam" no campo de batalha e, melhor ainda, mais fortes do que anteriormente. Young Wolf e Strangleroot Geist são os representantes que temos dessa habilidade aqui, mas a teoria do 2x1 com elas ainda vai longe. Como o próprio nome do deck sugere, também contamos com outra habilidade muito importante para ele, presentes nas criaturas Experiment One e Cloudfin Raptor: Evolve.
 

 
A conta aqui é fácil, basta conjurarmos um Cloudfin Raptor no primeiro turno, uma dessas duas criaturas no segundo turno (evoluindo o Raptor) e partir para o combate, bloqueando ou atacando, fazendo a criatura com undying retornar e evoluir nosso Raptor novamente. Podemos ficar, só aí, com um Cloudfin Raptor 2/3 e um Strangleroot Geist 3/2. Isso em um exemplo bem básico e sem levar em consideração ainda as outras criaturas que caem no campo de batalha em nosso terceiro turno.
 
Imaginem então uma abertura perfeita com o deck, onde começamos com esse mesmo Cloudfin Raptor, conjuramos um Young Wolf no segundo turno e, no fim do turno do oponente, usamos um Pongify em nosso lobo, fazendo com que ele morra e retorne mais forte para o campo de batalha, ganhando de quebra uma ficha 3/3. Nesse processo todo, ainda conseguimos evoluir nosso Cloudfin Raptor 3/4, ficando com 8 pontos de poder total, divididos entre 3 criaturas, já no segundo turno de nosso jogo.

 


Nesse exemplo, que é muito comum, já que pode acontecer também substituindo o Cloudfin Raptor por um Experiment One, e/ou Pongify por Rapid Hybridization, temos apenas de ter cuidado com a organização da pilha. Quando destruímos nossa criatura com undying, a ficha é criada antes da habilidade de undying resolver, desencadeando também a habilidade de evolve da criatura em questão, ficando nesse momento temos então duas habilidades na pilha. O que temos de fazer é escolher que a habilidade da nossa criatura com undying resolva antes da evolve causada pela ficha 3/3, com isso nosso Young Wolf volta para o campo de batalha 2/2, desencadeando uma nova habilidade de evolve em nossa criatura, que ficará com 2 pontos de poder e, logo em seguida, evoluirá novamente pela habilidade que foi desencadeada pela criação da ficha 3/3, podendo evoluir tranquilamente de novo e ficar com 3 pontos de poder. Deu pra entender?
 
De qualquer maneira, essa é uma situação que pode acontecer praticamente no começo da maioria das nossas partidas, já que temos 8 criaturas de uma mana com evolve, 8 cartas que destroem uma criatura e garante uma ficha 3/3 para seu controlador e 4 Young Wolf, que é a única coisa que diminui as chances de isso acontecer ainda mais, o que chegaria à beira de algo injusto. Ainda assim, temos outras combinações que conseguem nos oferecer também uma boa quantidade de poder no segundo turno.
 
Um Experiment One, seguido de duas cópias de Narnam Renegade (pelo menos um deles com Revolta) , pode se tornar também 3/3 no segundo turno, graças à resistência alta do Renegade e nos garantir 7 pontos de poder (ambos os Narnam com Revolta). Um Cloudfin Raptor, seguido de um Experiment One e um Narnam Renegade, pode se tornar 2/3 e nos dar 6 pontos de poder, também no segundo turno. O melhor disso é que esses pontos de poder são divididos entre 3 criaturas e todas elas ameaçam o oponente de alguma maneira, ou podendo se tornar maiores ainda ou então se tornando um problema em combate, como o deathtouch no Renegade.
 
Decks que dependem de combate com criaturas pequenas são bem prejudicados aqui, já que nossa velocidade é bem alta e nossas criaturas provavelmente serão maiores nesse início de jogo, enquanto listas de controle ou combo, que demoram a interagir com seus oponentes ou então só conseguem cuidar de uma coisa por turno, pelo menos nesses primeiros turnos da partida, também ficarão bem acuados e terão sérios problemas para se reestabelecer no campo de batalha, ainda mais com Experiment One podendo se regenerar e esse tanto de criatura com undying voltando para o jogo.
 
Viram então o quão forte e presente esse conceito de 2x1 se torna nessa lista? Mesmo que não tenhamos de fato uma vantagem de cartas, ainda temos uma vantagem de efeitos que fazem com que esse conceito seja mais ou menos aplicado durante todo nosso jogo e estratégia.
 

 
Por fim, ainda temos Avatar of the Resolute, uma criatura que não possuí nenhuma dessas habilidades, mas pode entrar gigantesca no campo de batalha graças à essa enorme quantidade de marcadores +1/+1 que temos em nossas criaturas. Naquele exemplo absurdo que dei, onde ficamos com 8 pontos de poder no campo de batalha, um Avata entraria com 2 marcadores, sendo uma criatura 5/4, já no exemplo com as duas cópias de Narnam Renegade, com Revolta, teríamos um Avatar 6/5! Na pior das hipóteses, num deck agressivo como o nosso, um 3/2 com alcance e atropelar já está de bom tamanho.
 
Aproveitando a deixa de ter comentado sobre atropelar, como confiamos numa estratégia muito rápida, é comum que o gás acabe e o oponente fique com poucos pontos de vida quando começa a se estabilizar no campo de batalha, então cabe a nós, com nossas remoções instantâneas e essa habilidade, alcançar esses pontos de vida finais. No caso de o oponente bloquear nosso Avatar, talvez até a ponto de conseguir parar todo o seu dano, basta removermos a criatura que a está bloqueando depois dela ter sido declarada como bloqueadora, pois ele possuí atropelar e todo o dano que não foi causado em seu bloqueador (que não existe mais), é causado no oponente.
 
Apesar das cópias de Pongify e Rapid Hybridization estarem aqui para serem usadas em nossas criaturas, elas ainda são remoções e podem muito bem servir sim para acabar com algo problemático do outro lado do campo de batalha. Para ajudar ainda temos Lightning Bolt, como remoção, e Vapor Snag para remover um bloqueador de nossa frente temporariamente, perfeita também para ser usada em conjunto com Avatar of the Resolute, no exemplo dado acima.

 

 

Chart a Course é a carta mais nova que temos e uma das melhores mágicas de compra lançadas para estratégias agressivas recentemente, já que podemos tanto no começo da partida quanto num late game, garantir duas cartas sem perder nenhuma pelo custo de apenas duas manas. Se estivermos impossibilitados ainda de atacar, é muito fácil e comodo descartar um terreno de nossa mão para ir em busca de cartas melhores. Já Spell Pierce é aquela anulação certeira, acabando provavelmente com alguma remoção que o oponente tentará conjurar desesperadamente assim que tiver as manas para isso, ou achar que tem...
 
Como disse, é uma escolha barata para entrar no formato, mas obviamente quem já está dentro do Modern pode montar o deck com toda segurança, ainda mais se já possuir uma boa parte da base de mana, pois o mesmo parece estar se popularizando bem e pode te render umas boas vitórias pelo menos em FNMs. De uma coisa você pode ter certeza: pilotar esse deck, pra quem é fã de estratégias agressivas, é MUITO divertido.
 
É isso ai galera! Espero que tenham curtido o texto e não deixem de comentar o que acharam dele. Logo mais estarei de volta com mais um deck para vocês. Até mais!

 

 


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Comentários

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caiobos (05/02/2018 19:00:31)

Se fosse pra splashar eu iria pro preto pela snake. Desceu a snake no segundo turno, o experiment one já vai pra 3/3 e pode ser regenerado. Além de combinar com todas as demais cartas com marcador do deck.
Eu jogo o monogreen e já montei esse splash pra azul, mas não tinha a base de mana. Minha ideia inicial:

GU Simic Aggro - Modern
2017-02-01  
Jogador

caiobos
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713
Código Fórum

[deck=510324]


Uma outra ideia de splash do monogreen eh pra branco, tentando conciliar agressividade com midrange. A diferença dessa build está no Eldritch Evolution, permitindo sacrificar Strangleroot Geist ou Voice of Resurgence para colocar em campo Wilt-Leaf Liege ou qualquer outra carta que possa atrapalhar seu adversário. É um death and taxes mais aggro e q tem grande poder na mesa.
GW Aggro - Modern
2018-02-05  
Jogador

caiobos
Visitas

405
Código Fórum

[deck=800255]

Henrique7_caio (18/01/2018 09:58:59)

Deck em ação

https://www.channelfireball.com/videos/channel-pardee-time-modern-blue-green-evolve/

Bem honesto !

ThorNeira (13/01/2018 19:37:47)

Splashar pra vermelho só pelo Raio? Eu apenas colocaria 4x Psionic Blast e pronto! O custo é mais alto, mas a ideia é usar no late game, né?

Cutinho (12/01/2018 11:25:00)

Bom... Só vai casar bem com o Avatar e certamente você vai tirar um outro card com bastante sinergia no deck.

Juan_Cruz_ (12/01/2018 01:12:45)

Será que uns 2 Tezzeret's Gambit valem o teste?

Rubens420 (10/01/2018 11:19:58)

mesmo já sendo budget, se não fosse pela base de mana, esse deck seria um dos mais baratos do Moderno

tattoowalker (10/01/2018 11:03:20)

Acho muito bom sondar essas extrategias mais budgets, e pensar q o poderoso death shadow ficou tanto tempo no limbo sem que ninguem se ligasse q era uma makina na build certa

LeoSperandio (10/01/2018 10:18:36)

Joguei MUITO com esse deck no T2 de Ravnica. É realmente muito divertido. Não tinha visto ainda com esse splash pro red (eu jogava ou UG puro ou UGb pro Duskmantle Seer).
Preciso ver agora se o red supre uma falha que eu sentia, pois via um começo muito forte seguido de um mid já bem fraco. No modern tentei suprir com Yasova (crescer pra 4 de poder, roubar bicho e sacrificar) e devo dizer que curti demais!
Vou fazer os testes nessa versão nova!
Muito bom artigo como sempre Teddy