Sideboard - Metagame e Metacall
31/01/2018 15:00 / 2,923 visualizações / 3 comentários

 

Falei sobre o básico da teoria do side e como aplicar o plano do jogo em suas 15 cartas, hoje, na terceira e última parte, falarei sobre algo importantíssimo ao montar seu sideboard, o metagame.

 

Metagame é o ambiente que vamos enfrentar, ele que define se usarei mais hates para cemitério ou para artefatos, se terei mais cartas para a mirror, ou se me preocupo mais com os anti decks. E para entender metagame considero importante entender movimentos micro e movimentos macro.

 

Eu entro no FNM, têm 10 jogadores e sei o deck de todo mundo, vou ao PPTQ, tem 15 jogadores, tenho uma ideia de quais os decks, vou ao RPTQ e tem 80 jogadores, não sei o deck de nenhum, mas sei qual deck é popular, vou ao Grand Prix, são dois mil jogadores.

 

Torneios diferentes, números diferentes e formas diferentes de encarar o meta, isso porque, encarar o metagame da mesma maneira em cada um desses movimento é um erro, simplesmente porque terão dados que não terei em todos eles, e minha equação ficará incompleta.

 

Movimentos Macro

 

Independente do formato, temos sempre grandes movimentos do Metagame, os decks que todos sabem que são os mais fortes, eles mudam de forma mais lenta, mas sempre mudam. Esse movimento costuma ser fácil de acompanhar, GPs e Pro Tours ditam tendências e elas são seguidas em torneios menores, no caso de GPs, um dita o movimento do metagame para o próximo, o quão instavel está o meta é o que dirá o quanto ele muda a cada grande evento.

 

 

Quando jogamos um evento como o CLM, são os movimentos macro que mais levamos em conta, por exemplo, eu sei que Grixis, RDW e BR Aggro são os decks mais jogados do T2, logo, vou me preparar para eles. Mas isso quer dizer que vou ignorar UB Control? Não, só que espero pegar mais dos três decks citados. Então tenho um grande movimento do metagame para os tiers, mas não ignoro outros que correm por fora, apenas espero mais dos tiers.

 

No caso dos formatos Eternals os Movimentos Macro tem um filtro a mais, eu sei que X e Y são os melhores decks, mas muitos jogadores tem seus decks de estimação e apenas vão preparar seu side para vencer X e Y (mesmo que a match up seja horrível), então teremos jogadores com X e Y, pelo movimento do metagame, mas ainda sim, também teremos muita gente com A, B e C.

 

Movimentos Micro e Metacall

 

A alegoria que uso para Movimentos Micro e Macro é de um grande objeto em movimento (macro) e um menor acompanhando (micro), mas esse objeto menor está sempre um passo a frente.  

 

Estar um passo a frente do ambiente exige um pouco mais de trabalho, não é apenas ver os resultados do último evento e seguir o movimento Macro, mas saber como os outros lerão essas informações, e qual passo dar para ficar, ao mesmo tempo, a frente dos que seguem o macro, mas não tão a frente que você será derrotado por aqueles que estão em um movimento mais antigo. Um exemplo, quando o RG Marvel surgiu, ele era um movimento Macro, ganhando dos midranges que dominaram a semana anterior, e o Micro eram os jogadores de Temur Marvel, que ainda vencia os midranges, mas também tinham Negar​, para segurar a versão RG. 

 

No Magic Online, pela abundância e velocidade de informação temos os movimentos Micro acontecendo o tempo todo. Em alguns dias o Macro acontece, mas o Micro está acontecendo o tempo todo, se em um dia determinado baralho fizer muito 5-0, no seguinte teremos diversas pessoas jogando com versões para vencer o mirror, já pensando em jogadores que estarão com os decks que fizeram 5-0.

 

O micro tem mais relação com o famoso metacall, as escolhas baseadas em um metagame, "terão tantos Burns que eu usarei Andarilho do Fogo Kor de maindeck".

 

 

Usando Micro e Macro

 

O que diferencia Micro e Macro é a quantidade de informação que você tem acesso, é muito mais fácil fazer um movimento micro do metagame em ambientes menores e conhecidos. E não precisa ter vergonha disso, se você sabe os 15 decks do ambiente, faça, no mínimo, seu side preparado para esses 15, não tem porque usar grave hate onde não exstem decks baseados em cemitério.

 

Para grandes eventos nem sempre é seguro tentar o metacall, depende de alguns fatores. Como eu disse lá no começo, em formatos Eternal é mais comum jogadores usarem seus decks de estimação, então não porque Grixis DS é o melhor deck que existem zero chances de eu enfrentar um Ad Nauseam, por exemplo. É mais fácil atacar o metagame de formatos menores e que tenham uma boa quantidade de eventos em sequência, caso de GPs Standard.

 

Para o CLM, minha dica seria focar no Macro, é um evento de começo de temporada e com uma grande quantidade de jogadores não-grinders, então eles não vão esperar a última semana do MOL para montar o deck, mas sim treinar por semanas com o mesmo baralho. 

 

 

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Então vamos lá:

 

 - Macro são grandes movimentos do metagame;

 - Micro está ligado ao metacall e aos movimentos de resposta do metagame, sempre tentando ficar um passo a frente;

 - Aplique o Micro em eventos menores, ou que você tenha muita informação;

 - Aplique Macro em grandes eventos.

 

 

 

Por mais básica que essa série tenha sido, procurei abordar conceitos importantes na montagem do sideboard, para que o(a) leitor(a) possa, a partir desses conceitos, montar o side pensando em seu próprio ambiente e não simplesmente copiando listas.

 

Até mais!

 

Ruda

 

 

 


Rudá Andrade dos Reis (VIP STAFF Ruda)
Aficionado por decks azuis agressivos, mas que não dispensa um bom Siege Rhino nas horas vagas, está no Magic desde 2003, em Flagelo. Em 2012 começou escrever sobre Magic e não parou mais, sendo que em 2015 se tornou Editor da Ligamagic.
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Comentários

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edubai (02/04/2018 13:44:00)

eu posso adicionar as 15 cartas do meu side no deck e jogar as partidas 2 e 3 com 75 cartas?

ysoeiroBR (01/02/2018 01:08:54)

Excelente Rudá!

Gostaria de ver ainda posts falando mais sobre o feeling de sidear. Exemplicar situações de side explicando os porques de um side in e side out tbm seria algo muito legal.

Abs.

HHHH (31/01/2018 20:56:02)

Excelente artigo, mais uma vez! Parabéns, Rudá.