Report Campeão do CLM Modern
09/02/2018 18:00 / 4,540 visualizações / 9 comentários
 
Olá! No artigo de hoje, vou contar a história do meu final de semana repleto de emoções, e que vou guardar para sempre na minha memória graças a todo o apoio, torcida e carinho dos amigos, leitores, colegas de "ramo" e todo o pessoal que acompanhou ou acompanha minha trajetória no grind do Magic. Pretendo falar menos da "parte técnica" do RG Valakut hoje, deixando para fazer um mini-primer mais para frente, e mais da minha experiência de tudo que aconteceu. Quem preferir pular essa parte, pode ver à partir de "O Deck", "O Torneio" ou "Conclusão", embora talvez perca um pouco de contexto. Considere o artigo de hoje uma resposta à pergunta "E aí Sandoiche, como foi a Final do CLM 10?".
 
A noite de domingo para segunda-feira foi uma das melhores noites de sono da minha vida. Dormi de alma lavada, apesar de todo o cansaço físico e mental, de ter sido exaurido até os limites do meu ser, eu dormi como um bebezinho ao chegar em Santos.
 
Na Retrospectiva que fiz sobre o ano passado, não tenho como reclamar que tive um ano ruim. Afinal, foi o primeiro ano que finalmente pude dizer que vivi de Magic. Fui relativamente bem em vários torneios, com Top 8s, 4s, e Finais em PPTQs, mas sem ganhar a vaga. Deu tudo certo nas classificatórias dos CLMs 9 e 10, e ganhei minhas vagas nas primeiras lojas em que joguei o Top 8, lockando as vagas T2 e Modern sem sustos para ambas, subindo minha contagem de "troféuzinhos CLM" para seis. Mas ainda assim, faltava alguma coisa. Meu desempenho em torneios mais importantes, como GPs, Nacional e a Grande Final do CLM não foram bons, apesar de eu sempre ter tentado me preparar ao máximo para eles.
 
O primeiro final de semana de Fevereiro mudou isso. Pela natureza da season de PPTQs, e com o fato do RPTQ ser de Trios, bastava que algum dos jogadores ganhasse a vaga para que ele "puxasse" mais dois. Com o "fantasma do vice" me assombrando faziam alguns meses, minha esperança era ou a Marcela Almeida ou o Bruno Calazans ganharem um PPTQ e carregassem a pesada mochila que é o Sandoiche.
 
Foi o que aconteceu quando a Marcela fez 9-0 de Mardu Veículos passando o carro em geral num dos PPTQs do CLM. Aquele grind que envolvia ir à cidades como Jaú ou Limeira somente para ir atrás da vaga acabaria pelos próximos finais de semana! Isso certamente era aliviante, talvez no máximo jogar um PPTQ ou outro que seja perto para fazer pontos para BYE 2 no GP, mas sem pressão. Para mim, ali meu final de semana de CLM já estava mais que ótimo.
 
-
Minha história nas edições passadas do CLM sempre envolveu "quase lá"s e desempenhos medianos. Cheguei muito perto do Top 8 em duas ocasiões, perdendo a win-and-in do Modern no CLM 8 de Ad Nauseam e do Standard no CLM 9 de Mardu Veículos.
 
Essa história de desempenho medianos e boas aberturas que terminaram fora do Top 8 parecia se repetir. Na Final Standard, escolhi jogar de BG Cobra, especialmente montado para pegar um field agressivo cheio de Red Decks, e com algumas escolhas "esquecidas" nesse T2 pós-ban que me pareciam bem-posicionadas, casos de Bristling Hydra no MD e Skysovereign, Consul Flagship no SB.
 
BG Cobra - Standard
2018-02-07

Jogador

sandoiche_13

Visitas

4573

Código Fórum

[deck=801892]
 
As coisas até tinham começado bem, abri 3-0 pegando match ups horríveis como U/B Scarab e Esper Approach. Minha quarta rodada foi na câmera contra Mardu Veículos, match que meu deck estava bem preparado para enfrentar. Mas nesse jogo o BG resolveu falhar, com um mulligan a 5 no G1 zicando de verde quando ele matou meu Rishkar, Peema Renegade, e com um flood tenebroso no G2, onde mesmo comprando com a Sifonadora Bracoluz não achei business e perdi para Parasita de Sucata e Bomat Courier me atacando lentamente.
 
A partir daí as coisas desandaram, perdi para Esper Tokens em três games próximos, e depois para Grixis Energy em dois games nada próximos. Além do UG Merfolks que ganhei na primeira rodada, minhas outras vitórias foram contra um segundo Esper Approach e segundo Grixis Energy. Fechei o dia com um pífio 5-3 em 28° lugar, enfrentando um total de 0 Mono Reds nas 8 rodadas. Apesar de ter sido uma escolha bem popular e ter sido minha aposta como "meta call", as coisas acabaram não indo bem para mim pegando 6 matchups ruins de 8, com direito ainda a perder uma das que era boa.
 

O primeiro dia foi extremamente cansativo, e logo ao final do suíço fui rapidamente para a casa do amigo Diego Cichello onde iria passar a noite, preparei uma janta rápida e liguei no coverage do CLM para acompanhar o Top 8 no conforto do sofá. Que estava tão confortável, que só acordei com o Cichello e o cachorro dele efetivamente chegando em casa, apesar das múltiplas tentativas de me ligar fosse por telefone, whatsapp ou facebook.
 
Nisso, a Final já tinha terminado, e pouco tempo depois nosso querido Rudá (editor da LigaMagic e responsável pela coverage do CLM) se juntaria a nós para vermos alguma coisa do primeiro dia do CLM e do segundo dia do Pro Tour. Bom, considerando que ele estava destruído, não preciso dizer que em pouco tempo ele estava roncando em níveis colossais enquanto eu e o Cichello brincávamos um pouco de Modern na mesa ao lado, matando as saudades dos velhos tempos de quando ele morava em Santos e ficávamos jogando 200 games seguidos num dia aleatório como terça-feira à noite na pura cracudice.
 
Ah sim, Modern. Que seria o formato da Grande Final do CLM poucas horas depois. O Diego montou o 4C Death Shadow que fez Top 8 no Pro Tour, lista sem branco, com algumas coisas diferentes, como Hostage Taker (que ele conseguiu a façanha de roubar minha Relic of Progenitus num dos games!). Além de um ou outro game muito pra lá ou muito pra cá (fosse ele com DS gigante e todos os descartes do mundo, além de Temur Battle Rage, ou fosse eu com ramp ramp TItã, ramps e Scapeshift), tivemos uma partida muito interessante que foi praticamente uma partida de Limitado, onde todo mundo fazia um monte de bicho nada a ver, ninguém tinha ataques muito bons, a mesa ficou cheia até que eventualmente um Tireless Tracker me deu vantagem o bastante pra levar o game.
 
O deck
 
RG Valakut - Modern
2018-02-02

Visitas

16190

Código Fórum

[deck=797242]
 
Desde o meu artigo "Na Vida do Grind - Saindo da Zona de Conforto", o Valakut tem sido meu plano A na hora que o bicho pega. Consegui pilotar o deck relativamente bem no começo mesmo sem ter uma carga de treino enorme, principalmente vendo o Calazans jogar, e ouvindo os intermináveis quase monólogos das histórias que ele conta (mas que no final se provam valiosos, como o momento no filme que o herói lembra de um conselho importante e resolve o clímax com aquela ajuda quando tudo parecia perdido). Para essa Final, eu já sabia que teria que recorrer novamente ao Valakut, já que o field atual está bem hostil para o velho Ad Nauseam desde que Humans e Lanterna consolidaram-se como Tiers. Fora a pedra no sapato chamada Grixis Death Shadow, e a ressurgência da versão 4C (que consegue ser uma match ainda pior que a Grixis pro Ad Nauseam, por ter um clock ainda mais rápida e a mesma quantidade, se não mais, de disruptions).
 
A lista acima que registrei no CLM 10 foi fruto dos últimos meses trabalhando no RG Valakut. Para mim, a melhor forma de correr atrás do prejuízo de deixar 6 anos de expertise em Ad Nauseam de lado para tentar algo novo, seria devorar esse algo novo, pesquisar todo o conteúdo possível dele, extrair ao máximo cada pontinha de informação que eu pudesse. BUSQUE CONHECIMENTO. GITGUD. O Modern, apesar de todo seu papo sobre variância, pareamentos, rolagem de dados, etc. é um formato que premia intimidade com seu próprio deck. Conhecê-lo de "cabo a rabo". Cultivar e regar a plantinha do amor todos os dias. Ou nesse caso, o Pináculo do amor.
 
E foi isso que fui fazendo desde Novembro, quando precisei jogar Modern nos Torneios Top 8 do CLM e seria suicídio jogar de Ad Nauseam com o pessoal montado para hatear baseado no chaveamento.
 
Convenhamos: o Ad Nauseam nunca fui um super baralho no Modern, no máximo, uma meta call boa para determinados torneios. Mas tendo jogado tanto com o baralho me dava uma vantagem grande para enfrentar situações adversas, e eu conseguia ganhar partidas jogando com o deck que eu jamais imaginaria conseguir caso ainda estivesse ali dando os primeiros passos com ele.
 
Nesse momento recorri ao Orelha ,vulgo Bruno Ramalho, que também colabora para a LigaMagic, e é uma das referências desse arquétipo aqui no país. Sábio é aquele que admite sua ignorância, e nessa premissa que fui pegando com ele uma lista boa para o meu chaveamento, e dicas importantes para a forma de abordar essas partidas. Afinal, eu não podia recorrer ao Calazans pra tal, já que ele tinha caído na minha chave nas duas lojas. Deu certo, cravei a vaga, e nos dois Top 8 eliminei o Calazans, num claro momento de o discípulo superou o mestre.
 
O passo seguinte foi passar a acompanhar outros pilotos que devotam seu tempo e esforço em um arquétipo só, e entrei num grupo de facebook gringo onde vários pilotos de Valakut discutem suas versões, escolhas de cartas, planos de sideboard, techs, mini-reports etc. E pude ter enfoques diversificados em cada um desses pontos, que me nortearam durante toda a preparação.
 
 
Com uma bagagem a mais principalmente nos porquês de cada escolha, comecei a trabalhar em minha própria versão, mas sempre mantendo não apenas o Orelha atualizado, como também o amigo (e modelo de camisetas) Leonardo Maeda que joga com o deck desde pouco antes do GP São Paulo ano passado. Lá o Maeda não apenas conseguiu seu primeiro pro point lifetime, mas também de uma forma esquisita o destino desse "Valakuteam/Scapeshift" tinha sido iniciado lá atrás já que eles se enfrentaram numa mirror na última rodada do Day 2.
 
Eu e o Leo passávamos boa parte do tempo discutindo techs, 1-ofs, planos de sideboard, treinando exaustivamente a mirror para ver onde era possível extrair uma mínima vantagem e quais planos funcionavam melhor, e atentos às listas que pipocavam aqui e ali na internet. Aqui foi uma preparação crucial, que me ajudou a levar uma match na Final do CLM que eu não teria conseguido sem essa experiência prévia, e que foi um jogo-chave na minha jornada (mais detalhes quando entrarmos no torneio de fato).
 
Durante o CLM, eu cheguei a falar ao vivo os motivos das escolhas menos convencionais no maindeck. Num field mais agressivo, com mais decks de bichos e midranges, o importante seria interagir no começo com remoções pontuais e criaturas que te compravam ao menos dois turnos a mais para compensar um "ramp perdido". Ao mesmo tempo, essas criaturas já deixam o deck "engatilhado" para jogar um jogo mais midrange que contorna hates da Valakut, como Runed Halo, Leyline of Sanctity e Blood Moon.
 
Também queria um número zero de draws mortos ao entrar na "top deck war". Relíquia cantripa, Sweltering Suns idem, Thragtusk e Pia e Kiran Nalaar te compram ao menos uma draw step a mais bloqueando/ganhando vida/removendo threats do cara. O Anger of the Gods foi uma concessão ao poder do Meddling Mage no Humans, diversificando o nome dos sweepers utilizados.
 
Ainda mantive um Prismatic Omen solitário para preservar o "aspecto goldfish" do deck em partidas como a Mirror e decks X, onde você não sabe bem o que fazer por não saber o que o cara pode fazer, e pode sempre combar no turno 4 de Scapeshift como um plano eficaz.
 
Sem Hora da Promessa, esse plano de goldfish ficava um pouco comprometido dependendo da match. Geralmente mirror, G/x Tron e matchups de pura race eram esses jogos. Por isso o side contra eles foi pesado, com 2 Beast Within e 2 Crumble to Dust. Para as partidas agressivas, porém, Hora da Promessa não funcionava: como nesses matches os oponentes costumam ser de meio a um turno completo mais rápidos que o Valakut, apenas rampar é um mau negócio. Isso faz com que o deck de qualquer forma tenha que "perder um turno" para interagir, do contrário, vai morrer antes de chegar no Scapeshift letal. Tendo que usar o turno dessa forma, o ramp a mais acaba não fazendo diferença, já que ao interagir você vai ter tempo de fazer os lands da mão e chegar na mana do Titã/Scape de qualquer maneira.
 
 
Os três Tireless Tracker estão lá nesses números por serem a melhor criatura do mundo quando o oponente está tentando te disruptear todos os turnos como plano do jogo dele. Seja atacando a base de mana com Blood Moon ou Spreading Seas, ou mesmo descartando tudo com Thoughtseize e Inquisition of Kozilek, o Tracker te mantém no jogo dando recursos e mais recursos para o Valakut trabalhar. Tendo acesso aos recursos para trabalhar, a redundância do baralho cuida do resto.
 
Para esse torneio eu me sentia preparado. Extremamente preparado. Cada escolha no maindeck e no sideboard fazia sentido, eu tinha uma justificativa na ponta da língua por trás de cada número e escolha feita nas 75. Sabia qual carta saiu para entrar qual, qual é a 76 ou 77 que mudaria de acordo com o meta. Meus "partners" de Valakut até discordavam de escolhas minhas, com o Maeda jogando LCQ e o Orelha jogando a Final com talvez 70, 71 iguais, mas não todas as 75.
 
Uma das poucas vezes que eu tinha me sentido assim, com tanta certeza sobre cada escolha e alternativa tinha sido, curiosamente, no PPTQ que ganhei em 2016 de R/W Veículos. Naquele evento, a preparação foi parecida. Jogava o formato novo com Kaladesh todos os dias na loja depois de sair do trabalho. Lapidei cada slot com carinho, até as escolhas que não eram muito comuns naquele deck na época, como trocar os Declaration in Stone do maindeck por Stasis Snare, pra ter mais remoção instantânea e que exilavam. Para satisfazer os mais supersticiosos, aquele tinha sido o primeiro PPTQ que joguei com a camiseta da House of Cards, minha fiel pólo vermelha. E a Final do CLM 10 foi o primeiro torneio que joguei com a camiseta nova da House of Cards. Coincidência? Tão e somente. Ou quem sabe não. Nem eu sei dizer!
 
O Torneio
 
Apesar de estar bem preparado para essa Final, confesso que entrei para jogar com baixas expectativas. O fato da Marcela ter ganho a vaga no outro dia fez com que minha cabeça estivesse muito mais tranquila, e só fui jogando as rodadas buscando aplicar tudo o que tinha aprendido nesse tempo de estudo do Valakut e em jogar o melhor Magic possível que eu pudesse trazer à mesa. Pensando bem, jogar "sem pressão" me ajudou bastante no decorrer das rodadas, então é possível que isso tenha sido um fator positivo, mesmo não parecendo pela forma de se dizer.
 
-
Na primeira rodada enfrentei uma match up complicada no papel, o R/W Prision, do Gabriel Prado. Ele levou o primeiro game de forma rápida, com Blood Moon seguida de Nahiri, the Harbinger para Emrakul, the Aeons Torn, e eu só olhando para meus sete terrenos e Scapeshift na mão. De última hora acabei cortando o Reclamation Sage do maindeck esperando um meta com mais decks agressivos onde ele não fizesse tanta diferença, e minha primeira partida é contra um oponente em que se tivesse como pegá-lo ainda no G1, teria chances.
 
Mas os próximos games fluem de forma mais tranquila, meu deck faz o plano de rampar, e mesmo com ele encaixando Blood Moon e Ensnaring Bridge, Beast Within resolve a Lua e mato de Scapeshift nos G2 e G3. O fato desse deck não ter um clock rápido depois que trava o oponente dá tempo para achar uma resposta e escapar do lock, e foi exatamente o que aconteceu nessas partidas.
 
-
Na segunda rodada enfrentei o Ricardo, de Grixis Death Shadow. A clássica match pesadelo, caso eu estivesse de Ad Nauseam, mas uma que tenho muita confiança de enfrentar estando de Valakut. Esse deve ter sido facilmente o deck que eu mais joguei contra em 2017, entre IRL e MTGO. No primeiro jogo, ele abre forte com dois Thoughtseize tirando dois Titãs meus, e com um Death's Shadow rápido para clockar. Consigo estabilizar com algumas criaturas com ele a 8 de vida, e tenho um Pia e Kiran Nalaar, com seus tópteros, podendo atacar para letal caso tudo conectasse. Aqui foi onde cometi um erro que acabou me custando a match. Apesar de não ter nenhum business acontecendo, o topo do RG é muito forte, e eu tinha boas chances de acabar achando mais Primeval Titan, Summoner's Pact ou Scapeshift para fechar a partida, desde que não morresse para o Death's Shadow grande dele.
Optei por atacar, ele matou um Thopter antes do dano, e outro depois. Ele caiu a 5 de vida. Pra ele ter baixado a vida dele dessa maneira de forma intencional, a única explicação seria para controlar a vida dele e me dar um Temur Battle Rage gigante - e foi exatamente o que aconteceu. Comprando uma fetch para shockland, o Ricardo caiu para 2 de vida, e eu não tinha mais artefatos pra disparar na cabeça dele. Ele virou pra direita, encaixou o TBR e eu morri.
 
 
Nosso segundo jogo ele veio forte, combinando disruption pesada com vários Death's Shadow. Ele passou com várias cartas na mão com letal na volta, eu com 0 na mão, mas terrenos suficientes para matar caso comprasse algum business. Encontrei Scapeshift, e pra minha surpresa ele não tinha Stubborn Denial. O terceiro jogo ele novamente abriu forte, com Gurmag Angler cedo e descartando meu Primeval Titan. Eu achei alguns Obstinate Baloth para ganhar tempo, tentei ao máximo jogar em volta de Temur Battle Rage (que ele não tinha), até eventualmente trocar um deles com um Death's Shadow 6/6 no double block. Tinha vários terrenos na mesa, mas falhei em achar business relevante em tempo, e quando a mesa ficou vazia o Gurmag fechou o jogo com ele a pouca vida.
 
Essa foi uma partida dolorosa de perder, porque tentei espremer ao máximo que pude meus recursos em ambos G1 e G3, e ele com mãos muito fortes e disrupteando no momento certo me impediu de finalizar com alguma bomba antes de morrer. Caso tivesse achado algum Valakut "natural", também conseguiria ter dano suficiente graças aos terrenos achados mais pro late game, quando estava na guerra de top decks. Eu considero o Grixis DS uma partida favorável para o Valakut, já que ele perde muito tempo desenvolvendo o jogo dele com cantrips e interações inefetivas (Fatal Push, CKolaghan's Command), e mesmo os descartes não funcionam tão bem pela redundância do Valakut caso ele não clocke rápido demais com DS advindo de múltiplos Street Wraith ou Temur Battle Rage. Mas dessa vez não deu.
 
Ter perdido na segunda rodada me colocou contra a parede por todo o resto do campeonato. Quase duzentos jogadores e perdendo no começo, significa ter que passar para o Top 8 com X-1, dificilmente podendo dar ID, e em mais seis rodadas de Suíço eu não poderia mais perder. Com a baixa expectativa que eu entrei no evento, não esperava muita coisa mais, e cheguei até a brincar com o pessoal que já estava morto perdendo na segunda rodada. Afinal, já estava com a corda no pescoço e completamente contra a parede, qualquer deslize e meu campeonato acabaria ali.
 
-
Na terceira rodada veio o Counters Company do Ítalo. Eu mulliguei para uma mão de 2 ramps e terrenos, e meu scry era um Sweltering Suns que joguei pro fundo na tentativa de cavar mais rápido para as "big spells", já que eu estava na play. Quando ele abriu de mana Birds veio o arrependimento, e fui prontamente punido com ele me combando no turno 3 de Devoted Druid e Vizier of Remedies para Chord of Calling, e eu com Scapeshift letal na volta. Levei o G2 com um Titã rápido contra um jogo mais devagar da parte dele, e no G3 ele veio muito agressivo no beatdown, mas sem combo: Tidehollow Sculler, Rhonas, o Indomito, Walking Ballista, Vizier of Remedies e Renegade Rallier e eu sendo completamente aggrado. Consegui voltar pro jogo quando o Titã entrou com 4 triggers de Valakut, limpou toda a mesa e eu ainda passei com uma fetch land aberta de segurança, já que ele ainda tinha o Rhonas e eu tinha 3 de vida. Mesmo com o Ítalo fazendo Aven Mindcensor através de um Chord do topo, o Lightning Bolt que voltou ao matar o Tidehollow Sculler garantiu que eu teria letal naquele turno ao buscar com Titã.

-
Mas o meu verdadeiro "continue", e o momento que percebi que as coisas dariam muito certo para mim naquele dia foi na quarta rodada. Enfrentei o Leonardo numa Mirror de Valakut. Quando ele ganha no dado a primeira partida, e faz Prismatic Omen muito cedo, já começo a suspeitar que é uma lista focada totalmente pro Ramp, que leva vantagem boa na Mirror. Dito e feito quando ele faz Hour of Promise, só que não me matou por ter perdido o land drop do turno, e passa me dando chance de dar letal com um Scapeshift.
 
Caso eu tivesse, é claro. Tive que cavar com Explore, achei um Summoner's Pact, que puxaria um Titã (mas que não seria letal), e nem mana para tal eu tinha. Acabei fazendo Pacto para Thragtusk, assim eu não morreria caso ele tivesse somente uma forma de ativar os Valakuts, mas naturalmente ele tinha várias formas de triggar com Search for Tomorrow e Fetch Land à disposição.
 
No G2 tive uma decisão bem contra-intuitiva que fez toda a diferença na partida. Tinha dois Beast Within na mão no turno que era pra eu fazer o Primeval Titan na play, mas a Hour of Promise dele fez com que ele pudesse me matar na volta com Scapeshift, descendo o oitavo terreno. Opto então por tentar "roubar" o jogo, passando aberto e interagindo com os Beast Within caso ele tentasse finalizar com o Scapeshift. A jogada acaba funcionando, com ele sacrificando seis terrenos para buscar seis montanhas com mais dois Valakuts que ele já tinha, e eu interajo quebrando duas montanhas e tomando zero de dano. Na volta, faço meu Titã que fecha a partida quando ele não encontra resposta no turno seguinte. Como disse o Calazans: "na mirror, você fareja o Scapeshift do cara". Olha mais um conselho nada a ver do cabeçudo que dá certo!
 
No terceiro e decisivo game, o Leonardo estava com a faca, o queijo, o pão, a mortadela e o presunto na mão. Apesar de eu ter começado forte com uma mão cheia de ramps, não encontrei Scapeshift ou Titã, e uma mão normal dele tinha rampado para um Pacto Verde e Titã, buscando dois Valakut, the Molten Pinnacle com Prismatic Omen na mesa. Novamente Beast Within salva minha pele de morrer naquele turno quebrando o encantamento, mas no meu turno eu não tinha absolutamente nenhum business, somente mais terrenos e o único Lightning Bolt que não sideei porque não tinha mais o que por pra dentro.

Hora da morte: 4° rodada. Desfibrilador. Carregando... carregando... carregando...
 
Era isso, meu torneio estava acabado. Não tinha mais nenhuma chance de voltar para esse jogo, já que o ataque do Titã era letal. Ele provavelmente tinha um Scapeshift na mão de qualquer forma. Aquele papo de "farejar" o Scapeshift. Nesse momento pensei em conceder, mas percebi que ele não tinha separado o Pacto no cemitério, nem colocado dados em cima do deck ou algo assim. Como tivemos muitas interações entre o momento do Pacto até o meu turno, com Beast Within, prioridades passadas entre os triggers, imaginei que tinha uma chance dele não pagar o pacto na manutenção. Bem alta por sinal, já que meu turno foi bem "melancólico", por assim dizer. Desço um terreno e passo. Daqueles que fica claro que você está morto, não tem nada, e o cara te finalizar é uma mera formalidade. Ele desvira, compra a da vez.
 
Nesse momento meu torneio ganhou uma sobrevida, e eu senti que realmente era um final de semana que tudo daria certo, de uma forma ou de outra, mesmo quando estivesse super perdido e tivesse que agarrar aquele 0,001% de chances. Eu levanto a mão e aponto que ele não tinha pago o Pacto. Ele olha para a mesa, para o cemitério, para mim, e estende a mão.
 
Batimentos regularizando... oxigênio restabelecido... bem-vindo ao mundo dos vivos novamente!
 
2x1 para mim em uma partida que deveria ter sido 3x0 para o meu oponente, dadas às circunstâncias dos jogos. O Magic às vezes tem dessas coisas esquisitas, mas ao menos nessa hora senti que cada detalhe na preparação acabou sendo recompensado. Lembra lá atrás quando eu disse que joguei a mirror exaustivamente com o Maeda? Que hora inusitada para colher os frutos!
 
-
As rodadas seguintes seriam de um pouco menos de sufoco. Enfrentei, em sequência, o Grixis Death Shadow do Pedro (que apesar de ter dado uma combinação de keeps arriscados e flood, é um garoto de 15 anos com muito futuro no Magic, mandando benzaço nesse CLM 10 e que espero trombar novamente nos torneios por aí), o Counters Company do Alexandre (onde o Valakut funcionou como tinha que funcionar, com o Beast Within do sideboard brilhando novamente me impedindo de ser combado no G2) e o Affinity do César Kurohane (onde no primeiro game keepei sem verde, uma mão de 3 fontes red, Lightning Bolt, Sweltering Suns, 2x Ramps eu sabendo que ele estava de Affinity, perdi o land verde no segundo turno, mas no terceiro achei a tempo e consegui estabilizar a 3 de vida antes de virar o jogo com Prismatic Omen e Scapeshift). Os três matches levei por 2x0, o que me permitiu respirar um pouco depois do sufoco e da morte clínica com reanimação nas primeiras rodadas.
 
-
Nesse momento do campeonato, eu estava 6-1, com probabilidades de dar ID na última rodada para entrar dependendo de como estivessem os desempates. Só que pela enorme quantidade de pessoas no evento, isso não foi possível, e tive que jogar a win-and-in na câmera contra o Abzan do Wagner.
 
A match up é bem boa para o Valakut, isso é um fato. Mas nessa hora a lógica acabou ficando um pouco de lado. E o histórico de dois CLMs seguidos perdendo win-and-in? E a famigerada "maldição da stream", onde eu estava 1-3-1 em partidas jogadas na câmera do CLM? O deck que estava fluindo muito bem durante as rodadas anteriores poderia zicar, assim como tinha sido ontem no jogo do T2 contra o Mardu quando eu estava 3-0, e dali meu torneio foi ladeira abaixo.
 
Bem, mas o Zidane nunca tinha feito um gol de cabeça na vida antes da final da Copa de 98, e todos nós sabemos bem o que aconteceu. Minha lista estava preparada, eu sabia o que fazer com o deck e contra os outros decks, em outros momentos do torneio tomei boas decisões que maximizaram minhas chances de levar partidas, ou mesmo consegui roubar jogos que pareciam perdidos. Por quê teria de ser diferente só porque agora valia o Top 8 diretamente?
 
No primeiro jogo tomei um Thoughtseize que descartou um Scapeshift, onde concordando com a análise do Coverage, eu imagino que seria melhor ter descartado o Explore. Mas como o Wagner não tinha muito clock, talvez ele tenha pensado em me livrar da kill condition, já que não conseguiria me matar antes de eu juntar uma massa crítica de recursos que permitissem o combo.
 
O plano dele não funcionou, já que logo eu comprei um segundo Scapeshift. Aqui uma das linhas que me foi diretamente responsável por vencer a partida foi segurar o Anger of the Gods na mão, dessa forma, quando ele fez a Liliana of the Veil eu pude descartar e ficar com o Scapeshift guardado, e fazer com que qualquer draw de land, pacto, Sakura-Tribe Elder , Search for Tomorrow,Wood Elves, Farseek, Prismatic Omen ou suns/explore/relíquia->land fechassem o jogo. Acho outro Sakura e 1x0 para mim.
 
Já o segundo game foi muito mais "épico", por assim dizer, digno de uma partida valendo o Top 8. Keepei uma mão forte, com redundância em kill condition e ramps, boa contra descartes. O ponto fraco da mão era que tinha somente dois lands, um deles uma Valakut, the Molten Pinnacle, que me deixaria exposto pra clássica jogada de Fulminator Mage e Surgical Extraction (e que ele saberia caso abrisse com descarte no 1, o que aconteceu). Mas penso que a mão ainda era forte o suficiente e com todo o plano de bichões no sideboard, eu tinha boas chances de levar a partida mesmo se o pior acontecesse.

Quando ele perde o terceiro land drop, e opta por usar Path to Exile no próprio Tarmogoyf no passe, tenho certeza mais que absoluta que ele vai voltar com o "combinho". Ele faz Fulminator Mage, quebra meu Valakut na fase principal (para evitar eu chegar na mana do Titã só sacrificando a Sakura-Tribe Elder), e quando continua ponderando sobre a jogada seguinte, eu pergunto: "Surgical?" e ele se empolga e lança no meu terreno de imediato (o ideal seria usar na minha draw step, tanto para ganhar mais informação como pela chance de matar um draw step meu caso fosse um Valakut).
 
Acho uma land, e volto de Primeval Titan, que encontra um destino triste com o -2 da Liliana of the Veil. Busquei dois Contraforte Arborizado já pensando em voltar com o Tireless Tracker no turno seguinte, já projetando o jogo longo e com ele protegido de tomar outro -2 da Lili. Então faço Summoner's Pact para Tireless Tracker e uma pita, e estourando a pista encontro Scapeshift. Decido por me tapar para limpar o deck aumentando a qualidade dos meus draws restantes, e investigando para um total de oito pistas quando passei o turno.
 
O Wagner prontamente responde minha jogada com Maelstrom Pulse... no Tireless Tracker! Fiquei aliviado de manter as pistas em jogo, já que com elas continuei cavando por recursos para ir à frente na partida. Quase fui tomado pelos pensamentos de "droga, será que essa partida vai mesmo escapar?" quando numa sequência de alguns turnos seguidos dando draw em ramps inúteis, achei um Titã e no outro turno fiz ele protegido com Wood Elves contra o édito, mas ele conseguiu responder todos com Path to Exile mesmo comprando só uma por turno, e ia subindo a Liliana.
 
 
Acho um Baloth, mas para não perdê-lo de bobeira, vou segurando na mão. Sigo estourando as pistas restantes, e em dado momento achei um segundo Baloth, mais um Titã e mais um Tracker. Quando ele pondera bastante sua jogada, e opta por subir a Liliana, o segundo Baloth entra na mesa, eles voltam tirando a Lili no ataque, e passo com mais um Titã e um Tracker. A menos que ele tenha subido Damnation, desse ponto não tinha mais como eu perder, e estava lockado no Top 8! Depois de ter ganho a partida sem Valakuts no deck, tinha finalmente conseguido quebrar a maldição tanto da câmera, como da win-and-in.
 
-
Nesse meio tempo, peço ao juiz para poder descer na praça de alimentação e buscar um lanche, já que não tinha comido nada durante o evento, estava passando mal de fome, e a cantina não tinha mais nada ao final do dia. Encontrei o Calazans, que estava acompanhando a partida, e na praça de alimentação encontro o Orelha, para dar um abraço de boas notícias que eu tinha passado em segundo no suíço.
 
Volto correndo para poder começar o Top 8, sendo que eu era o que estava atrasando para ele de fato começar. Na correria, largo o lanche de qualquer jeito e faço fotos para os profiles do Top 8, sem sequer alguém me avisar do bigodinho sujo de molho! Que fase, valeu pelo aviso pessoal!! Hahahaha

Se eu pude experimentar algumas rodadas menos "turbulentas" durante os últimos jogos do suíço, nos games do Top 8 a coisa pegaria fogo. A partida das quartas-de-finais foi contra o João Rinaldo, de Boros Burn, e levo o G1 com uma mão all-in no plano ramps e Scapeshift por estar na play devido aos seedings (passando em 2°), sendo que ele teria me matado muito facilmente caso estivesse na draw. No segundo jogo não tive sequer chances, com o Eidolon of the Great Revel dele na 2 na play, tive que usar ramp e remoção no Eidolon e só o dano que tomei ali me deixou muito atrás. Ele deu uma floodada para aumentar a emoção e me dar alguma esperança de levar o jogo a 6 de vida, mas ao descer o Titã e tentar jogar para não morrer para somente uma Deflecting Palm no dano de combate (matando nos triggers de ataque), ele joga duas de uma vez nas Valakuts, onde eu não podia ficar esperando comprar bicho de ganhar vida sob o risco dele achar qualquer combinação de burns e me fritar.
 
O G3 foi a partida para novamente testar o coração. Ambos viemos muito fortes nesse jogo, eu com Search for Tomorrow para Witchbane Orb no 3, e ele com Monastery Swiftspear e Eidolon curvado. Ele volta de Orgia Destrutiva e Lightning Bolt, e me deixa a 5 de vida. Porém, sem me matar, volto com Wood Elves caindo a 3, e Scapeshift para 18 de dano fechando a conta, e deixando o João estático sem acreditar na sequência frenética de turnos que tivemos.
 
-
De volta à câmera, minha partida das semifinais foi contra o Revolt Zoo do José Carlos. Eu estava na play novamente, o que seria importantíssimo nessa partida que, pela explosividade, é até mais complicada que o Burn ou outros aggros do formato. Eu suspendo Search tomando só 1 da fetch, ele vem de Wild Nacatl. Exploro, faço o land drop adicional, e pondero várias jogadas, como Atarka's Command na vez dele ou Mutagenic Growth, decidindo por fim dar o Lightning Bolt no meu turno, evitando ele de pumpar o bicho e me dar mais dano. Ele realmente tem o Mutagenic, salva o Nacatl, e volta de Goblin Bushwhacker me deixando a 13.
 
 
Eu rampo novamente, e quando ele faz um Goblin Guide, já começo a fazer contas para ver se um Atarka's Command me mataria. "Ufa, é só 12", pensei. Mas nesse momento minha mão era só terrenos também, e considerando que eu iria cair a 1 de vida, um simples Primeval Titan não me serviria. Talvez nem um Thragtusk pudesse reverter esse estrago. Só que o Goblin Guide é um dos que adora dar spoiler para arruinar a emoção do sofrimento até o último momento: revelando um Scapeshift do topinho, respiro um pouco durante o turno dele, e consigo roubar esse G1 a 1 de vida quando ele passa.
O segundo jogo eu mulligo a 5 duas mãos com um terreno, e apesar de ter uma boa mão para a match, com Sakura-Tribe Elder, Obstinate Baloth e Sweltering Suns, não consigo acompanhar o ritmo com tão menos recursos, e ele finaliza o jogo na volta do Suns com múltiplos burns na cara antes de eu sequer conseguir fazer o Baloth.
 
No terceiro e fatídico game, ele abre de Narnam Renegade, e eu não tenho um ramp no segundo turno apesar de ter Lightning Bolt como interação. Como o clock desse bichinho era menor que o do Wild Nacatl, optei por passar aberto, e ver o que ele faria antes de usar a remoção, podendo até usar minha vida como recurso caso ele opte por jogar em volta de um global. Nesse momento o Zé foi bastante ganancioso, e acabou sendo punido: após meu "sem blocks", ele tenta Atarka's Command para +1/+1 Alcance e 3 de dano em mim, prontamente respondido com um Lightning Bolt. Ele não tem o Mutagenic Growthc, e perde uma quantidade importante de dano e o bicho no processo. Com mais calma, até levo alguns ataques quando ele volta de double Bushwacker, mas tenho tempo de fazer Sweltering Suns e Thragtusk para segurar a mesa e voltar a seguros 15 de vida, e depois meus Titãs fecharem a partida.
 
-
Ganhar a 1 de vida, mulligar a 5, achar um Thragtusk providencial para estabilizar - mais um jogo cheio de sufoco, e agora só tinha mais um pela frente. Seria o Marcelo meu oponente, um jogador da "velha guarda" do Magic que voltou para o competitivo faz pouco tempo, e estava passando o carro em todo mundo de BW Eldrazi and Taxes - ele não havia perdido nenhuma match no torneio inteiro, e passou em 1° no Suíço podendo escolher começar mesmo contra o meu bom 2° lugar.
 
Apesar da vantagem da play, ele não abre muito forte, e sem um clock rápido consigo executar sem muita intervenção o plano ramps e Scapeshift, levando o primeiro game de forma bem rápida até. Eu diria que para a build de Valakut em particular que eu tinha, a partida chega a ser levemente favorável, desde que ele não venha com aquelas mãos super fortes de Thalia, Guardian of Thraben, Arbitro Leonino e Ghost Quarter. Com o plano de bichões pós-sideboard, estava bem confiante nas minhas chances justamente por ter levado o G1 que eu estava na draw.
 
O G2 começa bem para mim, onde vou rampando e segurando a ofensiva dele com um Obstinate Baloth e Lightning Bolt em criaturas pontuais. Nesse momento, acredito que cometi um dos erros que poderia ter me custado a final - gastar Bolt sem necessidade real num dos bichos, que eu poderia ter jogado em volta. Com isso, acabei ficando preso num lock de Flickerwisp com Eldrazi Displacer, me impedindo de chegar nas manas do Titã por um tempo, e depois podia interferir tanto com meus ataques, bloqueadores ou triggers da Valakut. Quando parecia que meu jogo ia começar a engrenar, o Marcelo passou letal na conta com a ajuda da Shambling Vent contra meu Baloth e Tracker de blockers.
 
 
Se eu estava disposto a "roubar" partidas que não deveria e arrancar vitórias épicas, assim também parecia que estava o Marcelo. Nesse game, achei que estava muito bem no começo, depois a coisa ficou mais equilibrada, e quando achei que finalmente iria conseguir reganhar presença no game, ele levou no último momento! Para combinar com todo o sufoco passado no final de semana, nada mais justo que a final ir para uma melhor de três: quem ganhou foi o espetáculo, só aumentando toda aquela expectativa para o último game do torneio.
 
Nessa partida não vim particularmente rápido, já que só tinha um Search for Tomorrow de ramp, mas vim com um Lightning Bolt para interagir, e tinha como ir pagando as manas de um eventual Leonino por estar na play. A mão dele não vem muito rápida, e quando ele forra a mesa e faz um Tidehollow Sculler revelando Anger of the Gods, Pia e Kiran Nalaar, e Primeval Titan, eu com cinco terrenos na mesa, admito que gostei muito das minhas chances de levar o caneco naquela hora.
 
Ele tira o Anger, eu acho o sexto terreno, e o Titã resolve impune, limpando a mesa dele com os triggers. Com outro Titã na mão, ele só teria volta se fizesse algo como Thought-Knot SeerTidehollow Sculler e Path to Exile no Titã, que já estava na mesa, e ainda assim tendo que responder os Valakuts. Ele não faz nenhuma dessas opções, e quando o trigger da natureza chamando do Titã resolve, sei que é uma mera formalidade com a informação do outro Titã revelado!!!!

Inclusive, revendo a partida na Stream percebi que deixei de passar mais dano buscando 2 Valakuts com o primeiro Titã, e buscando a quinta e a sexta montanha ao mesmo tempo no trigger do ataque (seriam 18 de dano, ao invés de 12), mas na hora lembro de ter feito algum tipo de conta maluca para ficar com 7 montanhas no final ao invés de seis, e ter como triggar Valakut em cima de LD nas montanhas em resposta ao trigger. Cansaço naquela hora tava batendo em todo mundo, desde nós jogadores, até juízes e a equipe do Coverage. Bom que geralmente nesses casos, quando o Titã fica atacando não faz muita diferença no final das contas, e entra naquela coisa de usar energia para as decisões em momentos cruciais, e não se preocupar tanto se estou causando 12 ou 18 de dano se a mesa inteira do cara foi limpa e você vai matar na volta de qualquer forma.
 
Passo o turno, e depois de pensar por um tempo, cogitar suas opções, tocar nas manas, o Marcelo estende a mão! Depois de 11 rodadas jogando contra a parede o tempo inteiro, indo a 1 de vida vários jogos, achando Scapeshift no último momento possível em outros, LITERALMENTE morto na volta e com o jogo perdido logo na quarta rodada na Mirror Match (e não na terceira como acabei falando na entrevista de fechamento da coverage), finalmente eu pude comemorar: SOU O CAMPEÃO DO CLM 10 MODERN!
 

Conclusão
 
Eu já realizei todos os agradecimentos pessoalmente ou pelo Facebook, mas não custa nada reafirmar minha gratidão com as pessoas que me ajudaram nessa conquista. Bruno Orelha, Bruno Calazans e Leo Maeda, os melhores partners de Valakut. Carlinhos Gordo por todo o apoio acreditando no meu trabalho para representar sua loja, a House of Cards. Minha mulher Geni Souza por tudo, além de todo o pessoal que ela botou na torcida pela Twitch. Diego Cichello por um teto para dormir e excelente companhia sempre. Rudá por ouvir minhas choradeiras quando perco, e bancar o Mauro Beting como repórter-torcedor. Delicado e Pablo Lima pelos decks emprestados fechadinhos para as Finais CLM. Marcela por lockar cedo essa vaga no RPTQ e dar tranquilidade para o grind no restante da season. A galera que joga na House of Cards, e me ajuda sempre a treinar e discutir ideias em todos os formatos. Todo o pessoal que apoiou, torceu e mandou energias positivas, embora sejam muitos nomes, eu vi com mais calma e respondi na maneira do possível todos os posts, tweets e mensagens de vocês, e agradeço por tudo de coração.
 
Meu primeiro contato com o CLM foi na 2° Temporada. Eu não tinha vaga para jogar a Final, que era realizada somente no formato Standard. Acabei trabalhando na cobertura do evento junto com o grande amigo André Marcatti. Fizemos decklists dos principais decks, algumas entrevistas e coverage das partidas por escrito. O torneio em si devia ter algo como 70 jogadores. Eu lembro claramente do Thiago Casassanta sendo campeão jogando de Jund Monsters. Esse formato não faz TANTO tempo assim.
 
Adianta a fita pra 2018. Cerca de 600 jogadores entre Grande Final, PPTQs e demais paralelos. Equipe enorme de juízes e de coverage, com direito à comentaristas, live stream, mini-entrevistas, e muito mais. Para quem viu tudo isso crescer de muito perto, sempre acompanhou e torceu pelo Circuito e pelo Magic brasileiro, ser campeão do maior CLM já realizado até hoje é um sonho, uma honra, uma sensação indescritível de orgulho, realização, alegria e carinho.
 
Sabe-se lá o que estarei fazendo da minha vida daqui vários anos. Ou se o CLM vai continuar existindo. Até mesmo se o próprio Magic vai. Espero que sim, e que eu posso continuar envolvido com eles, e que as coisas continuem dando certo para mim como estão ultimamente. Posso ir muito bem nos meus próximos torneios, ou dropar horrivelmente em todos eles. Mas tem uma coisa que sempre vai estar comigo, não importa o que aconteça.
Sou o campeão do CLM 10 Modern!

Abraços e até a próxima!
 
 
 

Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
"Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Representando a House of Cards, está sempre na vida do grind dos torneios em SP, tendo sido campeão da Grande Final do CLM 10 Modern, a maior até então. Como entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015."
Redes Sociais: Facebook, Twitter
LigaMagic App

ARTIGOS RELACIONADOS

Por Dentro do BG Robots

A novidade para a semana de CLM e PPTQs.


Real Rogues! – Tem Fungo na Área!

Hora de Mofar!


Real Rogues! – U/R Magos, começou a bruxaria!

Fazendo magias no Standard.


A Escolha Perfeita

Metagame de Dominária, decks e updates.


UW Embalm no Standard

Os zumbis e o valor.





Comentários

Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.

Mortal (12/02/2018 17:04:55)

Aqui é Italo da Match 3, Era o segundo valkut que enfrentava uma match Horrivel pro meu deck, vc ganhou aquele jogo com uma mão horrivel 1 bolt e 1 pacto ... muito complicado, acabei ficando 5-3. Parabéns pelo top 8, espero proxima edição do clm para uma revanche!


VIP STAFF sandoiche_13 (11/02/2018 02:25:31)

Valeu mano!


Isso aí cara, com certeza, o futuro do Magic são vocês, e é muito legal ver um garoto novo mandando bem nos torneios "de gente grande"... digo isso porque no passado eu também era esse moleque que ia viajar muito novo pra jogar!! Eu tinha 16 anos quando ganhei a vaga no Nacional pela primeira vez.


Valeu! Pra um artigo modelo "report", deu bastante trabalho, mas também gostei muito do resultado final!


Valeu mano! Tamo junto!


Obrigado pelas palavras de carinho, fiquei muito feliz de você também ter se classificado para jogar a Final depois de anos tentando. Pra você ver como o nível do pessoalzinho de Santos é alto, foi só você começar a jogar em SP que a vaga veio fácil, a disputa aqui é alta no Modern! Rs E é isso aí, essa camiseta vermelha pesa, vamos honrá-la nos próximos grandes eventos!


Valeu!


Valeu mano! Na verdade, você foi a única match que eu perdi no Modern. Todas as outras venci, no Suíço e no Top 8. Quanto ao match GDS vs. RG, essa é uma das mais polarizadas em termos de opiniões, qualquer um dos lados que você perguntar acaba sendo tendencioso, mas vou tentar explicar meu ponto de vista. A mão imbatível do GDS ganha de qualquer deck, seja ele good match ou não. Essas não considero pra equação. (Múltiplos Seizes/Wraith e DS rápido, com Temur Battle Rage/Stubborn Denial). Se ele não vem com essa mão, eu considero o Valakut um grande favorito.

O Valakut tem muita redundância, o que torna difícil o plano de quebrar o jogo do oponente por parte do DS. Você dá o descarte, tem 2 ramps e 2 kills pra tirar, e acaba só incomodando um pouco. Se demorar para colocar o clock, ou colocar um Tasigur/Grumag, o Valakut tem muito tempo para fazer os bichos, sejam eles bichões verdes, ou mesmo começar a pingar com os Valakuts. Eu consigo ver o GDS tendo leve vantagem no pós-side se ele montar em cima disso (usando Flashfreeze ou Disdainful Stroke no SB), caso o Valakut esteja despreparado para a match (com poucos bichões verdes no pós-SB), ou caso ainda o Valakut esteja buildado pesado com várias Hour of Promise, que potencializam os Stubborn Denial do DS e tornam o Valakut uma presa fácil para o plano disrupt-tempo do GDS, tapando grandes quantidades de mana para jogadas que são simples de responder com um counter.

Comecei a jogar de Valakut no ano passado justamente pela partida favorável contra GDS, e de maneira geral meu retrospecto contra o deck é bem positivo (acho que você foi minha primeira derrota em match, embora só tenha jogado IRL, e não no MTGO). No GP passado, que o Grilo perdeu na final de Valakut, boa parte das matches que ele enfrentou durante o torneio foram o GDS e o Eldrazi Tron, e isso ajudou-o a postar bom resultado no Suíço. De qualquer forma, é meu ponto de vista e minha experiência, você com 40-7 a favor com certeza tem números e teoria, possivelmente com algum plano ou tech que ajude a distorcer a match dessa maneira.

N[a]meless (10/02/2018 22:50:08)

Vlw,man eu sou o Ricardo do DS da match 2,haha, parabens pelo titulo e mesmo eu fazendo 5-3 e abrindo 4-0 foi legal ter vencido do campeão. Você foi muito gente boa e tranquilo nos games obrigado por eles haha. Agora em questao da match ser boa para o valakut eu discordo,haha, jogo muito mol e meu record contra ele é 40-7. Vlw pelo game e abraços haha

HHHH (10/02/2018 12:26:47)

Parabéns pelo título!

Anderlima (10/02/2018 10:07:16)

Show meu amigo, vc mereceu, seu report mostra emoção a cada linha, mostra também que o Magic em sua essência é um JOGO, como qualquer jogo tem "coisas" que precisam ser seguidas, para obter o resultado esperado é preciso se preparar, para conseguir o resultado esperado é preciso de ajuda, para obter o resultado esperado é preciso, como em qualquer jogo, de uma pitada de sorte, mas é preciso certamente humildade, você conseguiu neste torneio TODAS essas características.

Fica aqui meu PARABÉNS e que venha mais.

Ps: Essa camiseta vermelha até que me caiu bem também hahaha Abraço.... que venha clm 11...

VIP OURO AdrianoTT (10/02/2018 00:43:00)

Parabens, Sandoiche! E obrigado pelas dicas de Pauper! :)

Juan_Cruz_ (09/02/2018 23:12:48)

Parabéns. Legal o report bem detalhado.

Rotom (09/02/2018 23:10:18)

Parabéns Matheus, Menino do grixis aki, acabei n conseguindo ficar até o final lá..., espero trombar com vc tbm em próximos torneios e CLMs, quem sabe até no gp ou no nacional esse ano

Stoneblade (09/02/2018 22:39:38)

Parabens Matheus mandou muito bem no CLM!