Viagens pelo Multiverso: Máscaras
27/02/2018 15:00 / 1,814 visualizações / 8 comentários

 

 
Saudações, Planeswalkers!
 
Muitos devem pensar que minha entrada na LigaMagic como trainee, em novembro de 2016, fosse o começo de minha história escrevendo por aqui. Entretanto, no início do ano citado, eu havia me aventurado a fazer uma série de textos de forma independente: munido daquele ânimo do ano novo, utilizei as possibilidades oferecidas pelo site para criar o “Blog dos Planeswalkers”. Postei seis textos no total (um de abertura mais duas séries), com a proposta “Viagens pelo Multiverso” – quem quiser conferir, segue o link.

Foi uma experiência muito legal, na qual eu estava postando semanalmente e conhecendo um pouco mais do jogo, com uma proposta original. Porém, o gás do novo ano acabou, de modo que deixei tal proposta para trás... Até agora! Com mais espaço para escrever, tenho que estar sempre pensando em novas maneiras de abordar o Magic e a color pie. E como nada se perde, nada se cria e tudo se transforma (inclusive, minhas palavras ao início e final de cada texto permanecem as mesmas, desde aquela época), lembrei da experiência e perguntei ao Rudá (editor da LigaMagic): que tal? Sinal verde dado, cá estamos novamente para mais Viagens pelo Multiverso!
 
Acredito que a proposta das Viagens está mais bem descrita no primeiro texto do blog citado; como estou fazendo uma retomada, vou explanar rapidamente sobre ela: fazer pesquisas de cards com determinado tema, para conhecermos melhor nosso amado jogo através de um olhar direcionado. Para fazer isso, gosto particularmente de usar o site magiccards.info – que possui uma quantidade razoável de filtros, mostra as imagens dos cards e realiza a pesquisa em várias línguas diferentes, o que pode ser considerado uma vantagem, neste caso. Tenho o costume de postar os links de pesquisa que eu fiz, com o filtro que utilizei, para que você possa conferir!
 
E para retomar nossas Viagens pelo Multiverso, nada melhor do que aproveitar o tema do momento:
 
CARNAVAL!
 
 
Esta festa verdadeiramente popular, que balança ou mesmo inverte as estruturas sociais; o momento no qual a festa é permanente, além de ser o tempo celebrar com tudo e com todos e os excessos são permitidos... Não está muito bem representada no nosso jogo de cartas favorito:
 
   
Davvol lamentando por seu aniversário ignorado e um cavalo pesadelo Rakdos: acho que não é bem o que sonhamos para o nosso carnaval, não é mesmo? (desculpe se for o seu caso).

Fugindo do tal “corcel festivo”, fui dar num canto bastante peculiar do plano de Ravnica, onde encontrei minha resposta:
 

MÁSCARAS!

Link de pesquisa - (Nota: deixei de fora o Capuz do Executor, pois não estava tão dentro da proposta. Quem sabe se um dia fizermos uma viagem atrás de capuzes...)
 
Fortemente associadas ao carnaval, as máscaras são objetos bonitos e interessantes – não à toa, temos duas expansões de Magic cujos símbolos são máscaras:
 

Máscaras de Mercádia, lançada em 1999, fez jus ao nome com uma máscara simples, feita para cobrir somente os olhos.
 
 
Apocalipse, coleção de 2001, traz a máscara de Yawgmoth como seu símbolo – a história conta justamente a morte deste que foi um dos maiores vilões do Magic.
 
Usadas desde a Antiguidade, as máscaras são objetos que servem a diversos propósitos: podem ser usadas como uma forma de proteção (seja do rosto, da identidade ou até de poderes sobrenaturais) ou para meter medo nas outras pessoas (por meio de sua forma e também por se tratar de um ser desconhecido); podem ser meros adereços festivos (como no carnaval), ter usos religiosos (como em diversas tribos, mas também seitas, ou ainda em ritos específicos) ou artísticos (o teatro é somente o mais consagrado – você sabia que o nariz do palhaço é a menor máscara que existe?); podem servir como identificação de um grupo (como a gangue do Coringa, no assalto ao banco da abertura do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”) ou simplesmente para ocultar a identidade de seu portador (super-heróis e vilões são bons exemplos).

Também no Magic as máscaras dão as caras, com diversas formas e efeitos. Bora conhecê-las? Sigam-me os bons!
 

Sendo objetos, as máscaras são mais comumente representadas como artefatos. Temos já em Alpha, a primeira coleção do Magic, a “máscara ilusória”, numa tradução livre. Ela traz um esboço do que viria a se tornar a mecânica Metamorfose – que tem justamente a capacidade de ocultar o card que ali está. Entretanto, até por ser ilusória, ela exige que a criatura em questão mantenha-se quieta – caso ela faça algo (virar, causar ou receber dano), se revelará.
 

Os bufões são personagens que se expressam plenamente e para os quais não existe tabu – portanto, não tem problema mexer no grimório do oponente, né? Coloque-a e aterrorize seus oponentes (essa cara sacana mete medo).
 
 
Conforme dito mais acima, uma das funções da máscara é proteger seu usuário – embora a Máscara de Ossos mais redirecione o mal do que o encerre de fato.
 
 
O uso das máscaras no teatro vem aprimorar a representação. Em algumas tribos, a busca vai ainda mais longe – transfiguração é a palavra-chave: você usa a máscara para tornar-se aquilo que ela é, incorporando os atributos de seu alvo. Um traço interessante da Mascara de Dragao é a questão da cena: o ator mascara-se e faz seu trabalho, mas quando tudo termina, é hora de sair de cena e voltar para a mão de seu dono.
 
 
Cor mais próxima dos artefatos, o Azul é a primeira a entrar na brincadeira com a Mascara do Mimico. Deve ter sido exatamente assim que ela conseguiu enganar os designers do Magic nos primeiros anos do jogo, consolidando-se como a cor mais forte e que poderia fazer de tudo.  Aliás, que efeito é este, não? E o custo? Instantânea? Pois é... Sendo a cor da ilusão, o Azul certamente aprecia usar máscaras para borrar as fronteiras entre o real e o ilusório.
 
 
Também o Branco não demorou a entrar na festa! Como seria de se esperar, esta cor utiliza a máscara como proteção. O destaque (?) fica por conta da arte do card – afinal, é um ser mascarado? O que é o quê? Só eu achei essa imagem confusa?
 
 
Como não poderia deixar de ser, Máscaras de Mercádia tinha que ter alguns destes objetos. A mecânica Manto bem que poderia se chamar Máscara, evocando o aspecto protecionista desta última.
 
 
Com tantas máscaras em Mercádia, alguém tinha de ser capaz de decifrá-las. Foi a deixa para o Preto aparecer. Como a cor capaz de ver a realidade através dos diversos véus, é bem interessante que ela tenha aparecido em nossa viagem não com uma máscara, e sim mostrando o processo de quebrá-la.
 
 
Na primeira máscara Verde, temos a ligação com o passado através da ancestralidade, captando a força para seu usuário.
 
 
Já viu alguma dessas por aí? Vivemos tempos de intolerância contra os mais diversos tipos de manifestações, então este modelo está na moda... A mecânica é muito feliz, pois pune a diversidade – embora permitir até três tipos de terreno básico não seja lá o maior exemplo de radicalismo contra a diferença.
 

Temos aqui uma máscara utilizada de uma forma diferente – o que importa é a funcionalidade. Convenhamos que vai ajudá-la, em termos de sociabilidade – mas afinal, será que a górgona se mascarou voluntária ou forçadamente?
 
 
“Esconda-me e seja meu ajudante, pois tal disfarce por acaso vai tomar a forma de meu propósito” – V de Vingança (filme), citando a peça “Noite de Reis”, de William Shakespeare.
 
 
Algumas histórias trazem a figura do cego sábio, que por não ser capaz de ver, pode enxergar melhor e mais longe do que os que dispõem de olhos. Isso inclui, como diz o flavor text do card, aproveitar as adversidades do momento. Quanto à máscara em si, digamos que ela tem um design... curioso.
 
 
Sendo o “Plano dos Artefatos”, temos em Mirrodin diversas opções para o carnaval, embora eu também não recomendaria este! Estudiosos poderiam se aproveitar melhor desse looting ampliado.
 
 
Algumas coisas são tão odiosas que despertam em quase qualquer um a vontade de lutar contra elas – esta máscara se enquadra na situação descrita. Então, se seu objetivo neste carnaval for arranjar uma boa briga, este modelo foi feito sob medida!
 
 
Este é o elo perdido entre a presente viagem e a última que fiz, na qual falei sobre os metamorfos. Estes seres podem ser considerados “máscaras ambulantes”, copiando perfeitamente a aparência de outras pessoas – nem sempre para a sorte destas, como mostra a imagem.
 

A imagem deste card é bacana por mostrar o momento que precede a união entre a máscara e seu portador. Uma vez colocada, ela transfigura o ser de acordo com seu propósito – neste caso, uma devoradora de pensamentos, que assim como o tempo, te pressiona a fazer agora, já que depois pode ser tarde demais (não se esqueçam disso quando estiverem titubeando antes de chegar em alguém, neste carnaval).
 
 
Claro que o tema do Preto ao se mascarar seria meter medo! É incrível como a máscara pode fazer alguém se apoderar. Deve ser a sensação de estar com a faca e o queijo na mão...
 
 
Esta é uma belíssima máscara ravnicana, ainda que se pareça mais com um elmo. Temos aqui um bom exemplo de como as máscaras podem servir como uma identificação, um distintivo. Não à toa: as características a ela associadas são muito úteis para soldados.
 
 
Visão do Futuro também nos legou uma máscara, vinda de algum futuro distante que ainda não chegou. Quanto à cor: Branco gosta de proteger. Branco é altruísta. Máscara serve para proteger. Por que não fazer uma para cada pessoa que se queira proteger? E curiosamente, temos aqui novamente um distintivo: nós, os mascarados, protegidos e unidos, combateremos aqueles que ousarem se opor aos nossos ideais!
 
 
Em Lorwyn, temos um grupo mascarado de elfos. “A beleza determina o que é valor, e nós determinamos o que é beleza” – seria uma seita de caça às outras raças, tipo uma Ku Klux Klan élfica? Este é mais um dos paradoxos que habita qualquer plano onde estejamos: a união separa.
 
 
Já em Alara, tive ocasião de me deparar com este belo modelo, que também não chega a se parecer completamente com uma máscara. Como mago Dimir, é minha escolha pessoal para fazer minhas incursões por aí.
 
 
“Ela esconde a face e protege a alma” - Não, não vou dizer mais nada.

--
E chegamos ao fim de nossa Viagem pelo Multiverso, em busca de máscaras para o carnaval que se aproxima. O que achou de nosso percurso? Teria alguma sugestão para uma próxima viagem? Sentiu falta de algo?
 
Pois deveria!
 
 
Somente o Vermelho não apareceu em nenhuma das cartas citadas anteriormente – e por uma razão muito simples: esta cor espontânea e sincera não usa máscaras. O Vermelho do card acima não está na máscara, mas na festa! Por isso, sem mais delongas: boas festas mascarados para todos! Aguardo vocês nos comentários! E...
 
Até a próxima viagem!
 
 
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Nathan de Sousa Malafaia ( Nihil)
Meu nome é Nathan, tenho 29 anos e moro em São José dos Campos. Comecei a jogar Magic em 2011. Nesta coluna, trataremos da color pie.
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Comentários

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Nihil (01/03/2018 01:23:50)

Obrigado! É bacana para observarmos um pouco o Magic por outros ângulos! :)

ZenifeB (28/02/2018 22:33:10)

Po, bem daora o texto cara, muito interessante mesmo. Gostei da maneira que você ligou as cartas com coisas reais e foi mostrando também os aspectos da color pie, textos assim mostram muito de como é dificil criar as cartas, parabéns amigo!

Nihil (28/02/2018 19:49:06)

Valeu! São objetos fascinantes e muito ricos culturalmente, né?

Quanto ao deck, nunca é tarde demais! :)

Nihil (28/02/2018 19:36:33)

Acredito que não, embora certamente compartilhe algumas características!

Nihil (28/02/2018 19:35:22)

Valeu!

MMAMetal (28/02/2018 02:22:11)

Pesquisa muito legal. Eu particularmente adoro máscaras e acho a arte de Imperial Mask linda.

Pena que nunca consegui usá-la em nenhum deck.

Tucobz (27/02/2018 17:47:19)

Será que o Véu não seria considerado uma máscara?

VIP OURO YudomaJack (27/02/2018 15:31:54)

Legal o Texto...