Viagens pelo Multiverso: Máscaras
27/02/2018 15:00 / 2,003 visualizações / 8 comentários

 

 
Saudações, Planeswalkers!
 
Muitos devem pensar que minha entrada na LigaMagic como trainee, em novembro de 2016, fosse o começo de minha história escrevendo por aqui. Entretanto, no início do ano citado, eu havia me aventurado a fazer uma série de textos de forma independente: munido daquele ânimo do ano novo, utilizei as possibilidades oferecidas pelo site para criar o “Blog dos Planeswalkers”. Postei seis textos no total (um de abertura mais duas séries), com a proposta “Viagens pelo Multiverso” – quem quiser conferir, segue o link.

Foi uma experiência muito legal, na qual eu estava postando semanalmente e conhecendo um pouco mais do jogo, com uma proposta original. Porém, o gás do novo ano acabou, de modo que deixei tal proposta para trás... Até agora! Com mais espaço para escrever, tenho que estar sempre pensando em novas maneiras de abordar o Magic e a color pie. E como nada se perde, nada se cria e tudo se transforma (inclusive, minhas palavras ao início e final de cada texto permanecem as mesmas, desde aquela época), lembrei da experiência e perguntei ao Rudá (editor da LigaMagic): que tal? Sinal verde dado, cá estamos novamente para mais Viagens pelo Multiverso!
 
Acredito que a proposta das Viagens está mais bem descrita no primeiro texto do blog citado; como estou fazendo uma retomada, vou explanar rapidamente sobre ela: fazer pesquisas de cards com determinado tema, para conhecermos melhor nosso amado jogo através de um olhar direcionado. Para fazer isso, gosto particularmente de usar o site magiccards.info – que possui uma quantidade razoável de filtros, mostra as imagens dos cards e realiza a pesquisa em várias línguas diferentes, o que pode ser considerado uma vantagem, neste caso. Tenho o costume de postar os links de pesquisa que eu fiz, com o filtro que utilizei, para que você possa conferir!
 
E para retomar nossas Viagens pelo Multiverso, nada melhor do que aproveitar o tema do momento:
 
CARNAVAL!
 
 
Esta festa verdadeiramente popular, que balança ou mesmo inverte as estruturas sociais; o momento no qual a festa é permanente, além de ser o tempo celebrar com tudo e com todos e os excessos são permitidos... Não está muito bem representada no nosso jogo de cartas favorito:
 
   
Davvol lamentando por seu aniversário ignorado e um cavalo pesadelo Rakdos: acho que não é bem o que sonhamos para o nosso carnaval, não é mesmo? (desculpe se for o seu caso).

Fugindo do tal “corcel festivo”, fui dar num canto bastante peculiar do plano de Ravnica, onde encontrei minha resposta:
 

MÁSCARAS!

Link de pesquisa - (Nota: deixei de fora o Capuz do Executor, pois não estava tão dentro da proposta. Quem sabe se um dia fizermos uma viagem atrás de capuzes...)
 
Fortemente associadas ao carnaval, as máscaras são objetos bonitos e interessantes – não à toa, temos duas expansões de Magic cujos símbolos são máscaras:
 

Máscaras de Mercádia, lançada em 1999, fez jus ao nome com uma máscara simples, feita para cobrir somente os olhos.
 
 
Apocalipse, coleção de 2001, traz a máscara de Yawgmoth como seu símbolo – a história conta justamente a morte deste que foi um dos maiores vilões do Magic.
 
Usadas desde a Antiguidade, as máscaras são objetos que servem a diversos propósitos: podem ser usadas como uma forma de proteção (seja do rosto, da identidade ou até de poderes sobrenaturais) ou para meter medo nas outras pessoas (por meio de sua forma e também por se tratar de um ser desconhecido); podem ser meros adereços festivos (como no carnaval), ter usos religiosos (como em diversas tribos, mas também seitas, ou ainda em ritos específicos) ou artísticos (o teatro é somente o mais consagrado – você sabia que o nariz do palhaço é a menor máscara que existe?); podem servir como identificação de um grupo (como a gangue do Coringa, no assalto ao banco da abertura do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”) ou simplesmente para ocultar a identidade de seu portador (super-heróis e vilões são bons exemplos).

Também no Magic as máscaras dão as caras, com diversas formas e efeitos. Bora conhecê-las? Sigam-me os bons!
 

Sendo objetos, as máscaras são mais comumente representadas como artefatos. Temos já em Alpha, a primeira coleção do Magic, a “máscara ilusória”, numa tradução livre. Ela traz um esboço do que viria a se tornar a mecânica Metamorfose – que tem justamente a capacidade de ocultar o card que ali está. Entretanto, até por ser ilusória, ela exige que a criatura em questão mantenha-se quieta – caso ela faça algo (virar, causar ou receber dano), se revelará.
 

Os bufões são personagens que se expressam plenamente e para os quais não existe tabu – portanto, não tem problema mexer no grimório do oponente, né? Coloque-a e aterrorize seus oponentes (essa cara sacana mete medo).
 
 
Conforme dito mais acima, uma das funções da máscara é proteger seu usuário – embora a Máscara de Ossos mais redirecione o mal do que o encerre de fato.
 
 
O uso das máscaras no teatro vem aprimorar a representação. Em algumas tribos, a busca vai ainda mais longe – transfiguração é a palavra-chave: você usa a máscara para tornar-se aquilo que ela é, incorporando os atributos de seu alvo. Um traço interessante da Mascara de Dragao é a questão da cena: o ator mascara-se e faz seu trabalho, mas quando tudo termina, é hora de sair de cena e voltar para a mão de seu dono.
 
 
Cor mais próxima dos artefatos, o Azul é a primeira a entrar na brincadeira com a Mascara do Mimico. Deve ter sido exatamente assim que ela conseguiu enganar os designers do Magic nos primeiros anos do jogo, consolidando-se como a cor mais forte e que poderia fazer de tudo.  Aliás, que efeito é este, não? E o custo? Instantânea? Pois é... Sendo a cor da ilusão, o Azul certamente aprecia usar máscaras para borrar as fronteiras entre o real e o ilusório.
 
 
Também o Branco não demorou a entrar na festa! Como seria de se esperar, esta cor utiliza a máscara como proteção. O destaque (?) fica por conta da arte do card – afinal, é um ser mascarado? O que é o quê? Só eu achei essa imagem confusa?
 
 
Como não poderia deixar de ser, Máscaras de Mercádia tinha que ter alguns destes objetos. A mecânica Manto bem que poderia se chamar Máscara, evocando o aspecto protecionista desta última.
 
 
Com tantas máscaras em Mercádia, alguém tinha de ser capaz de decifrá-las. Foi a deixa para o Preto aparecer. Como a cor capaz de ver a realidade através dos diversos véus, é bem interessante que ela tenha aparecido em nossa viagem não com uma máscara, e sim mostrando o processo de quebrá-la.
 
 
Na primeira máscara Verde, temos a ligação com o passado através da ancestralidade, captando a força para seu usuário.
 
 
Já viu alguma dessas por aí? Vivemos tempos de intolerância contra os mais diversos tipos de manifestações, então este modelo está na moda... A mecânica é muito feliz, pois pune a diversidade – embora permitir até três tipos de terreno básico não seja lá o maior exemplo de radicalismo contra a diferença.
 

Temos aqui uma máscara utilizada de uma forma diferente – o que importa é a funcionalidade. Convenhamos que vai ajudá-la, em termos de sociabilidade – mas afinal, será que a górgona se mascarou voluntária ou forçadamente?
 
 
“Esconda-me e seja meu ajudante, pois tal disfarce por acaso vai tomar a forma de meu propósito” – V de Vingança (filme), citando a peça “Noite de Reis”, de William Shakespeare.
 
 
Algumas histórias trazem a figura do cego sábio, que por não ser capaz de ver, pode enxergar melhor e mais longe do que os que dispõem de olhos. Isso inclui, como diz o flavor text do card, aproveitar as adversidades do momento. Quanto à máscara em si, digamos que ela tem um design... curioso.
 
 
Sendo o “Plano dos Artefatos”, temos em Mirrodin diversas opções para o carnaval, embora eu também não recomendaria este! Estudiosos poderiam se aproveitar melhor desse looting ampliado.
 
 
Algumas coisas são tão odiosas que despertam em quase qualquer um a vontade de lutar contra elas – esta máscara se enquadra na situação descrita. Então, se seu objetivo neste carnaval for arranjar uma boa briga, este modelo foi feito sob medida!
 
 
Este é o elo perdido entre a presente viagem e a última que fiz, na qual falei sobre os metamorfos. Estes seres podem ser considerados “máscaras ambulantes”, copiando perfeitamente a aparência de outras pessoas – nem sempre para a sorte destas, como mostra a imagem.
 

A imagem deste card é bacana por mostrar o momento que precede a união entre a máscara e seu portador. Uma vez colocada, ela transfigura o ser de acordo com seu propósito – neste caso, uma devoradora de pensamentos, que assim como o tempo, te pressiona a fazer agora, já que depois pode ser tarde demais (não se esqueçam disso quando estiverem titubeando antes de chegar em alguém, neste carnaval).
 
 
Claro que o tema do Preto ao se mascarar seria meter medo! É incrível como a máscara pode fazer alguém se apoderar. Deve ser a sensação de estar com a faca e o queijo na mão...
 
 
Esta é uma belíssima máscara ravnicana, ainda que se pareça mais com um elmo. Temos aqui um bom exemplo de como as máscaras podem servir como uma identificação, um distintivo. Não à toa: as características a ela associadas são muito úteis para soldados.
 
 
Visão do Futuro também nos legou uma máscara, vinda de algum futuro distante que ainda não chegou. Quanto à cor: Branco gosta de proteger. Branco é altruísta. Máscara serve para proteger. Por que não fazer uma para cada pessoa que se queira proteger? E curiosamente, temos aqui novamente um distintivo: nós, os mascarados, protegidos e unidos, combateremos aqueles que ousarem se opor aos nossos ideais!
 
 
Em Lorwyn, temos um grupo mascarado de elfos. “A beleza determina o que é valor, e nós determinamos o que é beleza” – seria uma seita de caça às outras raças, tipo uma Ku Klux Klan élfica? Este é mais um dos paradoxos que habita qualquer plano onde estejamos: a união separa.
 
 
Já em Alara, tive ocasião de me deparar com este belo modelo, que também não chega a se parecer completamente com uma máscara. Como mago Dimir, é minha escolha pessoal para fazer minhas incursões por aí.
 
 
“Ela esconde a face e protege a alma” - Não, não vou dizer mais nada.

--
E chegamos ao fim de nossa Viagem pelo Multiverso, em busca de máscaras para o carnaval que se aproxima. O que achou de nosso percurso? Teria alguma sugestão para uma próxima viagem? Sentiu falta de algo?
 
Pois deveria!
 
 
Somente o Vermelho não apareceu em nenhuma das cartas citadas anteriormente – e por uma razão muito simples: esta cor espontânea e sincera não usa máscaras. O Vermelho do card acima não está na máscara, mas na festa! Por isso, sem mais delongas: boas festas mascarados para todos! Aguardo vocês nos comentários! E...
 
Até a próxima viagem!
 
 
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Nathan de Sousa Malafaia ( Nihil)
Maldito mago Dimir fã de mill, mas que quer ter um commander de cada combinação de cor (e também incolor). Adepto do formato Commander e colecionador, mas que só usa cards que saíram em coleções da linha principal de produtos do jogo (portanto, cards exclusivos de Commander ficam de fora). Um jogador que acredita que um jogo como esse sempre vai ter alternativas, mas que entende o netdecking como um grande campo de pesquisa... E por aí vai!
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Comentários

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Nihil (01/03/2018 01:23:50)

Obrigado! É bacana para observarmos um pouco o Magic por outros ângulos! :)

ZenifeB (28/02/2018 22:33:10)

Po, bem daora o texto cara, muito interessante mesmo. Gostei da maneira que você ligou as cartas com coisas reais e foi mostrando também os aspectos da color pie, textos assim mostram muito de como é dificil criar as cartas, parabéns amigo!

Nihil (28/02/2018 19:49:06)

Valeu! São objetos fascinantes e muito ricos culturalmente, né?

Quanto ao deck, nunca é tarde demais! :)

Nihil (28/02/2018 19:36:33)

Acredito que não, embora certamente compartilhe algumas características!

Nihil (28/02/2018 19:35:22)

Valeu!

MMAMetal (28/02/2018 02:22:11)

Pesquisa muito legal. Eu particularmente adoro máscaras e acho a arte de Imperial Mask linda.

Pena que nunca consegui usá-la em nenhum deck.

Tucobz (27/02/2018 17:47:19)

Será que o Véu não seria considerado uma máscara?

VIP OURO YudomaJack (27/02/2018 15:31:54)

Legal o Texto...