RPTQ Trios - Preparação
06/06/2018 15:00 / 2,397 visualizações / 1 comentários
 
Olá! Nesse domingo teremos o RPTQ de Trios em São Paulo, disputado no formato Standard Unificado (ou seja, não podendo repetir nenhum card, a não ser terrenos básicos entre os três decks). No artigo de hoje, pretendo abordar aspectos próprios da competição de trios, como confiança e diálogo entre os membros; e também os desafios que o próprio T2 unificado traz para selecionar três baralhos competitivos ao mesmo tempo.

A escolha do Trio - Confiança, compreensão, diálogo
 
Nessa altura do campeonato, imagino que todos os que vão participar do RPTQ já tenham seus trios definidos (exceto pelo futuro vencedor do Last Chance Qualifier, hahaha). Mas ainda assim é importante acrescentar algumas considerações relevantes.

É crucial que os três membros do grupo estejam na mesma "pegada" no que tange às expectativas. Que sejam jogadores que vão entrar no RPTQ com o pensamento "vaga no Pro Tour ou nada", jogadores que querem dar o seu melhor para atingir um bom resultado, aqueles que só pela oportunidade de participar de um torneio tão grande e especial como será esse RPTQ já ficam satisfeitos ou mesmo os que só querem um final de semana de diversão entre amigos.
 
Misturar jogadores com perfis diferentes pode acabar acarretando em frustrações, já que a "expectativa vs. resultado" de cada um vai divergir. Um jogador pode acabar ficando insatisfeito com algum erro cometido por um colega que ele creia que impactou no resultado final, e essas são situações bem desagradáveis em nível pessoal.

Uma das características do evento de Trios é que os jogadores podem se ajudar durante as partidas. Geralmente em decisões difíceis, como um keep/mulligan, plano de sideboard diferente, ou mesmo se arrisca ir all-in numa jogada ou aguarda por uma abertura melhor são motivos frequentes de comunicação durante os jogos. Porém, isso pode acabar virando uma faca de dois gumes, já que é também informação que o trio adversário vai receber gratuitamente; portanto deve ser feito com cautela e restrito à poucas situações-chave.
 

Outro ponto é que cada vez que um jogador "interrompe" para pedir uma dica, ele pode acabar desconcentrando o parceiro, ou mesmo fazendo com que ele tome mais tempo do que tomaria normalmente, acarretando em possíveis derrotas ou empates indesejados. Portanto, nessa hora, a confiança nas capacidades de cada um enquanto jogador individual é indispensável.
 
Lembre-se de que ao menos um dos jogadores do trio conquistou a vaga no "modo hard" ganhando um PPTQ, fazendo Top 8 no RPTQ anterior ou com um nível profissional que garante vaga, e que ele escolheu outros jogadores que considera amigos, dignos para treinar junto e compartilhar o investimento de preparação, financeiro, logístico e tudo o mais que envolve passar o domingo jogando Magic competitivo. Então confie no colega e em si mesmo, nas suas próprias capacidades, e guarde o recurso da "ajuda" pra hora que realmente for necessária, ou quando as partidas do outro tiverem acabado e ele puder se contextualizar perfeitamente no seu jogo (e vice-versa).

Outro fator que considero receber muita ênfase (e, consequentemente, energia gasta) pelos trios é quanto ao posicionamento nos seatings A, B e C de acordo com escolha de deck, e não perfil de cada um. Por exemplo: evitar de deixar o deck mais lento (normalmente o Control) no meio, já que ele vai ter de ajudar os outros dois jogadores, e por isso não pode perder tempo; ou então deixar o deck mais agressivo e rápido (um Red Deck) no meio para acabar as partidas rápido e poder participar dos outros jogos.
 
Essa é uma abordagem que não me agrada, e o que julgo ideal seria posicionar os jogadores somente pelos seus perfis, independente do deck. No meio, o jogador mais comunicativo, com maior liderança, melhor capacidade de ser um elo entre os outros dois das pontas, ou mesmo o que está mais por fora do jogo e precisa de mais "ajuda". Decidida essa posição, ver como os jogadores devem ficar com o deck com que estejam mais acostumados e treinados, e decidir no "jogo jogado" ao invés de quebrar a cabeça com A, B e C.
 
Escolhendo os decks - o paradigma de melhores decks "nerfados" vs. três decks completos
 
Sabendo que não podemos repetir nenhuma carta, o jeito mais lógico de montar três decks com o máximo de power level é distribuir as cinco cores entre dois decks de duas cores e um mono color, ou até mesmo em um deck de três cores e dois monocolores. Ao considerarmos os principais decks do metagame, vemos Goblin Chainwhirler e Teferi, Heroi de Dominaria ditando as regras do jogo. Naturalmente, um UW (ou Esper) e um Mono Red (ou BR) são as primeiras escolhas que vêm à cabeça, e imagino que a escolha óbvia de todos os trios incluam sempre um deck baseado em Teferi e um em Chainwhirler.

Além dessas primeiras escolhas mais "óbvias", temos para complementar essas combinações outros decks sólidos, como BG Cobra, Mono Green Aggro (com splash B, U, ou puro), BW Veículos, UB Midrange ou Control, Mono Black Midrange e UG Karn.
 
Para mim, a maior questão a ser respondida na hora de escolher os três decks é a seguinte: vale mais a pena ter os absolutos melhores decks "nerfados" (por exemplo, um BR e um BG no mesmo trio, dividindo Walking Ballista, Duress e Doomfall entre eles), ou escolher decks mais "fracos", sem dividir nenhum card (abrindo mão dos splashes no Mono Green, Mono Red ou Mono Black)? Algumas ideias:
 
UW Control, BR Midrange/Mono Red Splash B e Mono Green sem splash;
UW Control, Mono Red Aggro e BG Cobra/Mono Green com Scrapheap;
UW Control, Mono Black Midrange e RG Monsters (essa mais alternativa).
 
Mesmo nessas configurações, esbarra-se em outro problema: somente um dos jogadores poderá usar Heart of Kiran e, em menor escala, Walking Ballista e Aethersphere Harvester. Mesmo sem compartilhar cores, combinações de trios que envolvam BR, BG e Mono G vão sofrer desse problema.
Qual o melhor jeito de proceder, portanto? Infelizmente, mesmo com a proximidade do RPTQ, não tenho ainda uma resposta concreta, muito em função do fator tempo. O Pro Tour, embora sem nenhuma grande surpresa, adiciona à mistura as listas "tunadas" pelos pros — parâmetros importantes para os testes, que só ficaram disponíveis a partir desse final de semana, reduzindo ainda mais nosso esparso tempo.

A natureza do formato Unificado exige que a preparação seja exclusiva para tal e de forma presencial, já que não tem como testar o formato no Magic Online, onde existem vários decks de três cores ou que usem muitas das staples multiarquétipos existentes no metagame "de verdade" e são praticamente descartados como escolhas no Trios (pense no UB Midrange com Karn, Balista, Duress, Negate e Doomfall; ou no BW Veículos com Kiran, Balista, Karn, History of Benalia, Lyra Dawnbringer e Duress).
 
Pretendo utilizar essa última semana que falta para decidirmos os decks utilizados pelo meu trio, tunar as decklists/sideboards e definir quais decks terão prioridade para as "staples multiarquétipos". Para finalizar o artigo, vou deixar uma combinação de três decks que terminaram bem colocados no Pro Tour, com zero cards em comum, e que são escolhas comprovadamente fortes, passando por um teste de ferro no "metagame real" se formos optar pelo caminho "não repetir cores e não nerfar decks":
 
Rb Aggro, por Thomas Hendriks - Standard
2018-06-03

Jogador

sandoiche_13

Visitas

2418

Código Fórum

[deck=909483]
UW Control, por Daniel Weiser - Standard
2018-06-03

Jogador

sandoiche_13

Visitas

2418

Código Fórum

[deck=909488]
Mono Green, por Julien Stihle - Standard
2018-06-03

Jogador

sandoiche_13

Visitas

2422

Código Fórum

[deck=909484]
 
E quanto a vocês, leitores, como tem sido sua preparação para o RPTQ? Quais os decks que pretendem utilizar, e por quê? E quanto ao metagame, como acham que os outros trios farão sua escolha? Como enxergam a questão do posicionamento dos seats? Deixem suas opiniões nos comentários!
 
Abraços e até a próxima!
 
 
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Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
"Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Representando a House of Cards, está sempre na vida do grind dos torneios em SP, tendo sido campeão da Grande Final do CLM 10 Modern, a maior até então. Como entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015."
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Comentários

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Takamtg (06/06/2018 17:01:01)

É, eu iria de rakdos, esper Control, bg ramp (mais as um bg ramp bem montado, n esses troços q jogaram PT)