As estranhas montanhas que geram Azorius
13/06/2018 10:00 / 4,658 visualizações / 13 comentários

 

Fazia muito tempo que eu não ficava ansioso por um evento como eu estava para o RPTQ de trios, não sei se era porque eu estava faz tempo sem jogar RPTQs, se porque estava animado com o Standard, se pelo desafio de jogar um formato unificado. O fato é que eu estava com esse torneio na cabeça e queria realmente ir bem nele.

 

Minha preparação foi bem satisfatória, coisa rara para mim, que sempre me acho relapso. Na primeira semana dos PPTQs para esse evento meu trio pegou vaga em um team work que muito me agradou, eu fiz a lista, Otávio testou no MOL e Zanutto ganhu a vaga. Recebeu, levantou, cortou. Por sinal, meus teammates foram Otávio Ribeiro e Antônio Zanutto, jogadores que realmente me deixavam feliz de jogar com, seja pelo nível, seja pela presença deles, até porque convenhamos, não seria possível jogar 7 rounds com alguém que você não suporta.

 

Conseguir a vaga cedo deu a vantagem de poder focar em outras coisas e só voltar à pensar no torneio após o lançamento de Dominária, quando nosso plano era jogar com o máximo de baralhos possíveis e determinar quais os melhores, já pensando em como poderíamos pensar em uma composição para o Standard Unificado. O problema aqui era que os três gostavam de decks agressivos, então rapidamente estávamos todos jogando de RDW ou BR, apesar de que o Zanutto se encontrou no Mono Green, grindando alguns pptqs com o baralho. Com um green based e um red based, precisávamos de mais um baralho, preferencialmente com branco, que estava todo aberto, ou jogar de RDW e usar o preto no terceiro deck. O primeiro baralho testado nessa configuração foi o UB midrange, já que o melhor deck da temporada passada não podia ser tão ruim. Otávio começou os testes e nos relatava um baralho lento e que sofria para os baralhos baseados em vermelho, nem sempre O Deus Escaravelho resolvia tão rápido a partida. Nos voltamos então para o UW, que já despontava como um tier do formato, mas que desagradava à todos pela forma lenta de vencer, ultar o Teferi, Heroi de Dominaria e depois ficar mandando ele mesmo para o topo ad infinitum. Como eu joguei bastante de controle na época de Revelacao da Esfinge, me prontifiquei a testar o deck, começando por essa lista:

 

UW Control - Standard
2018-06-13

Jogador

Ruda

Código Fórum

[deck=917745]

 

Aqui um adendo, eu podia ter batido o pé sobre jogar com o deck vermelho, mas eu era o único com longa experiência nesse tipo de baralho e pensar no melhor para o time era o ideal. O Otávio é um piloto exemplar de decks agressivos e mesmo com todos os problemas que tive com o UW, nunca me arrependi da escolha.

 

A vantagem dessa primeira lista é que jogava bem parecido com o deck que usei em RTR, Puxar do Amanha é um monstro no late game e você vai vencer jogos grind com certeza. O problema, a demora para vencer. Em termos de IRL isso pode ser discutível, mas eu estava jogando muito nas ligas Online, então me incomodava que para matar meu oponente eu precisava perder 5-6 minutos da partida. Perdi a conta de quantas ligas eu fiz 4-1 ou 3-2 porque perdia por tempo, já que meus oponentessimplesmente não concediam. Era um dilema interessante, o deck ganhava IRL, mas online não, meus treinos eram online e eu estava começando a pegar ódio do baralho, mas o torneio que importava seria IRL. 

 

Comecei jogando com 1 Gideon das Provas no maindeck, com Gravar // Memoria eu não precisava de muito para vencer, depois de controlado eu podia pegar minha kill condition no grave e matar mais rápido do que o plano de mill.  Então comecei a jogar com Mecanotita Torrencial, que me obrigou a fazer algumas mudanças, Puxar do Amanha é ruim com o Titã, então troquei por Lampejo de Genialidade, que confesso que era uma carta que me agradava mais, me ajudando a fazer a transição do mid para o late game, e também usei Repreensao de Gideon, fazendo com que meus big snaps pudessem comprar, anular, dar bounce e matar. Com a lista nova em ação os resultados começaram a vir e passei o sinal verde para o trio sobre o deck.   

 

Hora de definir os decks, nos pareceu bem simples que os melhores decks do formato eram BR/RDW e UW, seguidos de perto por Mono Green/BG Cobra e que apenas teríamos que nos adaptar à essa combinação. Mais do que isso, mais gente estava chegando em uma formação parecida, ou seja, sabemos quais os decks que eram as melhores escolhas e quais decks enfrentaríamos, vulgo, estávamos criando um metagame. Coisas poderiam vir de fora disso, mas já tínhamos algo como tiers 1 e 2 e uma ideia dos rogues.

 

Dúvidas do momento, qual era melhor, BR x RDW e Mono Green x BG Cobra; quem ficaria com Balista Ambulante, Parasita de Sucata, Coracao de Kiran e a própria cor preta. Pensando no metagame esperado, BR parecia melhor que RDW, com Desintegracao Ilicita para coisas grandes, como Lyra, Portadora da Alvorada e com Parasita de Sucata e Coagir para bater controles, ok RDW vence BR, mas não apostávamos tanto em confrontos diretos. Com preto indo para o side do BR, o BG Cobra foi automaticamente descartado, sobrando o Mono Green, Concluímos que o tamanho das criaturas do deck verde permitiam ele usar melhor o Coracao de Kiran, além de melhorar sua match versus UW, coisa que o BR já conseguia vencer. Balista Ambulante também parecia mais interessante no Mono G, muita mana e algum alcance para o deck. Principalmente as duas últimas conclusões vieram da última semana de treinos, quando sentamos juntos para jogar várias partidas IRL e ligas no MOL, podendo testar diversas ideias. De fato, a lista dos meus companheiros de equipe estava quase fechada na terça-feira antes do evento, enquanto que a minha ainda estava sendo trabalhada. 

 

Nesse meio tempo um amigo, Douglas Romani, ganhou um PTQ no MOL jogando de UW com algo aprecido com o que eu usava, ou seja, o caminho era certo, já que o Romani é um ótimo piloto de controle e que sim, dava para continuar jogando online com a lista. Outro ponto foram os teste com a lista de Esper Teferi:

 

Esper Teferi - Standard
2018-06-13

Jogador

Ruda

Código Fórum

[deck=917747]

 

O deck havia feito bons resultados no Pro Tour na mão do francês Guillaume Matignon e estava indo muito bem online também, a ideia era simples, 1 por 1 e depois vários motores de card advantage, incluindo Teferi, Heroi de Dominaria. Me parecia que as melhores matchs desse deck seriam contra aggros, então eu queria ver o quão melhor ele seria contra RDW/BR/Mono Green, sleeve no deck e bora testar, Supreeendentemente, meus resultados  de UW eram melhores, Assentar nos Destrocos é uma carta fora do normal e recuperava boa parte dos jogos que meu oponente saia muito rápido e com o Esper eu não tinha esse botão de socorro, além, é claro, da base de mana horrível quando se usar três cores. Vantagem de testar IRL, em menos de uma hora eu estava novamente com o UW.

 

Quem joga bastante com o UW deve ter notado que ainda não falei de Aproximacao do Segundo Sol, isso porque eu não sou muito fá da carta. O fato dela não interferir da mesa e ser muito pesada nunca me agradou. Mas nesse baralho que controlava com força o oponente e precisava apenas de uma maneira de vencer rápida, confesso que essa carta começava a crescer na minha mente. O único problema era ela e Mecanotita Torrencial, mais uma carta que o titã não poderia dar alvo não me agradava muito.

 

Após alguns testes notei que Aproximação resolvia diversas partidas travadas e era sim uma ótima carta no mirror, colocando uma baita pressão no opoennte no late game, quando poucos counters restavam. Com isso, inscrevi essa lista no RPTQ:

 

UW Approach - Standard
2018-06-13

Jogador

Ruda

Código Fórum

[deck=917751]

 

Sobre a lista, usei apenas uma Aproximacao do Segundo Sol por querer essa carta apenas quando fosse vencer a partida, abrindo um slot para mais uma remoção, porque chegamos a conclusao que a maioria dos trios jogaria com um bom jogador de BR/RDW no meio, para que ele logo ficasse livre para ajudar os outros dois, logo, preferi usar 4 cópias de Selar. Iluminacao Hieroglifica é para usar 26 terrenos e chegar traquilamente no mid game, sendo uma ótima maneira de manter combusivel no cemitério pós side, quando temos os titãs. O side é do tipo que adoro, tranforma o baralho em um midrange e esse era meu plano contra BRs e RDWs, fazer uma mesa que eles não podia bater. 

 

Não costumo ter boa memória para os jogos dos torneios, fizemos 5-2 e 14ª colocação, sendo que enfrentei RDW (W), BR Veículos (L), GW Midrange ( 1-1 Draw), BG Cobra (1-1 Draw), BR Veículos (W), Esper Walkers (1-1 Draw) e UW Control (L). Os empates já estavam previstos, os decks dos meu companheiros eram bem rápidos e era comum o resultado sair antes da minha partida acabar, o que ajudava se pensarmos que eu segurava sempre alguém do trio adversário comigo e eu confiava plenamente na habilidade dos meus team mates.

 

Eu não jogava trios desde o GPSP no Juventus e confesso que adorei a experiência, mesmo quando não tínhamos mais chance de top8 eu estava com vontade de jogar simplesmente pelo formato ser divertido e a dinâmica do time estar perfeita. Ainda sim, acho que podíamos ter apostado mais no UB Midrange, era um baralho que podia ter uma match mais justa contra todos e quem sabe que nos possibilitasse mais techs, algo vital em um torneio onde o que cada um usa é muito importante.

 

Para quem ainda está no grind para o RPTQ Atlanta eu recomendo esse baralho, por mais que ainda ache Vermelho e Preto as melhores cores do formato. O UW é forte e se bem adaptado ao metagame, pode ser fatal. Sugiro muito treino e que trabalhe bem a hora de usar o Assentar nos Destrocos, carta que faz esse deck ser tão forte. Como última dica, troque o Cavaleira da Graca por Balista Ambulante, é bem melhor.

 

Meus parabéns para o trio do sanduba, que fez top32 e para o LuCaparroz, que fez top2 e a tão sonhada vaga do Pro Tour! Estaremos na torcida.

 

 

Até mais!

 

 

Ruda

TAGS: 

Rudá Andrade dos Reis (VIP STAFF Ruda)
Aficionado por decks azuis agressivos, mas que não dispensa um bom Siege Rhino nas horas vagas, está no Magic desde 2003, em Flagelo. Em 2012 começou escrever sobre Magic e não parou mais, sendo que em 2015 se tornou Editor da Ligamagic.
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Comentários

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VIP STAFF Ruda (16/06/2018 20:45:47)

Não, minha lista do RPTQ sempre teve Approach. A primeira que não tem, e vence via softlock do Teferi.

Schettini (15/06/2018 18:15:55)

Aaaah, mas estava sem Approach na lista, vc editou né ? haha

tattoowalker (14/06/2018 18:16:00)

Nostalgia a parte, uw sempre esteve presente num ambiente saudável, ele induz a presença de decks super agressivos e isso ajuda a equilibrar o meta.

VIP STAFF Sol_Badguy (14/06/2018 18:11:28)

Concordo em divertir se é o arquétipo q vc curte. Mas achei beeem exagerado falar q um arquétipo traz grandeza pro jogo.

tattoowalker (14/06/2018 16:32:07)

Prq uw é um clássico e não basta jogar tem q se divertir

VIP STAFF Ruda (14/06/2018 16:25:33)


Approach e o lock do Teferi

VIP STAFF Sol_Badguy (14/06/2018 14:47:11)

pq?

tonytals (14/06/2018 09:32:40)

A Kill Condition do main deck é fazer o oponente desistir, é isso ??(2)

Schettini (14/06/2018 07:25:10)

A Kill Condition do main deck é fazer o oponente desistir, é isso ??

laemcasa (13/06/2018 20:01:34)

parabens pelo resultado micow.

tattoowalker (13/06/2018 15:08:26)

Muito bom.. gostei do raciocínio. Ter um uw no formato traz grandeza ao jogo

meota (13/06/2018 12:27:37)

eu teria usado os 3 cast out e os 3 glimmer tbm, sincopar eu axo meio mé teria usado 3 essence e 2 negate

mas parabéns rudá cara humilde que ajuda ^^

Rafa_Pinguim (13/06/2018 10:14:55)

show... Parabens Rudá.