O Mapa da Mina
06/07/2018 10:00 / 4,889 visualizações / 4 comentários
 
Olá! A chegada do mês de Julho significa que o Modern vem com tudo: Grand Prix São Paulo, Grande Final do CLM 11, e o início da temporada de PPTQs no formato. Isso significa que, mais do que nunca, é hora de focar nossas atenções para o bom e velho Moderninho. O meu artigo da outra semana demonstrou como o metagame geralmente funciona, em uma dança similar ao pedra-papel-tesoura, mas contando também com "lagarto e spock", dada a quantidade de decks envolvidos.
 
Como é de praxe e já foi feito anteriormente por mim, pretendo analisar por quantidade os decks que ganharam vaga para a Grande Final do CLM 11. Para esse levantamento, observei todas as lojas que tinham decks cadastrados e eventos reportados depois da "data do corte" (24/06), e procurei pelos jogadores que ganharam vagas nos Top 8s, Abertos e Super Regulares.
 
Com isso, cheguei a um total de 161 decks. Isso não significa que o metagame da Grande Final será exatamente dessa maneira, considerando que alguns jogadores podem ter escolhido um deck somente para o seu chaveamento de Top 8, ou em um momento diferente, e o deck não é mais "a boa" hoje em dia, ou mesmo algum jogador veio "por fora" através dos Drafts, de um Last Chance Qualifier, de um Top 8/Aberto reportado depois do levantamento desse artigo.

Ainda assim, sabemos que alguns decks aqui no Brasil são mais populares do que outros e representam percentuais do metagame maiores que nos eventos da gringa (SCGs/GPs) e das Ligas no Magic Online, e são justamente esses os pontos em que quero focar com a análise de agora.
 
RG Valakut (Breach/Shift/BBE/Naya) - 14
Affinity (1 com hardened scales)- 10
RG Ponza - 9
Mardu Pyromancer - 8
UW Control - 8
Humans - 7
Hollow One - 7
Eldrazi Tron - 7
Jeskai Control - 7
Jund Midrange - 6
Burn - 6
Gx Tron (Mono Green e RG) - 6
Counters Company  - 5
RG Eldrazi - 5
Boggles - 5
Elves - 4
Abzan Midrange - 3
Traverse Shadow - 3
Eldrazi Stompy - 3
Merfolks - 3
Bant Company - 3
UR Storm - 3
RW Taxes - 2
Ad Nauseam - 2
KCI - 2
UR Moon (breach/thing in the ice) - 2
RW Prision - 2
Amulet Titan - 2

 
17 decks diferentes que classificaram um jogador cada: GW Company (ValueTown), Restore Balance, Cheerios, BTL Scapeshift, Living End, Shadow Burn, Mono Blue Faeries, Mono Blue Tron, Bant Spirits, BG Rock, Grixis Delver, Revolt Zoo, UR Prision, Soul Sisters, RG Stompy, Dredgevine, Grixis Goryo's (Instant Reanimator).
 
A primeira grande distorção em relação ao metagame do MTG Goldfish é a altíssima quantidade de RG Valakut e Ponza. Enquanto esses decks não aparecem nem na primeira página lá, por aqui foram o primeiro e terceiro decks que mais classificaram jogadores respectivamente. O Valakut sempre foi popular por aqui, considerando que para o CLM 10 foi um dos decks que mais classificou jogadores, além de ter levado várias vagas nos PPTQs em São Paulo.
 
Agora o Ponza é uma surpresa, já que apesar de seus pontos fortes, é um deck inconsistente e não exatamente a melhor pedida para um metagame cheio de aggros explosivos como o Hollow One e Humans — talvez predando na quantidade de Valakuts e Trons, ele tenha conseguido seu espaço. Um outro fator que pode ter pesado é o fator financeiro. Ambos Valakut e Ponza são decks relativamente "budget" considerando o preço dos decks no Modern e com bastante "overlap" entre si (cartas em comum), o que os tornam investimentos competitivos e seguros a longo prazo.
 
Já o segundo deck mais jogado é novamente um dos mais populares por aqui, o Affinity. O deck se mostra sempre forte e resiliente, contornando o sistema de chaveamento que, em teoria, desfavorece decks vulneráveis à sideboard, já que os oponentes podem sobrecarregar em hate devido à possibilidade de mirar em parcelas menores do metagame. Todavia, a combinação de Tron/Humanos/Hollow One dentre os principais decks, todos matchups favoráveis pro Affinity, pode ter seu peso e o deck ter sido usado como "counter" para essas estratégias proativas mais focadas em seu próprio jogo.
 
No "pelotão seguinte", temos um conjunto de decks que estão bem destacados no meta atual, postando excelentes resultados no Magic Online e nos GPs mais recentes. Com 8 ou 7 jogadores classificados por arquétipo, Mardu Pyromancer, UW Control, Humans e Hollow One mostraram a que vieram no cenário nacional. Mas nem por isso deixamos de ter uma surpresa, considerando o quanto o deck desapareceu lá fora: temos 7 Eldrazi Tron que se classificaram para a Grande Final.
 
Com bad matchups para Humanos, Affinity e Tron "verde", os Eldrazi decks sumiram do ambiente internacional. De fato, em mais de 200 partidas jogadas no Magic Online nessas últimas semanas em preparação para a temporada Modern, enfrentei mais vezes decks "fringe" como UR Wizards do Seth Oliver, Jeskai Thing in the Ice/Ascencion ou Mono Blue Tron com Mindslaver/Academy Ruins separadamente do que todos os Eldrazi decks juntos (RG Eldrazi, Eldrazi Tron e Eldrazi Stompy). Apesar disso, o deck ainda segue bastante popular por aqui, e tenho certeza que marcará presença tanto no GP, como nas finais do CLM.
 

 
Jeskai, Jund, Tron e Burn vêm logo em seguida, e representam números similares aos que vemos no MTG Goldfish. Tron consolidou-se como o big mana do formato; Jeskai como o principal control num mundo de Humanos e Affinity; enquanto Jund e Burn ainda são dois queridinhos que sobrevivem ao teste do tempo, sendo utilizados mesmo quando o mar não está pra peixe.
 
Entre os decks que classificaram entre 2 a 5 jogadores, vemos muitos dos tais decks "selva do Modern", aqueles decks que são Tier 2, mas que não são surpresa de estarem no Top 8 ou mesmo em ganhar um determinado evento. Counters Company, Boggles, Elves, Abzan Midrange, Traverse Shadow, UR Storm, Merfolks, Ad Nauseam, UR Moon, Amulet Titan.
 
O destaque dos decks que classificaram apenas 2 jogadores é o combo sensação do momento: o KCI. Eu diria que, nas classificatórias do CLM, o deck ainda não "pegou" por ser complicado de jogar, relativamente caro (já que conta com as Mox Opal e o spike de várias cartas que encareceram, como o próprio KCI) e de várias classificatórias do CLM terem acontecido semanas (ou até meses) atrás, onde o deck ainda não tinha surgido além do submundo do Modern.
 
Já nos decks que classificaram apenas um jogador, vemos muitos nomes conhecidos desse grupo de decks que podem aparecer e ganhar, mas têm suas fraquezas expostas no longo prazo: Living End, GW Company, BTL Scapeshift, Bant Spirits, Dredgevine, Grixis Goryo's, BG Rock, Revolt Zoo, Mono Blue Tron, Cheerios e afins. Quanto aos decks realmente surpresa, o destaque fica para o Restore Balance, Shadow Burn e Mono Blue Faeries.
 
O que esses números significam para o Grand Prix e para a Final do CLM?
 
Embora o metagame gringo esteja tomando uma forma mais definida, com alguns decks consolidando-se como os mais consistentes e seguros de cada arquétipo, o melhor combo (KCI), melhor big mana (Tron), melhor control (Jeskai), melhor aggro disruptivo (Humanos), melhor aggro sinérgico (Affinity) e melhor midrange (Mardu Pyromancer), o nosso "mundo real" é aquela coisa que tanto amamos e tanto odiamos no Modern — qualquer um pode ganhar a qualquer momento, e não existe resposta pra tudo. A mesma máxima da Final anterior se aplica: evite tentar "metagamizar" demais, e tenha ao menos um plano para enfrentar todos os baralhos, mesmo sem ter cartas específicas para tal.

Ainda assim, ignorar o que as tendências locais vêm nos mostrando também é algo no mínimo ousado. O grande número de RG Ponza e UW Control (com seus Field of Ruin e Spreading Seas), por exemplo, influencia na hora de escolhermos mais básicos ao invés de menos, sem o splash para algo como Ancient Grudge, Lingering Souls ou a terceira cor do Explosivos no side. Muitos RG Valakut, Tron e até mesmo Eldrazi Tron significam que optar por ignorar hate de terreno só pelo fato da matchup ser ruim também não é o caminho, e alguns Fulminator Mage ou Molten Rain devem ter seu lugarzinho guardado.
 
Em maior escala, isso significa que os decks que tentam atacar mirando parcelas específicas do metagame e jogar na previsão possam não ser a escolha mais ideal. Jeskai Control, que tenta atacar parcelas específicas do metagame (decks de bichinhos) é uma escolha que não me agrada, já que sofre contra Big Mana (Tron, Valakut, Amulet), Combo (KCI, UR Storm, Ad Nauseam) e mesmo decks mais presentes em números aqui (RG Ponza e Eldrazi decks). Aquele metagame de Humanos, Affinity e Hollow One toda rodada como foi o Day 2 dos últimos GPs na Europa ou uma Liga no Magic Online é longe de ser a realidade para o GP e o CLM.
 
Por outro lado, eu enxergo tanto os big manas como os Combos com boas chances para esses eventos. O Modern já aprendeu os caminhos para ganhar de Humanos, e tanto os combos bem equipados com Engineered Explosives, Lightning Bolt, Fatal Push, Bontu's Last Reckoning, como os big manas com remoções globais conseguem competir com o deck, enquanto que têm boas matchups contra o "pelotão da frente".
 
O real predador desses decks, entretanto, é um que vem despertando e mostrando sua força cada vez mais nas últimas semanas: o Infect, deck que apesar de não ter conseguido classificar jogadores para a Grande Final no levantamento realizado, foi muito bem nos SCG e aumentou sua presença no Magic Online. Mas, talvez para o GP e CLM, seja mantido em xeque dada a quantidade de Mardu Pyromancer, Jeskai Control e mesmo o aumento de Grixis Death Shadow de duas semanas pra cá, lembrando que esse também é um deck que seguiu popular aqui no Brasil pelo fator "muitos jogadores já possuíam o deck".
 
Para completar, o Rudá escreveu uma excelente análise das últimas semanas do Modern, e eu recomendo a leitura para todos que ainda não o tiverem feito para se manterem inteirados nesse início de temporada Modern.
 
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E quanto a vocês, leitores, o que esperam para o Grand Prix e para a Grande Final do CLM? Como enxergam os resultados dos jogadores que se classificaram pelas lojas no Brasil? E quais decks acreditam que vão se dar bem nessa sequência de eventos? Deixem suas opiniões nos comentários, e não deixe de dar um oi se me vir em ambos os eventos!
 
Abraços e até a próxima!
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Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
"Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Representando a House of Cards, está sempre na vida do grind dos torneios em SP, tendo sido campeão da Grande Final do CLM 10 Modern, a maior até então. Como entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015."
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Comentários

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Tandor (10/07/2018 13:17:56)

Não teve um único dredge?!

augustoleao (08/07/2018 09:37:19)

Muitooo bom seu artigo. Fico muito feliz em ler algo tão produtivo e focado no GP de Sampa.
Vlw o tempo dedicado a leitura e bom trabalho!

VIP STAFF slaiter (06/07/2018 18:08:26)

Muito bom artigo, parabéns.
Tô muito ruim de filtro, não achei esse mu faeries

HHHH (06/07/2018 10:51:59)

Ótimo artigo, mais uma vez.