Olhando de volta para o abismo
11/04/2019 18:05 - 4,919 visualizações - 2 comentários

Tudo pronto, deck escolhido, deck treinado, matchs bem abordadas, side guide gravado na memória. Vai tranquillo, não se afoba… E senhor amado, QUE DECK É ESSE?!


Uma característica da nossa Era é como somos fortes quando o assunto é informação. O acesso á cada bit de conhecimento cresce a cada dia. No entanto, se a falta de informação gera medo e confusão, por conta de estarmos de frente com algo desconhecido, essa sensação em um mundo onde estamos sempre “ligados” fica ainda mais intensa. Estar, em 2019, frente à alguma coisa que desconhecemos completamente é tão improvável que muita
gente tilta.


O Magic segue as característica de nossa época, no começo eram apenas listas de emails trocando ideias de deck, depois fóruns pequenos e hoje em dia é possível ter tudo o que você precisa sobre o jogo apenas com alguns clicks. Então como alguém consegue ainda sentar na frente do oponente e fazer algo novo? Mais do que isso, como esse jogador, que está acostumado a saber sobre tantos decks, vai jogar quando estiver frente a frente com essa nova situação?

 

A primeira coisa a se fazer é manter a calma, não é porque estamos contra algo desconhecido que nós devemos simplesmente entrar em pânico. Ainda é uma partida de Magic, e como tal, existem duas estratégias: Plano e Informação.


Plano


Aplicar o nosso plano é essencial em qualquer partida, entender o que nosso baralho faz nos ajuda a escolher a melhor sequência de jogadas e qual posição tomar. Quando jogamos contra algo desconhecido, aplicar nosso plano pode parecer algo simples, mas nos ajuda a já começar na posição certa. Lembrando que quando falo de posição é o famoso “who’s the beatdown”, saber se você será o agressor ou o controlador e assim direcionar suas jogadas para uma partida curta ou lenta. Por exemplo, estou no Modern de Affinity e nos dois primeiros turnos meu adversário faz diversas cartas que não batem com quaisquer listas que eu já tenha visto. Sabendo que o Affinity estará na posição agressiva boa parte das vezes, meu plano se torna finalizar o mais rápido possível a partida.



No geral, decks pro ativos tem uma certa facilidade nesses casos, já que eles podem tentar ignorar o jogo do oponente e forçar o fim da partida o mais rápido possível. Eles também terão uma vantagem no pós side. Ainda no exemplo do Affinity, eu não vi nada do meu oponente e venci o jogo 1, mas pelas cores do baralho eu posso pensar no que ele vai subir, decks brancos sobem Stony Silence, Decks Vermelho/Verdes usam Ancient Grudge, e pensando nessas cartas, eu posso só subir as respostas para o possível side dele. Tudo isso sem ter qualquer ideia do que o meu oponente está jogando.

 

O problema da abordagem que usei até agora é que ele não costuma funcionar para um controle ou qualquer coisa mais reativa, eu não tenho como forçar meu plano para cima do oponente, quando meu plano é jogar para não perder. Para esses decks nós precisamos trabalhar melhor a informação.


Informação


Lembra do jogo Forca? Onde você ia chutando letras e tinha que formar uma palavra? Jogar de controle contra algo desconhecido é parecido. Cada terreno, cada mágica, são letras para formar a palavra final. Um dilema comum aqui é se você ignora as cartas do oponente até onde for possível, para tentar pegar mais informações e assim jogar suas respostas baseadas nisso, ou se responde tudo porque o seguro morreu de velho. A abordagem que mais gosto é a de usar o seu baralho como fonte para isso, como você lida com essa ameaça? Se ela ficar na mesa você consegue remover? Isso, e as infos que você consegue durante a partida te ajudam a traçar um mapa mais detalhado da situação. Sendo que, para vários controles, que ao inverterem a partida raramente vão perder, arrastar um pouco mais, para ter mais dados, é válido.


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Essas dicas são pensadas para quando você está frente à algo novo, mas minha melhor ajuda é como a de um profissional de saúde sobre como se cuidar melhor, prevenção. Se manter atualizado, lendo artigos, vendo torneios e até mesmo dando uma zapeada mínima entre os rogues (olá, submundo do Modern!), previne de muitas vezes cair nessa situação. Esse artigo saiu da narrativa de um amigo que começou a descrever como havia jogado contra algo completamente bizarro e sem noção, e a partir de algumas cartas eu comentei que era um Jeskai Ascendancy combo e comecei a citar cartas, não porque eu conheça todos os decks do Modern ou algo do tipo, simplesmente gastei alguns minutos dando atenção à essas listas e assim tenho alguma ideia de como rebater.


Informação é poder.


Até o MF!
Ruda


Rudá Andrade dos Reis ( Ruda)
Aficionado por decks azuis agressivos, mas que não dispensa um bom Siege Rhino nas horas vagas, está no Magic desde 2003, em Flagelo. Em 2012 começou escrever sobre Magic e não parou mais, sendo que em 2015 se tornou Editor da LigaMagic.
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Comentários

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ViniciusDB (12/04/2019 17:33:30)

Também é possível ter em mente estratégias um pouco mais "globais". Estratégia vs. aggro, estratégia vs. control, estratégia vs. combo... Diante de uma lista desconhecida acho mais fácil tentar encaixar ela em um desses grupos e reagir conforme, do que ficar tentando entender a lista em detalhe ou reagir baseado apenas nas cores... não?

MMAMetal (11/04/2019 22:51:51)

"Vai tranquillo, não se afoba…"

Até aqui o Gabriel veio parar rsssssssssssssss