A Hora do Pauper: Pauper é uma opção sim!
Ainda não conhece o Pauper? Venha conhecer um dos formatos mais charmosos do Magic The Gathering.
11/07/2019 18:05 - 11.601 visualizações - 50 comentários

Fala galera, aqui quem vos escreve é o Heli e hoje trazer uma análise mais profunda e subjetiva em relação ao Pauper, avaliando suas características básicas que, muitas vezes, passa despercebida pelos players que ainda não jogam o formato.


O Pauper passou por três mudanças importantes nos últimos meses: o banimento de três cartas com elevado power level, desfazendo o deck to beat do formato; o lançamento de Modern Horizons que trouxe várias cartas novas ao formato, mas o principal é que elas possuem power level para entrarem em decks tier 1 (ou até ascenderem algumas builds para esse grupo), situação essa inédita ao Pauper, que sempre recebia poucas adições de novas coleções; e por último, o sancionamento do formato, que eu quero me alongar um pouco mais no debate.


O Pauper é um formato que nasceu no Mol, tendo uma característica singular pois, foi criado com referência na raridade das cartas, o que era complicado já que no passado as cartas comuns possuíam power level bem mais elevado que atualmente. O tempo passou e o formato gerou uma comunidade muito engajada, tendo inclusive muita produção de conteúdo, principalmente no Brasil, Itália e EUA. O sancionamento trouxe inúmeras situações promissoras, mas não corrige alguns problemas de concepção do formato, por não ter sido estruturado para isso. Claro, que unificar as listas de cartas válidas do Irl e do Mol, tornando possível o uso de QUALQUER carta comum em ambas as plataformas, ajudou muito a minimizar as confusões ocorridas em campeonatos, devido à falta de informações para as lojas e juízes; parece simples, mas sempre deixamos de atrair mais jogadores ao formato por não conseguir responder o motivo de Counterspell ser válida e Granada Goblin não.


Sou jogador do formato a quatro anos e produtor de conteúdo a dois e tenho certeza que essa mudança será boa pro formato, mas sei também das consequências trazidas por agora ter a Wizards observando e controlando-o de forma direta. Eu e boa parte da comunidade estamos no formato por opção e não por falta dela, sendo essa a grande premissa que me motivou a escrever este artigo. Infelizmente, a questão financeira do formato sempre
foi o centro das discussões, sendo considerada por muitos ainda alheios ao funcionamento do formato como sua principal característica. Aqui fica minha pergunta, há algum problema em aliar custo a benefício? Ou seja, ter um formato eterno competitivo, relativamente mais barato que os outros?


O Pauper não nasceu por ser barato apenas, mas acabou por ser uma característica inerente do formato devido ao uso das cartas comuns. Inclusive, no Mol, muitas cartas eram muito mais caras que no papel criando discrepâncias que acredito que o sancionamento deve equilibrar, porém minha preocupação fica na relação oferta/demanda de cartas com tiragem relativamente pequena no Brasil (como Deserto e Cinzas as Cinzas) ou por jogarem em outros formatos também (como Remora Mistica e Altar de Ashnod), que já causou spike monstruosos e faltas de cartas recém válidas no formato. Espero que a avaliação da Wizards possa trazer reprints, seja lá em qual coleção for, para mitigar esse problema que pode se tornar algo que afete realmente a qualidade do formato.


Nos Challenge do Mtgo, o Pauper sempre teve muito apelo, sendo normalmente o segundo em quantidade de jogadores. O formato estava estagnado, diminuindo muito esses números do final de 2018 pra cá, tendo uma melhora considerável após os banimentos. Hoje, o Arena mudou um pouco o público do Mtgo, principalmente quem estava interessado em gastar o menos possível.

 

 

Vou levantar alguns pontos que tenho visto comentários e, que eventualmente já discuti com a comunidade, gostaria muito que você contribuísse expondo seu ponto de vista:
 

O Pauper nasceu para ser for fun – como não sabemos a origem ou criador exato do formato, temos que avaliar seu contexto e evolução. Temos um formato com power level considerável (Gitaxian Probe era permitida até pouco tempo, sendo restrita no Vintage) contando com staples de vários formatos, inclusive do Standard (Mercador Cinzento de Asfodelos era estrela no Monoblack Devotion de Theros e Thraben Inspector era muito útil no
Mardu Veículos quando entrou Kaladesh). Concordo com a ideia de o formato ser um “Legacy light”, possuindo um potencial enorme, com cartas e mecânicas por vezes esquecidas em formato tão amplo e poderoso quanto o Legacy. Com tantas possibilidades, o formato evoluiu, povoando lojas em quase todos os estados, tendo cada vez mais campeonatos e atraindo mais jogadores e produtores de conteúdo. A Ligamagic incorporou o Pauper em seu circuito, além de termos eventos paralelos em todos os grandes campeonatos de qualquer formato no país; além de um campeonato nacional, organizado de forma independente, que ano passado contou com 144 jogadores. Itália (fazendo campeonatos periódicos com mais de 200 jogadores) e EUA (com streaming e campeonatos locais incentivados por lojistas) enraizaram o formato dentro de suas comunidades, criando laços e jogadores que trocam informações diárias em vários meios de comunicação. Um formato que conquistou tudo isso sem ser oficial, é bem mais do que apenas for fun...


O sancionamento tirou a identidade do formato – logo acima, quando citei a parte financeira do formato, sei que essa seja uma face afetada do formato, mas não acredito que isso ocorreu devido ao sancionamento, e sim com o aumento do número de jogadores dos últimos três anos. Não podemos negar que o fato da CFB ter garantido eventos paralelos em todos os MF a partir de 2018, influenciou o preço do formato de forma definitiva, sendo a maior curva de impacto financeiro até então. Segue abaixo três das cartas mais caras do Monoblue Delver, mostrando seus valores dos últimos quatro anos:

 

 

 


Foi um apelo considerável, atraindo um número massivo de jogadores, perpetuando o que para mim é sua maior característica: o custo benefício. Entendam que este é um conceito relativo, onde peso a qualidade do formato em si em relação ao investimento necessário. O Pauper oferece cartas tão amplamente conhecidas, que representam tanto do Magic sendo difícil citá-las, oferecendo uma complexidade de jogo comparável tanto com Modern como Legacy; não é questão de comparação de formatos e sim do que eles oferecem aos jogadores. Tendo tudo isso de um lado, o fator financeiro é sempre uma preocupação, porém temos cartas com preços bem mais acessíveis, inclusive como staples comuns aos três formatos. Essa sim é a identidade do formato e cada vez podemos enraizá-la pois, a Wizards tem um leque enorme de possibilidades sabendo que agora tem uma tríade de formatos eternos, que podem e devem ser consideradas quando houver a concepção de uma nova edição.

 

O formato é previsível e só tem os mesmos decks – aqui tem uma série de situações que afetam diretamente isso, mas vou citar as que eu considero mais relevantes:

 

  • Base de mana: o formato só conta com lands duais que entram viradas, diminuindo a possibilidade de decks aggros com mais de uma cor;

 

  • Mágicas: o formato possui, provavelmente, a maioria das melhores anulações do Mtg, inclusive nas outras cores (além do Azul), sendo assim o jogo tende a se tornar mais arrastado, exigindo muito cuidado na troca/uso de seus recursos de jogo;

 

  • Mecânicas: Monarca e Storm são alguns exemplos de mecânicas disponíveis, que por vezes se parecem complexas, causando um efeito negativo em alguns jogadores. Afinidade e Proteção são outros tipos que criam jogos complexos, sendo necessário uma análise profunda de como seu deck precisa estar pronto;

 

  • Azul: com certeza merece um tópico exclusivo, sendo provavelmente a cor mais forte do Mtg. No passado, a maioria das cartas overpower eram azuis, não sendo diferente no Pauper, tendo aquele efeito de inevitabilidade, onde o jogo se torna controlado de uma forma ampla. É uma cor que te fornece uma amplitude por si só, mas aliadas as cores, cria inúmeras possibilidades. Porém o sancionamento tem modificado bruscamente esta realidade, como podem na imagem do MTGGoldfish com as cartas mais jogadas no formato:
 
 

 

Pode até parecer que avaliei de forma negativa alguns destes pontos (e sei que tem vários outros, que gostaria de abordar em outros artigos, como as criaturas disponíveis ou o fato da dominância de decks midrange ou control no formato), mas este não é o ponto e sim, que esse resumo exemplifica o que é o formato. Todos os outros tem características, quase que únicas como o Standard e suas rotações ou o Legacy e sua base de mana ampla e muitíssimo eficiente, que marcam como os seus jogadores surfam entre suas possibilidades. O formato está passando por uma enorme mudança e é até injusto avaliar apenas essas duas semanas de eventos para estabelecer como o foi irá se manter, porém é claro que as permanentes nevadas de Modern Horizons vieram para ficar e alterar a fora como vemos o formato. Tudo parece possível nesse inverno do Pauper... No próximo artigo, teremos mais dados para comentar mais sobre o estado atual do formato.


Por esses motivos e vários outros motivos que o Pauper é um formato que eu escolhi e acredito que muitos de vocês precisão dar uma chance a ele. Ele está passando por uma reformulação, quase um renascimento, onde avaliar seus pontos positivos e negativos será essencial para um formato com um apelo tão forte da comunidade. Sei que textos como esses podem ser controversos, mas meu objetivo é forçar uma análise mesmo, de forma que você, que joga outro formato procure entender o formato e não somente aplique um modelo pronto, para que possa ver o quanto ele é competitivo, economicamente viável e, acima de tudo, divertido, que no fim, é o que mais nos motiva neste maravilhoso jogo que é o Magic.


Aguardo ansioso pelo feedback! Um abraço a todos.

Heli Mateus ( helimateus)
Heli Mateus conheceu o Magic em 1998, mas começou a jogar em 2015 quando conheceu o
formato Pauper. Hoje é entusiasta do formato e produtor de conteúdo, principalmente como
podcaster sendo host do PauperView e cohost do RakdosCast.
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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- 02/08/2019 13:01

No youtube deve ter cara. Mais pauper e bem simples é só escolher um deck de algum tipo que se identifica. Da uma olhada nos eventos nos tiers dos decks que sempre ficam entre os tops.

Diferente dos formtados de T2 e modern não existe um deck que crie uma ''hegemonia''; todos decks de pauper sao capazes de grandes resultados. Além do custo beneficio ser bacana e os duelos são empolgantes.

(Quote)
- 02/08/2019 12:33
Existe algum artigo aqui falando como começar no pauper? Gostei desse artigo e to me interessando pelo formato
(Quote)
- 31/07/2019 14:30

O bom é que o pauper é barato em relação aos outros formatos. Se quiser ir pro UR skred a hora é agora, aproveitando que as snow-lands estão baratas (apesar do UR skred já não estar tão bem assim, tambem). O izzet blitz realmente não está nas melhores posições nesse meta, mas dá pra ir montando algo aos poucos. Se você gosta de combo como o blitz, o affinity é uma boa. Por ser 5 color é fácil adapta-lo as mudanças de metagame. Acho que você só iria aproveitar o temur battle rage e os dispel, mas vale a pena.

(Quote)
- 23/07/2019 13:36
To ligado, mas não queria trocar tudo, mas o mais proximo seria o UR Skred, mas ainda há muita coisa para comprar ... talvez um Mono Blue Delver ... mesmo assim vai metade do deck embora

(Quote)
- 23/07/2019 13:35

O delver é um deck bacana mesmo após a queda pasmar e jorro ainda é bom. Mais mano pauper voce monta decks barato e ajuda a crescer a comunidade rsss... Eu tenho um agro green, affinity e burn. Ja consegui ser campeao com os 3. Joguei varias vezes mais sempre quando nao ganhava ficava em top 5.

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