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O menino que flipava lobo
Blefar não te ganha partidas perdidas, mas saber quando blefar pode ser a diferença entre ganhar ou perder
01/09/2020 10:05 - 4.921 visualizações - 10 comentários
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O Jovem Rudá adorava jogar com seu Mestre de Caca da Derrubada. Ele gostava de usar a condição de flip do lobisomem(nenhum jogador conjurar mágicas por um turno inteiro) como arma, então instigava seus oponentes a agir dizendo: “Se não fizer nada, pra mim tá ótimo, o lobinho vira lobão”.


Com medo do flip, qualquer mágica aleatória era conjurada apenas para impedir o Huntmaster de virar Ravage, no entanto, em seu próprio turno Rudá comprava a do turno e passava, realizando o que tinha prometido e transformando o 2/2 em 4/4.


O mesmo ocorria ao contrário, dizia que iria desflipá-lo para fazer a ficha e ganhar a vida com as mágicas que economizava através dos turnos que passava em branco para flipar o Lobisomem.


Uma certa vez, Rudá blefou dizendo que em seu turno apenas iria desflipar o Ravage em Huntmaster, assegurando mais um turno de jogo, seu adversário não acreditou no blefe e pagou para ver. Na draw step o Rudá viu um terreno, que não contava como segunda mágica para o Huntmaster. Não conseguiu desflipá-lo e morreu por blefar demais.

 

Num jogo de Magic tudo é importante, a informação que você dá e a que você não dá. Tudo isso contribui para uma leitura de seu jogo. E a linha de pensamento do adversário será baseada no que ele sabe, ou pelo menos o que acha que sabe.


Quem joga Poker saber o quão importante o blefe é, nós até já falamos sobre isso aqui, no entanto, quem blefa demais, não blefa mais. Quando você deixa muito claro que tudo o que você diz ou age será o contrário do que fará, fica muito simples de prever seu próximo movimento, jovem Sasuke.

 

Não é preciso se expressar em palavras quando for blefar, assim como no exemplo do Rudá. Há alguns anos atrás, Martin Juza, no top 8 de um GP Selado acabou perdendo um jogo por excesso de blefe. No entanto, não foi porque ele blefava repetidamente na mesma partida, e sim por um blefe que é um dos mais comuns em uma partida de Magic: O de representar um anula.


Juza tinha uma Ilusao Aterrorizante que pretendia dar no Guardiao da Estirpe na curva 4 do adversário. Só que Martin Juza escolheu baixar a segunda ilha invés do segundo pântano no terceiro turno, ficando com UUB aberto invés de UBB. Como Dissipar era um counter mais comum de se usar no selado, o oponente achou que Juza estava com ele de pé. 


Resultado: o oponente jogou outras mágicas antes de fazer o Vampiro que ganha jogos sozinho, deixando a Ilusão Aterrorizante de Juza completamente inútil no late game e levando a partida facilmente.


Se Juza tivesse passado com duas pretas invés de duas azuis de pé, o Bloodline Keeper seria conjurado, anulado e o jogo seria outro. O Blefe entrou pela culatra e acabou custando a partida para o Tcheco.

 

Como eu disse, você não precisa tentar blefar para estar blefando. O caso do Juza ilustra bem isso. Quando blefamos, usamos nossas ações para sugerir algo que talvez não seja o que realmente esteja acontecendo/estamos pensando. Então o blefe é sobre tirar a pressão das suas costas e tacar na do outro jogador.


É bem comum usar jogadas convencionais como pseudo-blefes, jogando a responsabilidade para o oponente.


Jogando com meu querido Valakut, eu, muitas vezes, faço o Pacto do Invocador com apenas 5 manas para o oponente não saber se eu tenho a sexta fonte de mana, e se ele tiver um counter condicional como Forca da Negacao ou Perfurar Magica terá que decidir com menos informação. Se o Pacto tomar um Pierce eu pago e busco uma criatura de custo 3, se tomar a FoN eu sigo meu jogo, e aqui, por mais que a jogada tenha sido feita com um motivo bem claro, a responsabilidade de decisão vai para o outro lado da mesa. Usando o mesmo deck de exemplo, eu posso fazer um Rastreador Incansavel com 6 manas, sem baixar o land drop. Essa jogada coloca uma grande ameaça na mesa ou tira a atenção de interações, principalmente counters, da Metapaisagem. Aqui o oponente tem a opção de anular o tracker e correr o risco de morrer para um Scape ou deixar o tracker resolver e ser enterrado em card advantage. Um blefe que você não precisa mudar de linha de jogo para fazer e que, se der “certo”(tracker resolver) é possível apenas baixar o terreno e passar o turno. Win, Win.

 

Jogadores experientes, os famosos veiácos, tendem a conhecer os blefes mais comuns: 3 manas para anulas no Standard, deixar a mana exata de pé para um removal, jogar a “pior” carta da mão para puxar um anula invés de fazer a melhor carta. São conceitos bem conhecidos e que a maioria das pessoas com uma certa experiência vão pensar duas vezes quando verem representações dessas jogadas em sua frente.


As coisas mudam quando enfrentamos um jogador “novato” ou “sem experiência”. Ele pode não entender que seu descarte na mágica significa que você tem removal para a criatura e jogar de maneira que te confunda. A verdade é, o blefe só funciona para quem tem esse conhecimento prévio do jogo/partida. E um grande amigo meu me dizia: Você não entra numa briga se não tem certeza se vai bater ou apanhar. Aqui é a mesma coisa, na dúvida, não blefe, pois se o blefe não for bem interpretado, a mensagem recebida de volta pode te prejudicar mais do que ajudar.

 

Em um GP,  você não tem como saber o nível do oponente assim que senta na mesa, principalmente nas primeiras rodadas.


Assim, é preferível você se concentrar para fazer a melhor jogada num vácuo do que tentar o next level do next level, pois este pode não encaixar direito e a partida ir para o beleléu.


Evite levar o jogo para a firula se pode fazer o arroz com feijão. No final do dia não existe gol feio, feio é não fazer gol. E com isso em mente é só jogar o seu melhor Magic e tornar suas escolhas normais as armas do jogo invés de tentar fazer a trick do milênio que afunda a partida.


O exemplo de blefe que talvez não funcione contra jogadores menos experientes é o da Terapia da Cabala. Uma vez, quando eu estava começando no Legacy, fizeram uma Therapy dando em alvo mim. O objetivo era nomear Tempestade Cerebral mas como eu não joguei a minha em resposta, o oponente pensou que eu não a tinha. Claro que isso pode ser visto como uma trick next level, mas no meu caso foi só inexperiência, que fez o dono da Therapy nomear Forca de Vontade não ver nenhuma, tentar combar e eu encontrar a FoW com o Brainstorm que ele iria nomear. A minha jogada errada por inexperiência bagunçou a sequência dele e fez com que um jogo praticamente ganho fosse ponto marcado pelo outro time apenas por um blefe errado/mal interpretado.

 

Resumo da ópera:

 

● Jogadores menos experientes tendem a entender menos blefes. Quando não conseguir “medir o nível do adversário”(não entendam como uma ofensa) evite blefar.

● Alguns blefes podem ser interpretados de maneira errônea e levar a partida para um lado que não gostaríamos.

● Blefar te ganha alguns pontos na partida, mas não deixe os jedi mind tricks te desfocar em que o importante é jogar um Magic limpo. Vitória é vitória, com ou sem blefe.

 

Espero que tenham gostado, deixem nos comentários abaixo qual situação que um blefe que você presenciou levou a partida para rumos onde não deveria ter deixado!


E não se esqueça de participar da minha promoção no canal do Youtube onde vou sortear uma Box de Mystery Booster! 


 

 

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
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- 05/09/2020 15:15
Bacana o artigo pq recentemente vi o Reid Duke jogando de Jund ou DS, e lembro do cara ter as manas para fazer a colonata celestial e matar ele, mas como no turno dele ele comprou uma land e não desceu, tinha a possibilidade dele ter um fatal push na mão, e obvio que quando ele fizese a colonata ele a mataria, perdendo o jogo, mas se desse certo, ele ganhava. Resumindo, a land que o Reid não desceu deu mais um turno pra ele, pois o cara ficou com medo e não atacou com a land. O reid perdeu do mesmo jeito, mas ganhou um turno, que no magic faz toda a diferença.
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- 04/09/2020 15:44
acho q segurar dead card na mão pra simular uma resposta é uma estrategia excelente é o inicio do blefe, o efeito que isso pode gerar depende unicamente do fator medo de seu oponente. Uma vez quando jogava o cara falou: vou fazer se vc tiver a resposta melhor pra vc, se nao tiver melhor pra mim! Afinal quem tem medo de cagar nao come. E isso pra mim vale para a vida toda... o medo é a raiz de qualquer erro pq ele tira o foco. O medo de uma resposta nao te deixa jogar dando tempo para o "blefador" achar oque ele precisa
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- 03/09/2020 17:25
O negócio é sempre pagar pra ver. Claro. Tomar um arrefecer no agente da traição doí. Mas jogar em volta de medo, pra mim, simplesmente não dá.
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- 03/09/2020 13:15
Pessoal foca sempre muito em azul como obrigatoriedade de blefar, mas eu digo que todo deck que roda instant ganha MUITO de um blefe bem dado
Perdi as contas de quantas vezes segurei uma montanha aleatória na mão pra simular algum removal pro oponente. O blefe é um jogo dentro do jogo
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- 03/09/2020 08:59
Quem joga de azul ou qualquer control tem a obrigatoriedade de blefar em algum momento da sua vida. Já segurei ilha na mão com terrenos em pé para o oponente pensar que eu tinha um counter. Mas isso é o básico do básico do blefe. Obviamente que é muito mais complexo como salientou o autor do artigo, pois um blefe mal dado pode te deixar em pior situação do que antes.

Mas uma coisa é certa: jogar Magic, assim como poker, truco, etc., é sobretudo pensar no que o oponente pode ter em mãos e na estratégia que deve seguir, muito mais do que seguir uma linha de jogo pré determinada do seu deck. As vezes um control precisa ser agro, um combo necessita virar control e assim sucessivamente tendo em vista cada situação particular.
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