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Hora do Pauper: Precisamos conversar sobre o TRON
Um dos pilares do formato continua subindo. Será que o Tron é imbatível?
02/09/2020 10:05 - 6.869 visualizações - 38 comentários
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E aí pessoal, tudo bem? Aqui quem vos escreve é o Heli e hoje venho fazer uma análise do impacto do Tron no metagame do Pauper. Sabemos que o deck existe competitivamente desde o banimento de Posto das Nuvens em 2013, mas nos últimos três anos vemos que seu padrão de jogo e eficiência precisam ser discutidos. O Tron carrega essa alcunha de ser o mais odiado por ter um plano de jogo lento, por vezes até arrastado, criando um cenário onde ele controla todas as variáveis do oponente para então começar a finalizar e isso cria uma antipatia tão grande que até quem joga com ele entende. Ele cria locks pesados e difíceis de lidar, deixando as partidas monótonas e sem muitas interações, pois sempre ele tem uma resposta.


Suas possibilidades são inúmeras e as edições recentes só aumentam as opções do seu arsenal. O formato oferece várias correções das cores de mana, facilitando o uso de cartas chave, que tornam a build focada e coesa. A recente adição de Bonder's Ornament só reforçou esse modo de jogo, oferecendo uma opção diferente do Prisma Profetico, pois agora temos duas opções que além de corrigir as cores, ainda podem fornecer vantagem de cartas. Essa amplitude torna o deck totalmente reativo, onde esperar a ação do oponente e usar/procurar uma resposta aumentam as chances de vitória, se compararmos com outros big mana que procuram criar seu jogo, sem se preocupar com o plano do oponente.


Outro fator importante que faz o Tron ser um deck tão forte é sua vantagem de cartas. Tendo uma quantidade de mana disponível maior que a do oponente, é possível usar mágicas com custo de mana maior, porém que geram vantagem de cartas, seja com os artefatos já citados, com loop de Barreira Mnemonica e Bruxuleio Fantasmagorico ou até cartas com Recapitular, como Ensinamentos Misticos. O deck tem potencial para vários dois para um, criando situações onde você para exaurir os recursos do seu oponente, possibilitando um controle sobre as ações dele, diminuindo as chances de reação. Possuimelhor late game do formato, forçando jogos longos e mesmo contra arquétipos agressivos ele pode demorar para definir.


Por último, quero destacar seu efeito de anti jogo, negando recursos ou simplesmente neutralizando as formas de agressão de seus oponentes. Possuindo algumas formas de evitar dano de combate com Paz Momentanea, segurando o ímpeto dos primeiros turnos, porém seu destaque nesse quesito fica com o Dignitario Corno-de-Pedra. Pular a fase de combate faz com que decks agressivos apenas observem o jogo e outros mais lentos precisem gastar vários recursos para se estabelecer novamente no jogo, principalmente pelo lock imposto por essa jogada.


Visualizando todos esses ângulos, veremos alguns números para entender se todos seus recursos são traduzidos em vitória. Os dados que irei apresentar estão em uma planilha montada pelo jogador pproteus e alimentada pela comunidade, durante e após cada Challenge no MTGO.

 

 

Esses dados consideram apenas os arquétipos com mais de 1% de representação e contempla todos os Challenge (Championship e Showcase também) desde o banimento do Astrolabio de Arcum.


Quando olhando essa tabela, vemos que a taxa de vitórias do Tron é praticamente igual a de outros três decks, então porque ele seria opressor? Bom, inicialmente pela quantidade absoluta, que é quase 50% maior que o segundo colocado, deixando-o com aproximadamente 12,5% do metagame. Vamos ver outros números:

 

 

Com esses números podemos entender o quanto o Tron tem sido eficiente no metagame. Ele não somente é o deck mais jogado, mas também o mais vencedor e com maior consistência.


No dia 13/07/20 o Mapa da Expedicao foi banido, junto com Santuario Mistico e o texto oficial da WotC (que pode ser lido aqui) disse isso: “Essa tendência, combinada com o feedback da comunidade, nos levou a observar o papel dos decks de Tron no metagame do Pauper. Apesar de poder ser algo bom para a diversidade do metagame ter um arquétipo que joga de maneira diferente de muitas outras estratégias, estamos vendo alguns efeitos negativos no jogo repetitivo, padrões de jogo recursivos e estados de jogo trancado. Isso coloca pressão nos outros decks para poder lidar com esses estados de jogo ou tentar a corrida contra decks de Tron, o que de modo geral restringe espaço viável na montagem de decks.”


Realmente a avaliação de se estilo de jogo está correta, mas seu núcleo não foi afetado. Aliás, com a entrada de Bonder's Ornament ele se tornou ainda mais recursivo e a saída do Mapa da Expedicao pouco afetou sua montagem, o que já era esperado por boa parte da comunidade, já que a carta nunca foi unânime nas listas e diferentemente do Modern, não há necessidade de fechar o trio de Urza no turno três. Claramente a intenção não atingiu seu objetivo e na minha opinião, acabou sendo mais benéfica ao Tron já que o UR Skred perdeu sua peça principal do lock de geração de recursos, que o fazia ser um oponente a altura.


Considerando todos esses fatos e evidências, acredito que o Tron precisa de um estudo em relação ao metagame e a estabilidade do formato. Claramente temos um arquétipo muito eficiente e que consegue criar situações de jogo impossíveis de sair, aliando recursão e até disrupção, trancando seus oponentes até sua vitória. Não podemos pensar somente que é o deck mais jogado, mas tem a maior taxa de vitória em eventos relevantes, ou seja, ganha quando precisa ganhar. Sabemos que ele exige um bom piloto, que saiba maximizar suas jogadas e levá-lo até o limite das decisões, entretanto o Tron faz mais do que isso. Suas interações são difíceis de serem lidadas e não temos cartas de sideboard boas o suficiente para resolver, apenas para atrasar e torcer para que seu deck tenha o sequenciamento correto para que você tenha chances de vencer.


O Tron é imbatível? De forma alguma. Porém me preocupa o fato de um dos pilares do formato continuar a ser tão resiliente, ao ponto de tomar um banimento e resistir, ou pior, ter chance de receber cartas que claramente não foram feitas para ele e tirar uma enorme vantagem disso. O fato do Tron estar no formato desde muito tempo, exige carinho e atenção para que uma decisão seja tomada e ela precisa vir. Seja de uma análise profunda de sua proposta de jogo, visando estabelecer um limite entre o que aceitável e o injusto ou que seja estudada formas mais eficazes que possam lidar com seu plano de jogo. A realidade é que precisamos que o deck seja entendido e que algo seja feito para que o formato possa respirar em um metagame diverso e com maiores liberdades criativas e uso de mais cartas dentro do universo do Pauper.


E o que você acha sobre o deck? Acredita que ele seja justo e nada precisa ser feito? Acha que algo precisa ser banido? Ou entende que ter opções de sideboard melhor pode ser a melhor opção? Deixem seus comentários e vamos discutir mais sobre esse patrimônio que é o Tron.

 

Galera, vou ficando por aqui e espero que tenham gostado da análise. Um abraço a todos e até mais!

Heli Mateus ( helimateus)
Heli Mateus conheceu o Magic em 1998, mas começou a jogar em 2015 quando conheceu o
formato Pauper. Hoje é entusiasta do formato e produtor de conteúdo, principalmente como
podcaster sendo host do PauperView e cohost do RakdosCast.
Redes Sociais: Facebook, Instagram, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 15/09/2020 16:01
Eu jogava de tron a um tempo atrás e uma coisa que aconteceu especificamente comigo foi que eu não consegui achar a barreira e tive que substituir temporariamente, meu jogo foi completamente comprometido, porque era difícil fazer loop com o archeomancer, eu tive que corrigir isso usando 3 pulse of murasa, mas ainda assim se o deck inimigo fosse rápido, tinha muita chance de perder por depender demais de fazer esse loop. O que cria mais recurso no deck é a barreira, poucas remoções afetam ela.
Um banimento no trio de urza faria com que o pauper se tornasse um formato de decks agressivos, jogos que duram menos do que 2 minutos.
A wizards deveria ter experimentado banir a barreira, (apesar de agora ter ephemerate) acredito que rate de grave e uma remoção seriam o suficiente para impedir o tron de responder a tudo e ainda abriria caminho para outros decks...
Fora que o mapa permitia ter trons diferentes. O mono G, o coloress, que apesar de não serem tão consistente, se bem jogados são também potenciais decks e que também podem tornar o pauper um formato diversificado.
O fato da wizards estar mais de olho no pauper me deixa otimista, pois é um formato capaz de atrair muitos brasileiros, mas os bans errados são um tanto quanto estranhos já que eles tem profissionais para avaliar todo o parâmetro.
(Quote)
- 08/09/2020 15:47

Ele adicionou Walls num segundo comentario

(Quote)
- 08/09/2020 14:26

De onde você tirou esses win rates?
Fractius não tem um jogo fácil contra Tron, e não tão cedo vai ter. Bladeback ajuda bastante, mas ainda assim é um jogo bem complicado. Dessa sua lista, o único que tem uma certa folga contra Tron é o Affinity. Todos os outro sofrem bastante por conta do lock que o Rhino gera junto com os blinks.
Outro deck que sai bem contra Tron é Walls, e não esta na sua lista.
Não considerei LD porque é um deck mais "legal" que competitivo.

(Quote)
- 07/09/2020 09:24

Cara não da nem pra comprar Flicker com Displace nem de perto.

(Quote)
- 06/09/2020 10:29
Bans que afetariam o trono hoje. Bonder's ornament, stonehorn dignatary, ghostly Flicker/ephemarate, mulldrifter. Banir qualquer um desses afetaria bastante a consistência do tron. E a prioridade dos bans seriam nessa ordem que coloquei. Minha opinião isso.
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