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O Magic e o Among Us
O que Magic e Among Us tem em comum? Vem descobrir comigo, não sou o impostor, juro
19/10/2020 10:05 - 5.972 visualizações - 18 comentários
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Eu achei que Zendikar Rising seria a maior febre do segundo semestre, ahhhh, como eu estava errado. A febre entre os JOVENS é um joguinho Indie de 2018 chamado Among Us, onde um grupo de até 8 pessoas deve fazer tarefas, realizando operações diárias em uma nave espacial enquanto até 2 pessoas serão os impostores, visualmente idênticos aos tripulantes, mas com a vantagem de poder viajar dentre os dutos de ventilação(conhecido como Venting/Ventar) e de matar outros integrantes. Toda vez que um corpo sem vida é encontrado, a reunião entre os membros é convocadas e os jogadores usam sua lábia para convencer os outros de que são inocentes, seja isso verdade ou não. Abre-se um voto secreto para expelir alguém da nave, o mais votado(no caso, o maior suspeito de ser o impostor) sai voando para o espaço sideral. Os impostores ganham se sobrar apenas um tripulante além deles e os tripulantes ganham se expelirem os 2 impostores ou realizarem todas as tarefas antes dos impostores matarem todo mundo.


Talvez você esteja tentando entender o que astronautas e impostores têm a ver com cartas de Magic. Com CARTAS de Magic, nada, mas com JOGAR Magic, Among US tem muitos pontos em comum, pontos que podem mudar sua visão de uma partida de Magiquinho.

 


 

Em Among as informações são secretas, igualzinho como é no Magic, o que quer dizer que você só terá as informações que arrancar do oponente ou que ele revelar(Um impostor assassinando na sua frente no Among e um jogador com cartas reveladas por uma Centaura-cacadora de Crufix no Magic). Essa escassez de informações pode ser usada como arma, praticamente qualquer ação no jogo significa alguma coisa além da própria ação, e é entendendo o que está escrito nas entrelinhas que você pesca essa informação. não é preciso ter PhD em Metaforando para detectar um Impostor no Magic.

 

Descartes como Capturar Pensamento e Inquisicao de Kozilek podem te gerar a informação necessária para entender o gameplan adversário: Ele está de combo? Qual seria a sequência ideal respeitando o que você viu? No entanto, você também pode usar o descarte do seu oponente a seu favor. 

 

Imagine que sua mão é Mistico Litoforjador, Caminho para o Exilio, Optar, Comando Criptico com 3 terrenos quaisquer e logo no primeiro turno um oponente te dá um Seize. Nesa mão, com exceção do Opt, todas as cartas têm alto impacto em suas matchups específicas, então, de acordo com o que for removido da sua mão, você não só pode entender qual deck está do outro lado, caso você ainda não saiba, mas também quais cartas estão na mão do oponente. Imaginando que você saiba que é um Shadow pois viu Aparicao de Estrada, se a carta removida for a Stoneforge, você pode presumir que não há removals do lado de lá, uma vez que o oponente está no play, e sua Stoneforge entraria no turno 2, até um removal de custo 3 como Comando de Kolaghan estaria na curva para matar a Gaga, se o Path for descartado, dá pra imaginar que a mão dele está agressiva, e que mesmo que não tenha removal, um Goyf ou Shadow podem sobrecarregar o Batterskull 4/4, se o Comando for o alvo, é possível imaginar que ou o oponente está jogando para o long game, ou ele pode ter outro descarte(possivelmente uma Inquisition) para tirar outra carta nos próximos turnos. Assim você usa a informação adversária a seu favor, mesmo que a ação(tomar descarte) não seja bom para você.


Justamente como em Among Us, as informações dadas podem ser usadas para enganar. Ainda usando o exemplo do descarte, se fosse o contrário, você pilotando o Shadow contra um UW Blade, é plausível usar a sua decisão do descarte para passar a informação errada, induzindo o misplay adversário. 


Vendo pelo lado do Blade, tirar o comando pode querer dizer que já existe uma resposta para a Stoneforge, e é aí que você pode criar um mind trick, deixando a Gaga na mão, vendo se o oponente vai querer pagar pra ver se você realmente tem o removal, ou se vai segurar até um momento mais safe. Se ele pagar pra ver, você tem X removals e Y descartes que lidam com a situação, e se ele segurá-la na mão, você ganhou tempo de graça.

 

Uma estratégia bem comum entre os Impostores em Among Us(AU) é entrar pelo sistema de ventilação e sair em algum lugar que seja longe de hoje o corpo assassinado ficou, o famoso venting(ou ventar, em português), desta maneira quando encontrarem o corpo no chão você não estará perto para te acusarem. No Magic eu chamo isso de ilusão imediata, que é a ação que você toma que tem consequências imediatas no jogo, que é um pouco diferente da situação do Seize que falei ali em cima. 

 

 

O objetivo aqui é gerar uma pressão no oponente em que ele aja de maneira errada e imediata, gastando mais recursos do que deveria ou de maneira errada. 


A maneira mais rápida e sem esforço de fazer isso começa já no primeiro turno, com seu land drop. Alguns terrenos jogam em múltiplos decks, como Ilha, Planície, mas outros pertencem apenas à uma parcela de arquétipos, se você ver uma Torre de Urza você não sabe se é Green Tron, Eldratron ou Blue Tron, mas tem certeza que é Tron, no entanto, se ver um Lamacal Ensanguentado pode ser tanta coisa que é melhor não tirar conclusões precipitadas. E é por isso que eu sempre aconselho a jogar com as fetchlands que podem enganar, se você vê uma Floresta Tropical Nebulosa imagina que é algum tipo de control, quando o oponente estoura a fetch e busca uma Clareira das Cinzas  você percebe que era um Valakut e foi ludibriado. A técnica de ilusão imediata funcionou, e só por essa jogada de baixar uma fetch UG você pode ter pego uma carta que não pegaria em um Opt ou pegou o equipamento errado com a Stoneforge.


Essa tática pode ser usada de diversas maneiras, e não é só no primeiro turno. Uma vez eu estava jogando Legacy e precisava recapitular um Veredito Supremo com meu Snapcaster, mas sabia que havia um Pasmar do outro lado, e se tomasse no Snap eu não teria mana para fazer a cólera. Então, para desviar a atenção, eu fiz o Snap sem baixar o sexto land drop, fazendo o oponente acreditar que eu faria alguma coisa de 1 mana do grave, ele deixou resolver, dei alvo no Veredito, baixei a sexta land, recapitulei a cólera e estabilizei o jogo, algo que não teria acontecido se eu tivesse simplesmente baixado o sexto terreno antes de fazer o bixo.



Se você já assistiu The Thing do John Carpenter já sabe o que é ficar noiado tentando encontrar o impostor entre nós. E assim como na vida real, essa noia, além de desnecessária pode te levar a tomar decisões erradas(quem nunca ejetou um inocente sem querer?). Em um jogo de Magic é preciso entender que em alguns momentos você não pode querer dar uma de Sherlock Holmes, pois se o oponente perceber isso, ele começará a soltar pistas falsas, e você ficará com o sentimento de “eu sei que ele sabe que eu sei que ele sabe” e usará o duplo, triplo, quádruplo negativo em toda ação que o adversário tomar, tentando prever a mensagem que ele realmente quer passar. Esforço desnecessário que poderia ser aplicado apenas em jogar um Magic de qualidade sem querer dar as tricks geniais, apenas fazendo o arroz com feijão e levando os 3 pontos pra casa, afinal de contas, não existem style points no jogo. Se você ganhou lendo a alma do oponente com uma trick ou se comprou a carta que precisava no momento certo, são 3 pontos pela vitória, 1 pelo empate e 0 pela derrota.

 

 

Nas reuniões do AU geralmente não se sabe quem é o impostor, portanto, os Impostores usam esse momento para mentir e dar pistas falsas, fazendo com que os crewmates acreditem que outro crewmate é o impostor e ejetem um inocente invés de um culpado.


Nem sempre será simples dar essas pistas falsas durante uma partida, mas assim como a trick de baixar um land drop no primeiro turno pode enganar um oponente, ações que você NÃO toma também podem ser vistas como pistas. Um bom exemplo é o BR Scourge do Modern, que usa branco no side para Path e Desgastar // Rasgar, se você não buscar/baixar a land branca no g1, o oponente não terá certeza que você consegue lidar com criaturas pró-black no g2, sendo surpreendido por um Path no jogo sideado. Mas não é sempre o blefe utilizando a decklist que funciona, mesmo com decklist aberta é possível enganar o oponente. Imagine um Jund que tem 2 raios na mão, e sabe que vai precisar de ambos para matar uma criatura grande como um Gurmag Angler que não toma Fatal Push. Se o objetivo é fazer com que o adversário não desconfie que você tem 2 Bolts, você pode evitar baixar lands vermelhas, desta maneira ele não terá 2 bolts no radar, já que você não consegue fazê-los com apenas 1 fonte vermelha, assim você deixa o oponente tomar a decisão de fazer o Gurmag, achando que a costa está limpa, para você baixar, em 2 turnos separados, as 2 fontes vermelhas e dar os dois bolts que você tinha desde o começo do jogo, utilizando um blefe arriscado(você pode tomar um descarte, counter), mas que obriga o oponente a tomar a decisão para depois você se adequar à jogada dele, e não o contrário.

 

O Blefe verbal também pode ser usado, mas apenas se o oponente entender o que isso quer dizer e se você tiver certeza que sabe blefar, caso contrário o seu blefe sairá pela culatra. Na época que Faccao Vendilion era muito jogada eu dava uma Vendilion no g1, e depois, no G2 ou G3 eu passava o turno, e quando o oponente desvirava eu falava: para na draw step, indicando que eu teria um efeito instantâneo, possivelmente a Clique, que fazia oponente jogar a melhor carta da mão e tomar um counter, com medo de tomar a fada no próximo turno ou que fazia ele saber que eu não tinha uma Clique, mas acabava caindo em outra trick(geralmente Snapcaster ou Comando Críptico no meio do combate), passando uma informação querendo dizer outra coisa totalmente diferente.

 

Então vamos recapitular para o melhor entendimento, meus Amongueiros:

 

● Antes de fazer perguntas, use as informações dadas gratuitamente para entender do que o oponente está e qual o possível plano de jogo dele(Ex: Qual terreno baixou e se aquele terreno/primeira mágica jogada, jogam apenas em alguns poucos decks).

 

● Usar suas ações(ou falta delas) como informação para que o oponente acredite que tenha conhecimento total da mesa ou da sua mão(Ex, não baixar land drop pré combate para parecer zikado ou não dar um counter numa carta muito importante quando você já tem a resposta pra ela na volta).

 

● Não se desesperar em tentar “solucionar o caso”. Não dê tanta importância para os sinais passados pelo oponente se eles parecerem confusos, jogar o Magic na sua vai te garantir mais jogos num vácuo do que tentar ler a alma do oponente com seus poderes Jedis e possivelmente errar a leitura, levando a uma jogada errada.

 

● Ações físicas como blefe utilizando a fala ou fingir que vai jogar uma carta da mão e em seguida volta(dando a entender que tem múltiplos land drops na mão) podem ajudar a passar uma mensagem errada, desnorteando o receptor da mesma, que pode cair cada vez mais fundo no buraco do coelho, direto para a sua armadilha.

 

 

Assim como em Among Us, o segredo do blefe no Magic não é criar histórias mirabolantes tentando explicar suas ações, mas sim passar e receber as informações IMPORTANTES, tanto para ler o plano do inimigo como para enganar o bobo na casca do ovo. Se houver dúvida se estão caindo na sua armadilha ou se você está caindo na armadilha de outros, faça o clássico, jogue o Magic moleque, o classicão, sem ficar se preocupando em ser Sherlock ou Enola Homes. No fim das contas o importante é ganhar a partida, e não dar o golpe do milênio. Fiquem bem, meus queridos, sigam meu canal no Youtube e até a próxima!

Bruno Ramalho ( Bruno_Orelha)
Bruno Orelha é amante das estratégias de terrenos como Lands, Death and Taxes e Valakut. Capitão do Valakuteam e Youtuber nas horas vagas em www.youtube.com/brunoears.
Redes Sociais: Youtube, Facebook
Comentários
Ops! Você precisa estar logado para postar comentários.
(Quote)
- 23/10/2020 20:15

Na vdd é você que entende pouco de marketing.

É obvio que o fim do artigo é pegar o assunto em alta e juntar com o magic pra gerar engajamento, o post foi extremamente forçado por tentar achar aspectos em um jogo que não dividem nem o mesmo formato in-game.

Seguindo o mesmo raciocínio logico, magic tem pontos em comum com League of Legends, Batalha naval e '' A cidade dorme'' (3 jogos completamente distintos) mas ambos compartilham a estratégia de blefe e deduções em base das informações in-game.

(Quote)
- 21/10/2020 21:19

Até que enfim pessoas que entenderam a proposta do artigo. Pelos outros comentários, dá pra entender que o povo andou faltando as aulas de interpretação de texto na escola ...

(Quote)
- 21/10/2020 21:13
achei incrivel. Enxergar magic em outras coisas é muito bom. A analogia com o jogo é bem interessante pelo fator informação, blefe, o famoso magic jogado sem-bola (ou sem cartas)

se esta foi a intenção do artigo está de parabéns, ficou muito bom mesmo.

Como sempre, escrevendo sobre um magic bem mais tecnico
(Quote)
- 21/10/2020 20:50
Achei a comparação muito boa!!

Em várias situações o Among Us, assim como o Magic, se comporta como um jogo cooperativo-competitivo, que vai necessariamente ter blefe e política (por mais que não verbal!), por mais que muitos prefiram mais o aspecto competitivo do jogo!
Esse lado "aparentemente" cooperativo do Magic é que mais me anima a jogar, principalmente multiplayer! :D
(Quote)
- 21/10/2020 20:28

KKKKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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