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O Preço da Verdade e da Mentira no Magic
Na vitória e na derrota aprendemos.
11/06/2021 10:05 - 6.217 visualizações - 62 comentários
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Olá pessoal, é meu primeiro artigo aqui e gosto de contar histórias por  onde passo. Alguns gostam de contar histórias com verdades, outros com  mentiras. Mas se essas mesmas histórias fossem sobre algo que aconteceu  no seu jogo? Que lições tiramos delas? Vou contar duas delas.  


Estava na POINTHQ de Ipanema, que hoje não existe mais, e iria iniciar  a segunda rodada de um belo FNM. Sabe aquela coisa onde você é educado,  e onde se segue as formalidades iniciais do jogo mas que às vezes você  “sente” que tem algo errado.  


Sempre acreditei que, mesmo na época sendo um jogador fraco  (admitido!), sempre joguei por prazer de amar o jogo e não pelo preço da  vitória a qualquer custo. Jogo porque gosto e acredito nisso, mas claro que  gosto de ganhar (e quem não gosta!) e fazer amigos.  


Era a segunda rodada, e na primeira havia empatado. Logo no início do  primeiro game tentei ser educado com meu oponente, falando coisas do tipo  “nunca vi você por aqui” e por aí vai. Logo de cara tomei uma resposta  grosseira que foi mais ou menos assim: “sou profissional e comigo magic se  joga calado. Se vai ficar falando e me distraindo, jogue logo !#$#!!!”.  Assustei-me, pois ele foi grosseiro ao extremo. Não discuti e tentei  apenas argumentar, mas recebi outra resposta grosseira e optei por me calar  e somente falar o essencial, e mesmo assim o “indivíduo” continuou me  metralhando com coisas do tipo “anda logo”, “não sabe jogar idiota”, “não  viu não Zé Mané”. Optei por entregar o jogo no primeiro game e concedi no  segundo. Perdi o prazer de jogar aquela partida. Isso não é jogar, era tortura.  


É pecado querer ser educado? É pecado querer ser honesto? Afinal estava  num FNM cujo foco é aprender a jogar e fazer novos amigos. Ganhando ou  perdendo tentava me divertir, mas observei que meu oponente não tentava  isso. Tentei não mentir para mim mesmo. Às vezes dizer “não” para algo  é uma vitória. 

 
A ironia é que meu oponente que havia empatado a primeira rodada  acabou perdendo na terceira e optou por desistir antes da quarta rodada. Saiu  reclamando e maldizendo de tudo: loja, jogadores, organização, mesa,  banheiro e muito mais. Ele saiu infeliz. Porque seria?  


Mesmo na 4a rodada onde finalmente ganhei sai feliz, não por ter  ganhado, mas porque estava com amigos e jogando feliz. Felicidade atrai  felicidade. Infelicidade atrai infelicidade conclui. O mais importante é que  não menti para mim mesmo. 


Agora em outro tempo mais adiante, já estava na BOLSA DO INFINITO e já havia ganho um FNM lá (coisa rara), e na época, como hoje, me  considero um jogador mediano com muita coisa a melhorar.  


Estava lá na Bolsa tendo um FNM não muito bom, e acabei nesse dia  ganhando duas e perdendo duas. Nesse dia fui jogar na segunda rodada com TiagoSegundo Sol”, jogador excelente que estava de controle e eu de  Midrange. O meu baralho estava com alguns problemas que não tive tempo  de analisar, mas resolvi jogar mesmo assim pela diversão. E tudo foi ótimo.  


Nesse meu jogo, logo no início resolvi fazer algo que nunca fiz, mas que  já vi outros jogadores fazerem: mentir para meu oponente, ou melhor, blefar,  não para tentar ganhar mas para alongar o jogo. Tentei blefar e consegui.  


Quando percebi que em 4 a 5 rodadas iria perder, fiz umas caras e bocas  de felicidade e de surpresa para “ludibriar mentalmente meu oponente” (falei  bonito. Ah! Ah! Ah! Ah!). Ele jogava de forma fria e calculada, mas quando  viu minhas e bocas ele “paralisou” e travou com seu próprio jogo, passando  a jogar de uma forma insegura. Claro que eu era educado e conversava com  ele sempre, mas dessa vez fiquei mais calado e mais sério. Percebi que ele  ficou inseguro de forma clara. Perdi o primeiro game. Claro que meu  “teatro” incluiu até gestos sutis que indicavam que minha mão ou meu jogo  estavam ótimos.  


Fomos para o segundo game, mas o baralho dele era superior ao meu  naquele jogo, mas ele continuou inseguro e acabou fazendo algumas jogadas  erradas que poderia ter dado a vitória mais rápida a ele. Ele ganhou por dois  a zero. Mas fiquei feliz. Porque?  


Ao recolher o playmat contei-lhe o que fiz e dei muita risada e ele  também. Ele me contou que consegui entrar em sua “mente” de uma forma  diferente, mas que no fim aprendemos juntos. Foi muito legal.  


Qual a lição? Mentira e verdade convivem lado a lado e temos de tomar  cuidado para não magoar as pessoas. Eu blefei e acabei aprendendo. Eu não  menti e também aprendi. O mais importante é que fui eu mesmo procurando  uma coisa simples: felicidade através do Magic sem magoar ninguém.  Ganhar não é humilhar seu oponente. Perder não é desqualificar o seu  oponente e nem mentir. Na vitória e na derrota aprendemos.  


Conto algumas outras histórias no meu romance, Comportamento  Aleatório. Quem leu gostou e tem na Amazon. Até breve.  


Obrigado galera e “vamo” que “vamo”.

 

Leonardo da Matta Rezende Moli ( lm7k)
Leonardo Molinari é nerd, adora magic (livros e cartas), consultor de
QA/Testes, autor de vários livros técnicos, palestrante, e autor do romance
“Comportamento Aleatório” publicado pela Alta Books em fev/2021 que é

um suspense que mistura mundo o nerd (quadrinhos, lojas, magic, super-
heróis, e mais) com mundo de TI.
Comentários
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- 16/06/2021 12:35

Galera,
acho lindo e sério essa troca de ideias e pontos de vista sobre ser toxico, mesmo não sendo foco do artigo. Isso é o lado bom dos artigos.

Me comprometo em meu 4o artigo falarei sobre O JOGADOR É TOXICO. O titulo pode não ser esse galera. Meus artigos 2 e 3 já estão na fila para serem publicados (acredito que vocês vão gostar). Obaaaaaaa!!!! rsrs. Essa é uma discussão que por si só merece um artigo. Vocês mexeram comigo. Sério... Vou tentar aprofundar a questão. Tem coisas que eu vi e vivi que vocês ficarão chocados.

O Jogador toxico eh ruim. Mas pode ser bom dependendo do caso. Ou não? Tudo depende...

Valeu. Abs

Leonardo Molinari

(Quote)
- 16/06/2021 10:39

Eu com o meu grupo de amigos fazemos esse acolhimento também, e mesmo assim a gente encontra esse tipo de jogador tóxico entre iniciantes... só que também é uma vez só: o cara é boçal na primeira vez que chamamos pra jogar com a gente, a próxima vez que vermos ele na loja e ele estiver sozinho vai continuar sozinho.
Mas não é só player que é assim, conheço praticamente todas as lojas de Magic da Grande São Paulo e lojista tem muita culpa nesse tipo de comportamento também. Fui em uma loja certa vez que tinha duas mesas jogando X1 e os caras nem se deram ao trabalho de levantar o olho pra ver quem tinha parado do lado pra ver a partida, e o balconista quando eu falei o que fui comprar, e era só dois pacotes de shield iguais, deu um tablet na minha mão, falou pra eu fazer, e voltou a jogar tabuleiro com um amigo. Sem contar os grupos de WhatsApp que jogador manda mais que o dono da loja (e nem são administradores).

PS: nada a ver com o que eu falei agora, mas gostei de ver aqui nos comentários que não veio player tóxico cagar regra a respeito de lei da selva e sobrevivência do mais forte, porque sempre teve isso em outras matérias que abordaram assunto semelhante.

(Quote)
- 16/06/2021 09:53
Sou completamente tranquilo...
Mas se o cara é tóxico comigo eu faço slow play..., Sorrisinho quando vou matar ou responder..., players que fica te encarando para te desconcentrar, Tudo que eu puder fazer que não seja contra as regras eu faço...
Já aconteceu do cara jogar comigo no G1 e tomar uma surra tão grande emocional que no G2 parecia outro player.

A questão é que um jogador tóxico não pode ter um reforço positivo por ser tóxico, hoje eu sou um player velho e faço esse tipo de coisa para proteger os players novos que não sabem se defender disso ou podem desistir de jogar um evento porque existe gente babaca...
(Quote)
- 15/06/2021 19:04

Na minha visão sempre terpa gente boa e gente toxica. O lance eh filtrar. Até na loja. Eh legal ter criado um grupo assim. Também participei varios pequenos grupos assim. Nasciam e morriam. O que mais durou foi um grupo de dois. Eu meu amigo Renato Bernardes. Hoje ele se mudou somado a pandemia não mais jogar. Na loja passei a filtrar. Isso vale pra vida. Estar junto pela amizade não tem preço. Eh o Gathering do Magic.]

(Quote)
- 15/06/2021 16:11
A realidade é que o ambiente de magic é extremamente tóxico, seja no físico ou virtual e acredite as pessoas legais são a minoria infelizmente. Logo quando comecei a frequentar as lojas da minha cidade, percebi que ali não era um ambiente amigável, os iniciantes eram tratados de maneira extremamente hostil , seja por zombarem do deck ou por ignorarem a presença. Mesmo nesse ambiente tenebroso permaneci 3 meses, fazendo um "trabalho" de acolhimento aos iniciantes, ensinando que eu sabia das regras. Consegui depois desse tempo criar um grupo paralelo totalmente amigável aos iniciantes e alheio ao espaço da loja, nos reuníamos em praças de alimentação, casas etc. O grupo durou 2 anos ate se dissolver por n motivos, mas foi uma experiência única, se unir com pessoas que estava ali pela companhia e amizade.
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