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Mono Green Devotion e o Pioneer
Ok, bans aconteceram, vida que segue, hora de jogar com outro deck.
28/06/2022 10:05 - 8.385 visualizações - 11 comentários
Faraway - Jogos e Desafios

Faz um bom tempo que não falo de Pioneer aqui na LigaMagic. Em geral guardo essas discussões para o meu Apoia.se, já que posto lá muito sobre o meu dia-a-dia de grind. E não falar sobre Pioneer significa que não falei sobre o ban de Winota, Joiner of Forces e Expressive Iteration

 

O Ban da criatura foi e não foi uma surpresa. Não foi porque era óbvio que um deck consistente como esse, que punia um oponente full tapped com letal e que punia a mesma pessoa que passava com remoção de pé, uma hora estaria banida. Desde que Fable of the Mirror-Breaker foi lançada eu esperava o ban porque a consistência que essa carta deu à estratégia era surreal demais. A grande surpresa foi esse ban acontecer próximo aos qualifiers, Isso porque esses eventos são o grande momento do Pioneer para o grande público e todo mundo sabe como os bans são mal recebidos, mesmo que o ambiente melhore. Ninguém fica feliz vendo um deck ir embora. 

 

Expressive Iteration era outra ban necessário, apesar que a resiliência de estratégias URx seria mais afetado por bans em Treasure Cruise e/ou Dig Through Time, mas na justificativa do ban eles bateram na tecla de que ainda não acham que Delve é uma mecânica tão forte no Pioneer, pela ausência de cantrips e fetchs. Discordo, mas Expressive Iteration pagou o pato.

 

Ok, bans aconteceram, vida que segue, hora de jogar com outro deck.

 


O Ban de Winota, Joiner of Forces beneficia dois tipos de decks, o primeiro são os aggros, que agora não precisam obrigatoriamente de interagir, então podem ser lineares e agressivos e nesse sentido Collected Company também está livre, já que com Winota, Joiner of Forces fora, Collected Company se torna a melhor fonte de card advantage/card selection dos decks aggros. E outros que ganharam muito foram os decks ramps. O Pioneer tem 3 decks ramps hoje em dia, Lótus, que rampa para combar, RG Atarka, que rampa para coisas grandes, e Green Devotion que rampa para muitas ações no turno e ocasionalmente combar. 

 

Fora os decks que citei, coisas como Rakdos Midrange, Azorious Control e Izzet Fênix ainda são ótimas escolhas, então o ambiente podia ser definido entre turma da Company, turma do ramp e galera “justa”, claro que também com decks como Mono Red, Greasefang etc, mas esses em porcentagens menores.

 

Eu comecei testando decks de Collected Company e sim, são bons decks, cada um com suas forças e fraquezas, mas em comum sendo decks mais fracos contra Rakdos Midrange, que tinha uma match bem tranquila usando suas remoções e Kalitas, Traidor de Ghet. Comecei então a testar os ramps, para tentar atacar melhor os decks mais justos. RG Atarka tem melhorado muito desde que apareceu, mas a match vs aggros não me agradava e por isso fui testar o Green Devotion, que é um deck que sou mais familiarizado e que parecia ter um espaço bom para trabalhar. Nykthos, Shrine to Nyx é uma carta que permite jogadas bem injustas, ainda mais quando posso ativá-lo várias vezes no mesmo turno e Cavaleiro dos Espinhos dá muito suporte para o deck fazer a transição para o midgame com segurança.

 

O Green Devotion, como já dito, é um ramp e ele tem a particularidade de fazer isso com criaturas e com terrenos que geram múltiplas manas, fazendo com que cartas como Kiora, Behemoth Beckoner e Cavaleiro dos Espinhos sejam muito melhores aqui do que são em outros decks. Nosso objetivo é acelerar mana para fazer múltiplas cartas no mesmo turno, seja fazendo Storm the Festival, seja Karn, the Great Creator e seus artefatos, seja mesmo para o combo, que vou descrever mais abaixo.

Mono Green Devotion
Por Ruda
5638 visualizações
26/06/2022
R$ 2.363,03
R$ 3.547,12
R$ 9.655,45
5638 visualizações
26/06/2022
Visualização:
Padrão
Cor
Custo
Raridade
Visual
CMC
Comprar Deck
Gerar Imagem
Criaturas (20)
4   Elfos de Llanowar  0,15
4   Místico Élfico  1,65
2   Cariátide Silvestre   26,90
1   Hidra Voraz    5,99
4   Trol Vetusto    15,47
1   Polucrano, Devorador de Mundos    2,70
4   Cavaleiro dos Espinhos     75,91
Planeswalkers (7)
3   Kiora, Invocadora de Behemoths   0,75
4   Karn, o Grande Criador  119,61
Mágicas (4)
4   Invadir o Festival     14,76
Encantamentos (8)
4   Juramento de Nissa  12,90
4   Refúgio do Salgueiro dos Lobos   0,14
Terrenos (21)
2   Boseiju, a Persistente 219,50
2   Covil da Hidra 7,76
12   Floresta 0,00
4   Nyktos, Santuário de Nyx 109,25
1   Tumba Abandonada 38,00
60 cards total

Sideboard (15)
1   Cidadela de Aço Negro 1,25
1   Cripta de Tormod  1,80
3   Chicote Celeste   12,00
2   Esfera Amortecedora  14,02
1   Rabecão Clandestino  111,20
1   Caldeirão Pestilento   0,60
1   Carruagem de Esika   49,69
1   O Véu Metálico  85,00
1   Soberana Celeste, Capitânia do Cônsul  3,25
1   Estátua do Faraó-deus  0,45
1   O Sol Imortal  89,08
1   Golem Meteórico  0,05

A deckbuilding do deck costuma ser simples, já que ele tem um core fixo de cartas, mas alguns slots merecem explicação:

 

- Sylvan Caryatid & Topiary Stomper

 

 

Por um tempo algumas listas apareceram usando cópias de Topiary Stomper, inclusive no lugar de Oath of Nissa. Essa ideia é apenas ruim. Topiary Stomper é um Cultivar piorado em um deck que não liga para o número de terrenos que tem, eu entendo usar o dinossauro no RG Atarka, que rampa colocando mais terrenos na mesa, mas no Devotion a carta é só sua pior aceleração e que vai demorar muito tempo para “ligar”. Sylvan Caryatid acelera mana extra, bloqueia logo no começo do jogo, o que também pode ajudar depois nossos planeswalkers e ainda faz mana preta, o que pode ser relevante lá na frente.

 

- Polukranos, World Eater

 

 

Nosso menino “polucaules” é uma carta simples, mas efetiva que consegue dar vazão para uma quantidade grande de mana e que é bom versus aggros e controles. Não usamos múltiplas cópias porque nosso objetivo ao acelerar não é fazer ele melhor e sim usar outras ameaças.

 

- Karn e seus brinquedos

 


 

 

Todo deck com Karn, the Great Creator traz o dilema de quais cartas usar no sideboard. O core básico é Pestilent Cauldron, The Immortal Sun, Treasure Vault, Tormod's Crypt, Pithing Needle, Meteor Golem, Estatua do Farao-deus, Damping Sphere e Skysovereign, Consul Flagship. Existem mais opções, mas essas 9 são as que considero o mínimo. Pela match contra Lótus ser bem complicada e eles conseguirem lidar com artefatos facilmente eu uso mais de uma cópia de Damping Sphere, taxando o oponente dois turnos seguidos.

 

A última adição do deck foi O Veu Metalico, que faz com que o deck combe mais rápido e fácil. Ele consegue duas coisas importantes, primeiro que você “stacka” várias vezes a habilidade dele, então eu faço Véu, ativo, depois desviro ele com Kiora, Behemoth Beckoner, e posso fazer novamente, fazendo com que eu possa ativar meus planeswalkers mais uma vez. E a segunda é que planeswalkers que entrarem depois que eu ativei o Véu Metálico também recebem os bônus, então eu posso stackar habilidade várias vezes e por exemplo fazer uma nova Kiora, que terá várias vezes a capacidade de desvirar permanentes. 

 

- Remoções

 

O side ainda tem espaço para usar mais remoções, normalmente na forma de Voracious Hydra. Eu já usei Hunt the Hunter, uma tech para tentar vencer a mirror, matando mana dorks, mas que é situacional e não recomendo, mais abaixo falarei sobre formas melhores de vencer a mirror match.

 

Hoje eu não uso mais Hidras de side porque prefiro usar cópias de Chicote Celeste, mas caso você comece a usar as Hidras, é normalmente nesse slot que entra.

 

- O Combo

 

 

O Mono Green tem uma inevitabilidade que é seu combo, que pode vencer a partida independente de quantos pontos de vida o oponente tiver. Para ele funcionar precisamos de uma fonte de mana preta, Nykthos, Shrine to Nyx, gerando preferencialmente 15 manas, mas gerando menos ainda é possível. Karn, the Great Creator e Kiora, Behemoth Beckoner na mesa e ao menos uma cópia destes mesmos planeswalkers na mão e/ou no cemitério. Karn fará o -2 pegando Pestilent Cauldron no sideboard, conjuramos então Restorative Burst, trazendo um Karn e uma Kiora do cemitério (caso não estejam já na mão), geramos mana com Nykthos, Shrine to Nyx, desviramos ele com a Kiora e fazemos a “nova” dupla da nossa mão, agora com Karn pegando Pestilent Cauldron do exílio e repetindo o processo. Depois de fazer isso x vezes, sendo x o total de cartas que o oponente tem no deck, dividido por 4, nós fazemos o loop uma última vez, mas agora conjuramos Pestilent Cauldron e ativamos a habilidade onde vamos millar o oponente. Detalhe importante, eu falei que Nykthos, Shrine to Nyx gerar 15 manas é opcional porque às vezes não precisa de muitos loops para vencer e a quantidade de mana que tiver já pode ser suficiente, recomendo fazer a conta. Também é importante lembrar que versus alguns decks, especialmente no tabletop, mesmo sem a mana preta o combo vence o jogo, já que você faz um loop de vida infinita e seu oponente não consegue mais vencer. Ressaltei no tabletop porque o tempo válido da partida é para ambos e se o oponente não quer conceder, bom, ah que delícia a eternidade que passaremos juntos.

 


- Sideboard e Matchs

 


É óbvio que o deck não tem um plano mirabolante de side, até porque usamos Karn e ele tem seu preço. Mas eu vou comentar sobre algumas linhas que são importantes.

 

● vs Mirror

 

A match é sobre rampar rápido, então mãos que tenham mana dorks costumam ser muito boas, além de que Kiora gera mana bem rápido. Inclusive, focando na Kiora, Behemoth Beckoner você sempre joga todos os seus Wolfwillow Haven no mesmo terreno e se um troll morrer, também no mesmo terreno, tornando sua Kiora muito melhor. A melhor dica que posso dar é que quem fizer Karn primeiro deve pegar The Immortal Sun e “resetar” a partida. Essa jogada pode parecer estranha, mas quando a mesa trava, você vai vencer por card advantage e tamanho da mesa e corta qualquer chance do oponente voltar usando os planeswalkers dele. 

 


● vs Lótus

 

Não tem mistério, você precisa de Karn para vencer essa partida. Primeiro pegando Damping Sphere e depois God-Pharaoh's Statue. Lembrando que assim que possível você pega Tormod's Crypt/Rabecao Clandestino, caso um dos seus artefatos-taxes seja destruído, você exila seu cemitério e pega de novo com o Karn.

 

Sem side. Se você usar duas esferas de side, pode colocar 1 no lugar de 1 Hidra.

 

● vs Azorious Control

 

Storm the Festival é MVP aqui por ser a carta que consegue combater o card advantage deles. Karn para The Immortal Sun é sensacional, inclusive faça na primeira oportunidade

 

Side in: 3 Chicote Celeste
Side out: 2 Sylvan Caryatid, 1 Voracious Hydra

 

● vs Rakdos Midrange

 

Uma das melhores matchs do deck, já que jogamos bem maior que eles. Storm the Festival é incrível aqui e só pode ser complicado pro Graveyard Trespasser. Pós side eu vejo algumas pessoas subindo Voracious Hydra, mas meu problema é que eles deixam todas as remoções pós side e Hidra pode ser bem estranha nesse cenário.

 

Sem side.

 


● vs Izzet Fênix

 

O deck ainda não definiu a lista após o banimento, se o oponente usar Thing in the Ice essa match pode ser bem ruim, mas se ele usar Ledger Shredder, por mais que a criatura seja chata, ela pelo menos não limpa nossa mesa. Cavaleiro dos Espinhos é a melhor carta do deck e quem ganha jogos.

 

Meu problema em trazer Chicote Celeste aqui é que ela morre muito fácil e não para o oponente o mesmo tanto que para contra espíritos, por exemplo. 

 


● vs Spirits

 

Tanto a versão Bant quanto a Mono Blue são bem chatas, normalmente Shacklegeist é a carta que mais atrapalha. Chicote Celeste MVP.

 

Side in: 3 Chicote Celeste
Side out: 2 Sylvan Caryatid, 1 Storm the Festival

 

● vs Humans

 

As piores cartas que podemos tomar são Thalia, Heretic Cathar e Lavinia, Azorius Renegade, mas Voracious Hydra é para ambas.

 

Side in: 3 Chicote Celeste
Side out: 2 Sylvan Caryatid, 1 Storm the Festival

 


Até mais!

Rudá

Rudá Andrade dos Reis ( Ruda)
Rudá joga Magic desde 2003, sendo que em 2012 começou a produzir conteúdo sobre o jogo, fazendo artigos, streaming e narração. Como jogador tem diversos resultados, destacando top8 no Magic Fest São Paulo em 2019 e participações no Regional Player Tour Europe e Kaladesh Championship.
Redes Sociais: Facebook, Twitter
Comentários
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(Quote)
- 28/06/2022 20:00

Jogo com o deck e posso dizer que ele é bem chato mas não acho que banir alguma peça faria dele um deck dora do meta... Se banir o nyktos acaba com vários outros decks baseado em devoção o que pode sobrar para o Karn, great creator pelo acesso que ele te dá ao sideboard. Daí os jogadores de monogreen karn, teriam que se reinventar ou migrar para o RG Ramp ou monogreen stompy que são decks tão fortes quanto. Agora o que dizer do do UW CONTROL ou Yorion ? São decks que não deveriam existir no formato mas existem pois são enfadonhos e arrastados que trazem tudo e muitas vezes anti-jogo a ponto de empatarem partidas de 0 x 0.

(Quote)
- 28/06/2022 18:58
Nem citou RDW, curioso...
(Quote)
- 28/06/2022 17:12

Concordo.

O que eu não entendo é eles não terem visto o básico. A gente sai de uma banlist já precisando de outro ban. A única justificativa que eu entendo é e tiver alguma carta chave do deck em edições T2 atuais que ainda esteja sendo vendida a box. Senão há, Festival deveria ser no mínimo o ban. Ainda assim, eu baniria o Nykthos, pois uma ferramenta que gera tanta mana assim é muita ganância para o formato que não tem todas as respostas de um Modern/Legacy.

(Quote)
- 28/06/2022 16:59
Um Ban no mínimo no festival é necessário nesse deck.
(Quote)
- 28/06/2022 16:13
O Nemesis do formato está de volta ao topo! Desde o Day One do formato Green Ramp/Devotion era muito fora da curva, sendo alvo de alguns bans.

Me surpreendeu que a Wizards não tenha visto isso ao considerar a banlist e banido por precaução alguma carta desse deck, visando evitar que ele gere uma tonelada de manas no turno 4. Mas dado o histórico de outros formatos (estou olhando para você, Tron!), provavelmente a Wizards gosta mais de Green Ramp do que deveria, e provavelmente o ban nunca virá e vamos ter que aceitar um formato com deck tier zero extremamente goldfish.

O Ban da Iteração foi totalmente errado, ao meu ver, pagando o pato por cartas realmente quebradas (TC e DTT). Matou arquétipos e não trouxe nenhuma contribuição para o formato. Torço para que corrijam esse equívoco nas próximas banlists.

O Ban da Winota era inevitável, pelo ritmo de jogo que colocava e a obrigatoriedade de se responder a Winota, deixando todos os decks do formato um turno mais lentos com mana altamente deficiente, sob o risco de perder a partida instantâneamente (estilo Splinter Twin).

Apesar disso, o formato ainda está bem aberto, vários decks inovadores aparecendo. Espero e as próximas coleções continuem agregando ao formato assim como as últimas agregaram, pois ele está muito bom de se jogar mesmo com todo esse caos econômico. Como mostra o artigo, o formato tem decks de diversos arquétipos entre o Tier 1, o que é bom, pois com certeza tem um deck para seu gosto pessoal!
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